quarta-feira, 10 de maio de 2006

Gotinhas de palavras que derramas como água.

Longe vejo-me nascer da terra.

Dedos ásperos, sorriso cego, lábios gretados.

Murcha de solidão.

Seca e estalada por dentro. Há milhões de anos que o corpo deixou de ser.

De quando em vez materializa em poeira, dando sinais de existência. Medo de ser visto, diz quem o conheceu. Sobrevive em desespero. Feito de saudade.

Ouvi dizer que o coração definhou.

O ventre entregou-se ao solo num enterro secreto. Consta que tinha vontade própria e espera por absolvição. Algures. Por entre dunas de remorso.

Mergulho no deserto e aí espero que me alimentes.

Deslizas em doçura cristalina. Espio-te pelo canto da alma. Plena de curiosidade. Com uma urgência estúpida de compreensão.

Entristecem-me os olhos dentro do que nos separa.

O que resta de pele desfaz-se em pedaços.

Quero lutar, mas não posso.

6 comentários:

Anónimo disse...

Chissa, que texto... Até as pedras da calçada viraram puré.
Olha pra frente e segue o teu nariz.

R. de P.

Muzzy disse...

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