domingo, 26 de setembro de 2004

Sexta-feira fui jantar com pessoas da minha antiga turma e tive conhecimento do falecimento de um colega.
Estranho. O sentimento.
Estranha. A impotência.
O sorriso forçado, embaraçado.
Sorriso triste. O meu.
Não era suposto ser assim.
A amargura invade-me. As memórias voltam para assombrar.
Morte.
Ouço no noticiário: dezenas, centenas de pessoas. Distantes, desconhecidas.
E ele a dançar no meu pensamento.
Preso no momento. Improvisando.
A melhor improvisação de todas, pensei. Foi a dele.
E foi.
A morte assume a sua verdadeira forma. Implacável.
Recordo rostos desaparecidos que me diziam tanto. O sorriso do meu avô. A doçura.
A falta que me faz. A forma como me chamava “a maior” ou como dizia “dá-me um beijo minha cara de queijo”.
Pela primeira vez vejo o ridículo de quem banaliza a vida em atitudes mesquinhas
que não interessam a ninguém.
Sei que vou morrer. Um dia. Como ele. Como alguém. Mas até lá, respiro.
Respiro.

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