quarta-feira, 5 de maio de 2004

Inicialmente sentia-me apenas uma doninha fedorenta.
Não que cheirásse mal. Nada disso.
Mas há dias assim, errados.
Olhares cegos. Caras desfeitas. Sorrisos apagados.
Dias em que a nossa pele não parece bem nossa, por isso só apetece despi-la. Despi-la, para a realidade se tornar mais suportável. Mas claro, é impossivel.
A pele continua cravada no corpo e a realidade, cinzenta, como o tempo.
Hoje um homem no autocarro deitou para o chão uma lata de Nestea sem qualquer pudôr.
Hoje tive que carregar uma palete de leite sozinha, e pesou mais do que nos outros dias.
Uma mulher veio contra mim, não pediu desculpa.
Hoje vi um homem fazer chichi contra a casa velha que está em frente ao meu prédio.
Hoje não vi cães na rua.
Não tive aula de Biologia. Nem de Psicofisiologia.

Estou cansada.
Hoje no caminho para casa, li “Sou atreita a muitos e grandes desmoronamentos interiores que todos os dias combato como posso. Acordo derrotada e levo o dia inteiro a recompor-me.”

Hoje tenho saudades tuas e não posso estar contigo.

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