segunda-feira, 12 de abril de 2004

Se pudesse viver para sempre escolhia aquele momento.
Tu a descascar laranjas.

a faca meio raquítica
“dá-te jeito essa faca?”
“muito mais do que as outras de serrilha”

eu encantada:
o teu sorriso doce,
os dedos compridos, as unhas roídas,
as mãos pingavam de sumo.
tu tão concentrado, tão minucioso,
como se daquela laranja dependesse o mundo

e uma ternura brutal, gigantesca, monstruosa
a explodir no meu peito, porque aquela laranja tinha um destino,
o meu.

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