segunda-feira, 15 de março de 2004

Um dia chegaste com um grande sorriso aberto.
O teu sorriso imaculado de dentes brancos e lábios carnudos.
Belas promessas de bem estar, de ternura. Conforto.
Tudo aquilo que desejava, perfeito. Segui-te sem pensar, sem saber. Segui-te por te amar. Porque, sempre fui assim, tola, sedenta de amor, de um gesto. Por muito pequenino que fosse.
E tu, foste sugando lentamente a minha vida, e eu inocente, permitia. Porque eras tu.
Os meses passaram e o meu corpo usado deixou de ser suficiente. O silêncio ocupou os teus olhos, o desespero os meus.
Deixaste-me pôdre.
Não sei a magia que aplicaste, ou se fui eu que a apliquei.
Mas de alegre tornei-me obscura.
De infantil a velha.
Mirrada por fora.
Raspada por dentro.
Até não haver mais nada que sugar. Utilizar. O bom dissipou-se.
Sobrou a minha alma triste.
Odeio-te por não veres que estou a morrer, odeio-te por fechares os olhos ao meu corpo mutilado.
Estou desfeita.
É verdade, apodreci. Mas foi contigo.
Não foste tu que me apodreceste, foi a nossa relação que me esvaziou.
Não perguntes como. Porque se soubesse não derramava uma lágrima sequer.

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