segunda-feira, 31 de maio de 2004

Para sempre. Aqui estou. É uma tarde de Verão, está quente. Tarde de Agosto. Olho-a em volta, na sufocação do calor, na posse final do meu destino. E uma comoção abrupta – sê calmo. Na aprendizagem serena do silêncio.
Vergílio Ferreira

A todos os que se preocuparam com o meu “desaparecimento”. Obrigada.
Estes dias têm sido tão desnorteados, tão apressados.
Já nem me lembro da ultima vez que me sentei a respirar.
E que falta faz. Saborear cada sentimento.
Viver devagar, doce docemente.
Uma esplanada, um livro, um café.
O mar.

Tenho saudades.
Do cheirinho guloso dos protectores solares.
Da pele salgada. Das pestanas pesadas de água. Dos pés bem enterrados na areia.
Da praia, à tardinha, quando a massa de familias filhos netos chapéus lancheiras vai para casa jantar.

Aqui estou, de volta.
A peça estreou-se, teve em cena quatro dias. Fizemos uma pipa de massa e vai dar para uns quantos jantares com o grupo. Estou feliz.
Ando a ouvir The Smiths quase todos os dias.
Desculpem-me a ausência.
Talvez não para sempre.
Mas, aqui estou.

segunda-feira, 17 de maio de 2004

" O elevador sobe como um espirro. "

2 filmes e algo de algodão, Jacinto Lucas Pires

Adoro esta frase.

quarta-feira, 12 de maio de 2004

Durante uma conversa tive, pela primeira vez, conhecimento de fotografias da guerra Colonial em que militares jogavam à bola com a cabeça de um preto.
Quero dizer alguma coisa sobre isto que sinto e que tenho andado a sentir desde a respectiva conversa e não consigo.
Não sei o que dizer. Não sei o que sentir.

Tenho milhões de palavras estranguladas na garganta.

Quero fazer alguma coisa e não posso.
O que dizer. O que sentir.
O que sentir...?
Não entendo. Não entendo...
...porquê...?

Ontem adormeci-me em lágrimas.
Porque esta imagem não quer sair. Desde então vai repetindo-se exaustivamente.
E eu quero arranca-la a todo o custo. Quero afastar, fingir que não sei, fingir que este mundo é feito de inocência, de amor... mas não é.
Existe maldade. Existe maldade e eu ando cega. Meu Deus, não sei em que mundo vivo e eu que não acredito em Deus peço-lhe ajuda porque preciso tanto tanto. Esta imagem lambe-me perversamente as lágrimas, rouba-me tudo. Tira o chão, despe-me de equilíbrio.
Estou perdida, e dói. O horror apodera-se do corpo. Dói-me tudo, como se a cabeça não fosse dele. Mas minha. Às voltas, rodopiando, minha. Chutada, a minha cabeça, pontapeada por todos e a minha cabeça a dele, a minha a dele... não percebo, porquê?
Porquê...?!

terça-feira, 11 de maio de 2004



Logo hoje, neste dia de sol.
Será possivel? que me sinta assim tão menina gotinha de água.
Tão pequenina, microscópica... tão derramada, perdida.
Inundada.

Logo hoje...

sexta-feira, 7 de maio de 2004

O algo de algodão já tem fotolog que por acaso ali na coluna (do lado esquerdo) está fotoblog...
... é o hábito...
quando tiver paciência corrijo. :o)

Podem dar uma espreitadela! Quem tiver fotologs avise!

e.... acho que é só isto!
Abateu-se sobre mim uma espécie de apatia que não consigo explicar.
Aqui ao lado a minha irmã ouve ópera, pinta quadros.
O som espalha-se por toda a casa.
Pelos corredores, pelos quartos.
A minha mãe dorme.
Eu escrevo. Não o faço por necessidade. Faço-o porque nada mais tenho a fazer. Porque gosto de sentir o teclado na ponta dos dedos.
Janela aberta, carros, autocarros, alguém grita.
Um mundo inteiro lá fora. E eu aqui dentro.
O gosto de sangue na boca. Imensos livros para ler e um, em particular, assombra-me o espírito. Um livro cheio de aranhas, de larvas, baratas castanhas, assassinas.
Sangue na boca.
Tudo sem sentido.
O cérebro flutua em pântanos desconhecidos.
Eu não percebo nada.
Talvez não queira.
E a ópera.... pesa, destrói tudo o que encontra pelo caminho. Já me sinto fraca não quero suportar mais.
O corpo encolhe dorido, as costas corcundam-se e eu deixo cair a cabeça em qualquer sitio, esperando não recordar onde a deixei.

quarta-feira, 5 de maio de 2004

Inicialmente sentia-me apenas uma doninha fedorenta.
Não que cheirásse mal. Nada disso.
Mas há dias assim, errados.
Olhares cegos. Caras desfeitas. Sorrisos apagados.
Dias em que a nossa pele não parece bem nossa, por isso só apetece despi-la. Despi-la, para a realidade se tornar mais suportável. Mas claro, é impossivel.
A pele continua cravada no corpo e a realidade, cinzenta, como o tempo.
Hoje um homem no autocarro deitou para o chão uma lata de Nestea sem qualquer pudôr.
Hoje tive que carregar uma palete de leite sozinha, e pesou mais do que nos outros dias.
Uma mulher veio contra mim, não pediu desculpa.
Hoje vi um homem fazer chichi contra a casa velha que está em frente ao meu prédio.
Hoje não vi cães na rua.
Não tive aula de Biologia. Nem de Psicofisiologia.

Estou cansada.
Hoje no caminho para casa, li “Sou atreita a muitos e grandes desmoronamentos interiores que todos os dias combato como posso. Acordo derrotada e levo o dia inteiro a recompor-me.”

Hoje tenho saudades tuas e não posso estar contigo.

segunda-feira, 3 de maio de 2004



....
......
.........

é que em determinadas circunstâncias...
a questão é que a brincar a brincar...
nunca se sabe quando...
errr....
o problema da loucura animal...
assim tudo muito de repente...

enfim...

(sorriso amarelo)
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