Há pessoas que são portas fechadas. Não, não, mais que fechadas.
São portas acorrentadas. Com um cadeado gigante. Queimadas pela ferrugem, na espera das horas. Talvez por ser, também eu, velha como as cismas me aninhe nestas portas com um par de ganchos toscos e uma garrafinha de óleo. Deixo-me ficar, disposta a remendar os vultos inacabados que espreito apetitosamente através da fechadura. Tendo, no entanto, consciência de que os ganchos cansados com o tempo se partem. Que em cadeados incompletos encaixam chaves incompletas.
E eu não tenho chave para dar.
2 comentários:
gostei especialmente deste texto.
obrigada. venho agora do(s) cadernos e gostei muito do que li. bj
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