quarta-feira, 3 de novembro de 2004

Milhares milhares de palavras engasgadas atropeladas com raiva e ódio e horror rasgadas corroídas ferrugentas palavras estúpidas e más que não vejo em ti nem em mim
mas estão lá
gastas e porcas sujas
as palavras
sem sentido, desordenadas, desorientadas,
como abelhas loucas
como moscas e moscardos
como os pássaros desesperados
sozinhos
a morrerem contra o vidro de nossa casa

a tentar escapar,

como chávenas de café usadas
as palavras
como os autocarros e as pessoas dos autocarros
os encontrões do metro
as palavras
que me magoaram e me cuspiram e me sangraram

palavras que disseste.

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