sexta-feira, 20 de fevereiro de 2004

Um desabafo já tão distante.

Dois anos da minha vida transformaram-se em dois dias. Dois dias em que arranquei o meu coração com toda a força. Coloquei-o numa bandeja fria para que todos o vissem e julgassem, para que todos provassem o sangue amargo que me percorre o corpo.
Mas a única justiça que me interessava era a tua.
Sem medos, sem rancores.
Dois dias.
Esperei que estivesses silenciosamente a ouvir, a dar valor à minha alma que respirava só por ti , só por ti. Esperei. Tremi, enquanto me entregava. E ia aguardando na certeza de que virias. Que me abraçarias e as coisas voltassem a ser.
Porque apesar de tudo a tua companhia sempre foi o suficiente.
Os telefonemas em silêncio, só para sentir que estavas lá.
Não vieste.
Todo este tempo sozinha. Abri o peito. Fiquei em carne viva , comigo e com a minhas mágoas. Exposta. Nua. No meio de estranhos. Esmagada por vozes alheias, que não conhecem, não sentem. Esta tristeza.
Quando a dor se tornou insuportável, olhei para trás, para ver o que te retinha. Mas deparei-me com o espaço vazio da tua presença.
Ausência.
Não estiveste lá nem por um segundo, em que me entregava. Em que sofria, mas sorria, porque TU estavas. Tinhas de estar.... Tinhas.
“Toma a minha essência e bebe-a se quiseres, é tua, sempre foi” Eu tão sozinha.
Em lágrimas, lágrimas, tão sozinha. Quero tapar os olhos, os ouvidos, não quero ver que não estás cá. NÃO QUERO VER. Quero pensar que ouves cada palavra, que seguras o amor que tenho por ti na tua alma, quero iludir-me que não o vais deixar partir.
Quero viver nesta ilusão, ter-te nos braços, rir contigo, fazer cocegas, aninhar-me na tua barriga, brincar com os teus caracóis, sentir carícias que nunca deste, carícias sentidas.
Agora. Vens dizer-me que enquanto não estiveste, pensavas em mim. Pensavas. Lá de longe.
Todas as horas que me ia despedaçando, veia por veia, para me conheceres melhor, se esfumaram. Ficou apenas o meu corpo espalhado neste blog, à espera de ser apanhado, reunido. Resta-me ir buscar a caixa da costura à cozinha, e, com uma linha e agulha cozer o que resta de mim.


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