quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

tenho o quarto, com folhas e livros e fotografias e copos espalhados pelo chão com restos de vinho. uma chávena cheia de beatas. é dificil tão dificil deitar as beatas fora. os dias passam e as semanas passam e tudo passa porque sim.

2 comentários:

Beguinha disse...

Que falta nos fazem as palavras exactas. Aquelas que escolhes com mestria, com sentir.

Julieonthemoon disse...

Beguinha sei que já disse: obrigada por me leres (mesmo). *

"Os poemas podem ser desolados
como uma carta devolvida,
por abrir. E podem ser o contrário
disso. A sua verdadeira consequência
raramente nos é revelada. Quando,
a meio de uma tarde indistinta, ou então
à noite, depois dos trabalhos do dia,
a poesia acomete o pensamento, nós
ficamos de repente mais separados
das coisas, mais sozinhos com as nossas
obsessões. E não sabemos quem poderá
acolher-nos nessa estranha, intranquila
condição. Haverá quem nos diga, no fim
de tudo: eu conheço-te e senti a tua falta?
Não sabemos. Mas escrevemos, ainda
assim. Regressamos a essa solidão
com que esperamos merecer, imagine-se,
a companhia de outra solidão. Escrevemos,
regressamos. Não há outro caminho."

Rui Pires Cabral

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