Gotinhas de palavras que derramas como água.
Longe vejo-me nascer da terra.
Dedos ásperos, sorriso cego, lábios gretados.
Murcha de solidão.
Seca e estalada por dentro. Há milhões de anos que o corpo deixou de ser.
De quando em vez materializa em poeira, dando sinais de existência. Medo de ser visto, diz quem o conheceu. Sobrevive em desespero. Feito de saudade.
Ouvi dizer que o coração definhou.
O ventre entregou-se ao solo num enterro secreto. Consta que tinha vontade própria e espera por absolvição. Algures. Por entre dunas de remorso.
Mergulho no deserto e aí espero que me alimentes.
Deslizas em doçura cristalina. Espio-te pelo canto da alma. Plena de curiosidade. Com uma urgência estúpida de compreensão.
Entristecem-me os olhos dentro do que nos separa.
O que resta de pele desfaz-se em pedaços.
Quero lutar, mas não posso.
6 comentários:
Chissa, que texto... Até as pedras da calçada viraram puré.
Olha pra frente e segue o teu nariz.
R. de P.
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