sexta-feira, 15 de setembro de 2006

Aterrorizo-me.

A fragilidade. O aleatório. A probabilidade.

Quero aconchegar os que amo e carrega-los no peito como grãozinhos grãozinhos. Vivê-los eternamente numa fúria egoísta. Fazê-los de aço para impedir que sofram, para que não experimentem a dor do incerto.

Trancar a casa, o quarto, engolir a chave. Fecha-los na concha das mãos como a um pássaro pequenino. Meus, só meus, num desgaste interior, egoista, de olhos submersos, meus.

Não posso desfazer a necessidade de pedir desculpa, desculpa e desculpa por favor, pela monstruosidade raiva e repugnância do que está feito, do que se quer refazer e já não se pode. Desculpa. Pelo hediondo mal feito, a perversidade. Alguém que não sabia o que fazia. Alguém que provavelmente nunca quis saber.

A sensação.

Mãos vazias, doridas. Num silêncio, de tão atroz, irreversivel. Escondendo a nudez crua e desajeitada das asas torcidas, mortas

quebradas.

Quero dizer, dizer algo significativo, que importe.

Não consigo.

1 comentário:

Folhas disse...

Ola. Já ha muito tempo que aqui não vinha.
Continuas com grandes textos, tenho que voltar mais vezes. boa semana.

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