sexta-feira, 2 de abril de 2004

Os dias passam a correr e eu nem dou por eles. É como se viajasse no ponteiro de um relógio tão gigantesco que as suas horas exactas fossem incapazes de determinar.
Mas quando este raro momento se dá, quando vejo os segundos, horas, dias que me abandonam, fico aqui pasmada a vê-los partir.
Observo-os indefesa, olho para trás, tropeço nos que surgem sem aviso, doidos por desaparecer novamente. Fogem depressa para não os conseguir alcançar.
Não os acompanho, desoriento-me, perco-me, tanto saltar para o ponteiro do velho relógio que gira, gira maquinalmente. Só que eu caio, perco o passo, desespero.
Gostava de os fazer parar por um bocadinho para respirar à vontade. Sem a pressão do dia seguinte, do movimento seguinte, da palavra seguinte.
Tudo por uns instantes.
O prazer de fazer o tempo.
A calma de um dia sem horas.

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