segunda-feira, 15 de março de 2004

Um dia chegaste com um grande sorriso aberto.
O teu sorriso imaculado de dentes brancos e lábios carnudos.
Belas promessas de bem estar, de ternura. Conforto.
Tudo aquilo que desejava, perfeito. Segui-te sem pensar, sem saber. Segui-te por te amar. Porque, sempre fui assim, tola, sedenta de amor, de um gesto. Por muito pequenino que fosse.
E tu, foste sugando lentamente a minha vida, e eu inocente, permitia. Porque eras tu.
Os meses passaram e o meu corpo usado deixou de ser suficiente. O silêncio ocupou os teus olhos, o desespero os meus.
Deixaste-me pôdre.
Não sei a magia que aplicaste, ou se fui eu que a apliquei.
Mas de alegre tornei-me obscura.
De infantil a velha.
Mirrada por fora.
Raspada por dentro.
Até não haver mais nada que sugar. Utilizar. O bom dissipou-se.
Sobrou a minha alma triste.
Odeio-te por não veres que estou a morrer, odeio-te por fechares os olhos ao meu corpo mutilado.
Estou desfeita.
É verdade, apodreci. Mas foi contigo.
Não foste tu que me apodreceste, foi a nossa relação que me esvaziou.
Não perguntes como. Porque se soubesse não derramava uma lágrima sequer.

domingo, 14 de março de 2004

Hoje sou um pequeno grão de areia.
Nada me amarra à terra porque a tenho presa no peito.

domingo, 7 de março de 2004


"I want to go out swinging
Swinging the blues tonight"

Um grande bem haja à Tv2 que ontem nos brindou com um documentário
da fabulosa, divina, espantosa Ella Fitzgerald.
Simplesmente delicioso.
There's a little bit of soul in Ella
There's a little bit of soul in me
There's a little bit of soul in Ella
There's a little bit of soul in me
(...)
Come on, let's stay happy
Come on, clap, let's stay happy
Let's sing the happy blues
No more sad dues

I am happy you are happy too
I am happy you are happy too
So let's go out with the blues that's swinging

Like Count Basie, swing on
Like Count Basie, swing on
Like Count Basie, swing on
Like Count Basie, swing on
Swing on, swing out tonight

Hey now
Hey now
Hey now
Right on now, with that soul

C'mon everybody
C'mon and say right on
I said right on
I said right on
Right on
Right on
Right on
Right on
Right on

Get with it, yeah
Get with it, yeah
Get with it, yeah
Get with it, yeah
Get with it
Get with it
Get with it, c'mon

Let's make you happy
Happy
I've sung these blues, and I'm through
Cause I don't know what I'm singing about
I don't know what I'm singing about
With this happy music
This happy music

So I'd better leave while I'm happy
And say good night to you
Goodnight
Goodnight
Goodnight
Goodnight
Goodnight

"Happy Blues"

sábado, 6 de março de 2004

Enquanto arrancava os olhos e cuspia o coração reparei nos meus dedos.
Parecem ramos de uma roseira. Finos. Tortos.
Inertes como um animal morto.
Vou arrancá-los também.

terça-feira, 2 de março de 2004

Tenho sono, tenho frio e tenho comichão na garganta.
Também tenho comichão no olho.
Estou meia ranhosa, a amandar pa constipada. Pode ser alergia, mas enfim, nunca se sabe.
Estou um bocadinho triste, mas é só um bocadinho.
Na cozinha repousa silenciosamente uma fatia de bolo de chocolate, é a ultima.
Invade-me o dilema... o dilema...! como, não como, como, não como? Apetece. Mas e se depois amanhã alguém (que não eu) se desilude com a presença de um prato vazio? Complicado. Também podia cortar metade da fatia, mas isso passaria de complicado a ridiculo. Muito ridiculo.
Tenho sono...
-E porque não vais dormir Júlia?
Pergunta pertinente.
Porque tenho medo.
Pois, medo. As noites ultimamente andam minadas de pesadelos. Quando menos se espera lá explode um no meu sono.
Ainda ontem, sonhei que tinha alguns fios de cabelo presos na mão. Por baixo da pele. E tinha de os puxar cá para fora, mas doía imenso. E lá fui puxando lentamente, dolorosamente, até saírem.
Nem quero pensar nisso :o(
Desde muito pequena que os pesadelos me acompanham. Os meus pais levavam-me para a casa de banho, comigo em pânico e ainda a dormir, para me tentarem acalmar. Chegou ao extremo de me recusar a dormir. Então o pai lá inventou a história do saco de plástico. Sentava-se ao meu lado com um saco "Vá, dorme descansada, quando o pesadelo aparecer por aí eu apanho-o e meto-o no saco" E eu dormia descansada. Até exigi que se pesasse o saco na balança. É claro que o saco aberto pesava menos que o saco fechado, era o pesadelo que lá estava dentro, hehe, por isso essa paranóia foi desaparecendo, tal como os pesadelos. Deixaram de ser tão frequentes.
Enfim... Estou a ficar mesmo com muito sono.
Se aparecer por aí um pesadelo corro-o daqui à estalada :o)
Boa noite. Caminha, edredão, almofadas... como vos quero.

segunda-feira, 1 de março de 2004

Quero agarrar a minha vida com força e dar-lhe uma nova forma. Uma nova cor.
Transformar-me.
Moldar a alma com plasticina, pintá-la a canetas de feltro.
Esquecer o cinzento destes dias.
Quero ser eu outra vez. Mesmo que isso implique afastar-me de ti.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2004

"Era como se o tempo, em algum momento, tivesse parado, o homem só queria que alguém viesse abrir uma janela."

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2004

este dia tem o contorno cru da desilusão. não faço nada bem feito.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2004

Mutts :o)
Bom, para começar há coisas que me chateiam:
sair da cama (sono),
fazer a cama (seca),
sair do duche (frio),
secar o cabelo (perda de tempo),
não saber o que vestir (confusão=armário),
ir para a rua quando está a chover (suspiro),
sei lá tanta, tanta coisinha chata.

Mas depois, claro, vêm as coisas que eu detesto e não são tão pequenas como isso. E quero abordar o que mais me tem irritado ultimamente. O cinismo e hipocrisia. Estas duas características de certas pessoas nunca me entraram na cabeça, porque para já não faz sentido uma pessoa não ter a frontalidade de dizer o que pensa e depois, escondê-lo de maneira maldosa (com boquinhas saloias e tentativas de desprezo), é o cumulo.
Ao longo da minha vida fui encontrando pessoas assim. Na escola, na faculdade, no autocarro, em todo o lado. Até entre supostos amigos, ou amigas.
É claro que há várias maneiras de dizer as coisas, quando não me sinto bem com alguém basta afastar-me dessa pessoa sem a ofender com um “és uma merda e não quero estar contigo” ou algo do género. Não deixo de lhe falar mas não sou simpática por favor. Se essa pessoa é próxima explico-lhe as minhas razões e assunto arrumado, se as coisas se resolverem ainda melhor. Agora, continuar a sorrir e tentar agir normalmente é que não. Poupem-me.
Sempre preferi explosões de raiva para mais tarde tudo ficar honestamente bem do que picadinhas nas costas de tanto mau carácter que anda para aí.
Não me considero uma pessoa superficial e se vejo alguma coisa que me desagrada digo. Não gosto de andar desesperadamente atrás de “gajos” porque é “giro” ter namorado, visto-me da maneira como me visto porque me faz sentir bem e não para impressionar o mundo mais arredores, não tenho muitos amigos e não finjo que os tenho, não odeio os homens porque “são todos iguais” até porque nem são, gosto de comer chocolate, batatas fritas e mcdonalds (ai... e comida chinesa.....nham), gosto de muitos tipos de musica e não tento gostar dos mais “cool” para as outras pessoas verem que eu também sou “cool” (seja isso o que for), EU SOU ASSIM. As outras pessoas têm todo o direito de não gostar porque há personalidades incompatíveis. Aceito críticas de bom grado porque todos devemos mudar para melhor. Agora, com maldade? Vai mas é vendê-la para outro lado!

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2004

Um desabafo já tão distante.

Dois anos da minha vida transformaram-se em dois dias. Dois dias em que arranquei o meu coração com toda a força. Coloquei-o numa bandeja fria para que todos o vissem e julgassem, para que todos provassem o sangue amargo que me percorre o corpo.
Mas a única justiça que me interessava era a tua.
Sem medos, sem rancores.
Dois dias.
Esperei que estivesses silenciosamente a ouvir, a dar valor à minha alma que respirava só por ti , só por ti. Esperei. Tremi, enquanto me entregava. E ia aguardando na certeza de que virias. Que me abraçarias e as coisas voltassem a ser.
Porque apesar de tudo a tua companhia sempre foi o suficiente.
Os telefonemas em silêncio, só para sentir que estavas lá.
Não vieste.
Todo este tempo sozinha. Abri o peito. Fiquei em carne viva , comigo e com a minhas mágoas. Exposta. Nua. No meio de estranhos. Esmagada por vozes alheias, que não conhecem, não sentem. Esta tristeza.
Quando a dor se tornou insuportável, olhei para trás, para ver o que te retinha. Mas deparei-me com o espaço vazio da tua presença.
Ausência.
Não estiveste lá nem por um segundo, em que me entregava. Em que sofria, mas sorria, porque TU estavas. Tinhas de estar.... Tinhas.
“Toma a minha essência e bebe-a se quiseres, é tua, sempre foi” Eu tão sozinha.
Em lágrimas, lágrimas, tão sozinha. Quero tapar os olhos, os ouvidos, não quero ver que não estás cá. NÃO QUERO VER. Quero pensar que ouves cada palavra, que seguras o amor que tenho por ti na tua alma, quero iludir-me que não o vais deixar partir.
Quero viver nesta ilusão, ter-te nos braços, rir contigo, fazer cocegas, aninhar-me na tua barriga, brincar com os teus caracóis, sentir carícias que nunca deste, carícias sentidas.
Agora. Vens dizer-me que enquanto não estiveste, pensavas em mim. Pensavas. Lá de longe.
Todas as horas que me ia despedaçando, veia por veia, para me conheceres melhor, se esfumaram. Ficou apenas o meu corpo espalhado neste blog, à espera de ser apanhado, reunido. Resta-me ir buscar a caixa da costura à cozinha, e, com uma linha e agulha cozer o que resta de mim.


A minha mãe diz que ando com umas olheiras de "fazer medo ao susto".

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2004

Fiquei ancorada no teu coração e não consigo respirar.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2004


“Vais ficar como nova” sorriso.
“Anda senta-te aqui, pousa a cabecinha“ festa no cabelo “já passou, agora vai correr tudo bem.”
“Não há marcas, vês? Podes voltar a ser quem eras, com os teus amigos, aqueles que gostam mais de ti.”
Bonito.
Mas as coisas não voltaram a ser como eram. Tudo falso. Eu triturada, cortada, aspirada.A sufocar em sangue e limpeza. Amarrada para não fugir com a dor. Á espera do próximo golpe. Cicatrizes mal fechadas. Eu, suja. Eu, humilhada.
Eu, estupida. Sem saber para onde me virar e em quem confiar. Estupida.
Gritei ajuda, com todas as forças, pedi. Mas ninguém veio. Eu pequenina, insignificante, com o peso do mundo no ventre, nas veias, com um sabor amargo nos lábios. Envergonhada por estar tão sózinha no meio de tanta gente.
Quis falar abertamente. Não percebi que todos podiam esquecer. Todos. Menos eu.
As feridas que não saram têm de ser amputadas para desaparecer. E a minha ficou presa cá dentro.
Mas as pessoas não querem ver podridão, sabem que ela lá está, mas preferem a leve consciência tranquila. É bom aliviar a dor de quem sofre, mas quando esta nos arrasta para baixo começamos a querer fechar os olhos. Um filme de terror é bom porque não dura uma vida inteira.

“Mulher corajosa, vá podes ir embora...vai lá à tua vidinha!” Pronta para outra.
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