sexta-feira, 7 de maio de 2004

Abateu-se sobre mim uma espécie de apatia que não consigo explicar.
Aqui ao lado a minha irmã ouve ópera, pinta quadros.
O som espalha-se por toda a casa.
Pelos corredores, pelos quartos.
A minha mãe dorme.
Eu escrevo. Não o faço por necessidade. Faço-o porque nada mais tenho a fazer. Porque gosto de sentir o teclado na ponta dos dedos.
Janela aberta, carros, autocarros, alguém grita.
Um mundo inteiro lá fora. E eu aqui dentro.
O gosto de sangue na boca. Imensos livros para ler e um, em particular, assombra-me o espírito. Um livro cheio de aranhas, de larvas, baratas castanhas, assassinas.
Sangue na boca.
Tudo sem sentido.
O cérebro flutua em pântanos desconhecidos.
Eu não percebo nada.
Talvez não queira.
E a ópera.... pesa, destrói tudo o que encontra pelo caminho. Já me sinto fraca não quero suportar mais.
O corpo encolhe dorido, as costas corcundam-se e eu deixo cair a cabeça em qualquer sitio, esperando não recordar onde a deixei.

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