segunda-feira, 31 de maio de 2004

Para sempre. Aqui estou. É uma tarde de Verão, está quente. Tarde de Agosto. Olho-a em volta, na sufocação do calor, na posse final do meu destino. E uma comoção abrupta – sê calmo. Na aprendizagem serena do silêncio.
Vergílio Ferreira

A todos os que se preocuparam com o meu “desaparecimento”. Obrigada.
Estes dias têm sido tão desnorteados, tão apressados.
Já nem me lembro da ultima vez que me sentei a respirar.
E que falta faz. Saborear cada sentimento.
Viver devagar, doce docemente.
Uma esplanada, um livro, um café.
O mar.

Tenho saudades.
Do cheirinho guloso dos protectores solares.
Da pele salgada. Das pestanas pesadas de água. Dos pés bem enterrados na areia.
Da praia, à tardinha, quando a massa de familias filhos netos chapéus lancheiras vai para casa jantar.

Aqui estou, de volta.
A peça estreou-se, teve em cena quatro dias. Fizemos uma pipa de massa e vai dar para uns quantos jantares com o grupo. Estou feliz.
Ando a ouvir The Smiths quase todos os dias.
Desculpem-me a ausência.
Talvez não para sempre.
Mas, aqui estou.

segunda-feira, 17 de maio de 2004

" O elevador sobe como um espirro. "

2 filmes e algo de algodão, Jacinto Lucas Pires

Adoro esta frase.

quarta-feira, 12 de maio de 2004

Durante uma conversa tive, pela primeira vez, conhecimento de fotografias da guerra Colonial em que militares jogavam à bola com a cabeça de um preto.
Quero dizer alguma coisa sobre isto que sinto e que tenho andado a sentir desde a respectiva conversa e não consigo.
Não sei o que dizer. Não sei o que sentir.

Tenho milhões de palavras estranguladas na garganta.

Quero fazer alguma coisa e não posso.
O que dizer. O que sentir.
O que sentir...?
Não entendo. Não entendo...
...porquê...?

Ontem adormeci-me em lágrimas.
Porque esta imagem não quer sair. Desde então vai repetindo-se exaustivamente.
E eu quero arranca-la a todo o custo. Quero afastar, fingir que não sei, fingir que este mundo é feito de inocência, de amor... mas não é.
Existe maldade. Existe maldade e eu ando cega. Meu Deus, não sei em que mundo vivo e eu que não acredito em Deus peço-lhe ajuda porque preciso tanto tanto. Esta imagem lambe-me perversamente as lágrimas, rouba-me tudo. Tira o chão, despe-me de equilíbrio.
Estou perdida, e dói. O horror apodera-se do corpo. Dói-me tudo, como se a cabeça não fosse dele. Mas minha. Às voltas, rodopiando, minha. Chutada, a minha cabeça, pontapeada por todos e a minha cabeça a dele, a minha a dele... não percebo, porquê?
Porquê...?!

terça-feira, 11 de maio de 2004



Logo hoje, neste dia de sol.
Será possivel? que me sinta assim tão menina gotinha de água.
Tão pequenina, microscópica... tão derramada, perdida.
Inundada.

Logo hoje...

sexta-feira, 7 de maio de 2004

O algo de algodão já tem fotolog que por acaso ali na coluna (do lado esquerdo) está fotoblog...
... é o hábito...
quando tiver paciência corrijo. :o)

Podem dar uma espreitadela! Quem tiver fotologs avise!

e.... acho que é só isto!
Abateu-se sobre mim uma espécie de apatia que não consigo explicar.
Aqui ao lado a minha irmã ouve ópera, pinta quadros.
O som espalha-se por toda a casa.
Pelos corredores, pelos quartos.
A minha mãe dorme.
Eu escrevo. Não o faço por necessidade. Faço-o porque nada mais tenho a fazer. Porque gosto de sentir o teclado na ponta dos dedos.
Janela aberta, carros, autocarros, alguém grita.
Um mundo inteiro lá fora. E eu aqui dentro.
O gosto de sangue na boca. Imensos livros para ler e um, em particular, assombra-me o espírito. Um livro cheio de aranhas, de larvas, baratas castanhas, assassinas.
Sangue na boca.
Tudo sem sentido.
O cérebro flutua em pântanos desconhecidos.
Eu não percebo nada.
Talvez não queira.
E a ópera.... pesa, destrói tudo o que encontra pelo caminho. Já me sinto fraca não quero suportar mais.
O corpo encolhe dorido, as costas corcundam-se e eu deixo cair a cabeça em qualquer sitio, esperando não recordar onde a deixei.

quarta-feira, 5 de maio de 2004

Inicialmente sentia-me apenas uma doninha fedorenta.
Não que cheirásse mal. Nada disso.
Mas há dias assim, errados.
Olhares cegos. Caras desfeitas. Sorrisos apagados.
Dias em que a nossa pele não parece bem nossa, por isso só apetece despi-la. Despi-la, para a realidade se tornar mais suportável. Mas claro, é impossivel.
A pele continua cravada no corpo e a realidade, cinzenta, como o tempo.
Hoje um homem no autocarro deitou para o chão uma lata de Nestea sem qualquer pudôr.
Hoje tive que carregar uma palete de leite sozinha, e pesou mais do que nos outros dias.
Uma mulher veio contra mim, não pediu desculpa.
Hoje vi um homem fazer chichi contra a casa velha que está em frente ao meu prédio.
Hoje não vi cães na rua.
Não tive aula de Biologia. Nem de Psicofisiologia.

Estou cansada.
Hoje no caminho para casa, li “Sou atreita a muitos e grandes desmoronamentos interiores que todos os dias combato como posso. Acordo derrotada e levo o dia inteiro a recompor-me.”

Hoje tenho saudades tuas e não posso estar contigo.

segunda-feira, 3 de maio de 2004



....
......
.........

é que em determinadas circunstâncias...
a questão é que a brincar a brincar...
nunca se sabe quando...
errr....
o problema da loucura animal...
assim tudo muito de repente...

enfim...

(sorriso amarelo)

sexta-feira, 30 de abril de 2004

Ontem conheci uma pessoa que já conhecia. Ou pelo menos pensava que sim. Mas afinal não.
Ontem é que a conheci a sério. Pelo menos mais um bocadinho, mais do que qualquer impressão falsa.
Já me tinha esquecido do que era uma conversa. Daquelas sobre a vida, sobre a morte, sobre objectivos ou falta deles. Sobre gostos, sobre raparigas, sobre rapazes, sobre comportamentos.
Esta pessoa mostrou-se diferente de todas as que conheci até hoje.
Não no sentido amoroso da coisa, porque nesse campo estou satisfeita, mas em termos filosóficos. Conheci alguém que se desinteressa completamente pela vida. Não por depressão, nem por insucesso escolar, social ou emocional (até porque é bem sucedido), mas por pura indiferença.
Tira boas notas, é verdade, conhece muitas muitas pessoas, também é verdade, tem mil e uma coisas para fazer, sim, uma familia que ama, amigos, amigas, namorada, prémios literários, viaja pelo mundo (este ano vai um mês para a Argentina)....
Mas não atribui importância a nenhuma destas coisas (palavras suas). Se amanhã morresse era-lhe completamente indiferente.
Pergunto eu, como é possivel?
Eu não sou assim. Não me imagino a viver assim.
No fundo, então, toda aquela vida de sucesso não significa nada.
Será que tanta auto-exigência resultou em apatia?
Parece-me que sim.
Será que impôs tanto tanto, que nem pensou se de facto aquilo era o que queria? Talvez.
Nunca exigi muito da minha pessoa, nunca esperei por grandes acontecimentos (comparando com a sociedade que rodeia, claro, porque para mim aquilo que sonho é gigantesco, chega e sobra na minha alma). Contento-me com pequenos pormenores, com grandes pormenores, não espero demais, não espero de menos. Espero apenas. Contento-me apenas.
Quero viver a minha vida em serenidade, uma grande caminhada.
Mas morrer já? Não....
Falta-me tanto....!
Milhões de livros para ler, filmes a ver, peças de teatro, cursos para tirar, viagens pelo mundo fora, filhos, muitos filhos, uma casa gigantesca cheia de janelas enormes, quem sabe um livro para escrever, muitos cães, muitas fotografias, muitos concertos, muitos sorrisos, muitos abraços, muitos beijinhos...
Já....? ainda não...
Morreria incompleta. Não quero morrer incompleta.
Quando for velhinha, com netos e bisnetos. Com os olhos a transbordar do tempo que vivi...
Aí sim a minha vida se completaria. É um sonho que gosto de imaginar.
Mas ao ouvir o contrário deste meu sonho. De alguém para quem nada disto é importante, para quem nem um segundo de felicidade existe... o meu peito aperta-se. Sufoco de impotência. De querer mostrar por estes olhos a beleza que encontro em cada sopro que enche o meu corpo.

terça-feira, 27 de abril de 2004

Fecha-me os olhos, por favor, não os deixes ver.
É duro de mais, é branco de mais.
Magoa.
Tudo tão claro.
A verdade é crua.
Dos meus olhos vai escorrendo a alma, pergunto até quando. Mas ela não responde, creio que é de mim que foge.
O corpo cansado, aos poucos, sufoca.
Arranca-me daqui, inventa uma história nova para a minha vida. Esta está tão gasta.
Cria uma morte sem sofrimento.
Tem piedade, não me deixes cair.
Já estou tão partida, não vês?

domingo, 25 de abril de 2004

Depois de um banho acabado de tomar,
esta sensação de verão.
Não vou secar o cabelo.
Assim molhado sabe-me bem.

As rosas vermelhas que o meu pai me deu,
apesar da água em que me apressei a pô-las, continuam cabisbaixas.
*Suspiro*

Hoje apetece-me ouvir algo antigo.
Que não ouça há muito tempo.
(Julia vai espreitar os CD’s)

Dave Matthews band ao vivo “listener supported”
Este serve o meu humor que nem uma luva.

Se puderem ouçam esta versão da musica “The Stone”, arrepia.
Pudesse definir doçura,
sussurrava esta canção a quem de facto a sentisse.

quarta-feira, 21 de abril de 2004

Se eu não me mexer.
Se ficar aqui, quietinha, refugiada numa palavra.
Se respirar devagarinho para que ninguém perceba. Ninguém descubra.
A minha lágrima.
Talvez assim...

Talvez assim a chuva não dê pela minha presença,
nem os cães da rua, nem as pedras da calçada.

Talvez assim...
...o meu coração não se parta.

domingo, 18 de abril de 2004

Tenho meio copo de água em cima da secretária.
Deve estar ali parado há três dias e ainda não arranjei paciência para o levar à cozinha.
Já está com bolhinhas e tudo!
Chega a ser irónico, já que devo ter feito o percurso quarto-cozinha umas 30 vezes (só no dia de hoje).

Isto conduz-me à questão filosófica, (Júlia pensa cuidadosamente)
será a preguiça que me move...?

Mas claro está, se dermos uma olhadela atenta ao resto da secretária a ironia deixa de fazer sentido, caos é sem duvida a palavra indicada.
Ora vejamos:
5 lenços ranhosos (está certo, contei-os) e respectivo pacote vazio
Uma disquete que o meu tio arranjou para a máquina digital (um piolhito da mustek que me segue para todo o lado).
Agenda telefónica da minha irmã (graça divina que a colocou aqui, só pode)
2 canecas com lapiseiras, canetas de feltro etc, que têm a bela particularidade de não escrever.
Uns collants (no coments)
Cadernos, um livro gigantesco de biologia (concepts & connections)
Fotografias (carlos portugal foto express, reportagem de fotografia e video digital a.p.s. sistema advance photo system index print tratamento de imagem digital, vieira de leiria marinha grande monte real leiria, se quiserem as moradas também estão ali)
Uma moeda de 5 cts
Isto tudo bem misturado, sem qualquer organização e....... Secretária da Júlia!

sou atingida pela verdade!
isto é mesmo de quem não tem mais nada que fazer


(to be continued........................................
...................................ou talvez não)
Ciclo Vincent Gallo no King!
De 15 a 21 de Abril às 18h

Dia 18
"Buffalo 66", de Vincent Gallo (deu a semana passada na TV, se nunca viram... VEJAM)

Dia 19
"Doc's Kingdom", de Robert Kramer

Dia 20
"Trouble Every day", de Claire Denis

Dia 21
"Buffalo 66", de Vincent Gallo

Não esquecer que saiu há pouco tempo para os cinemas "The Brown Bunny".
Mal cheguei a casa estatelei-me contra a secretária...

...amanhã tenho a perna toda negra...


... belo final de férias este...

quarta-feira, 14 de abril de 2004

Elvis Costello. Que posso eu dizer?
Adoro a voz, as melodias, as letras! São dele algumas das musicas que ainda têm a magia de me acalmar.
Concerto dia 8 de Maio em Lisboa às 21h30, no coliseu dos Recreios.
Vem apresentar o seu mais recente album "North", já ouvi e gostei.
Queria mesmo mesmo mesmo MESMO muito ir, mas bolas... entre 20 a 40 euros?!!?? tá tudo louco?!! Os preços andam a subir frenéticamente!
O concerto de Nick Cave por exemplo, 50 euros?!!?!?
*Suspiro*


(pa ti mor)
"...
Still
Lying in the shadows this new flame will cast
Upon everything we carry from the past
You were made of every love and each regret
Up until the day we met
There are no words that I'm afraid to hear
Unless they are Goodbye, my dear
Still
I was moving very fast
But in one place
Now you speak my name and set my pulse to race
Sometimes words may tumble out but can't eclipse
The feeling when you press your fingers to my lips
I want to kiss you in a rush
And whisper things to make you blush
And you say, Darling, hush
Hush
Still, still"

Para quem não conhece aqui vão algumas sugestões de musicas:
"My funny valentine"
"I want you"
"She"
"Pump it up"
"watching the detectives"
"My mood swings"
(.........)
são tantas, tantas...!! Espero que gostem!

segunda-feira, 12 de abril de 2004

Se pudesse viver para sempre escolhia aquele momento.
Tu a descascar laranjas.

a faca meio raquítica
“dá-te jeito essa faca?”
“muito mais do que as outras de serrilha”

eu encantada:
o teu sorriso doce,
os dedos compridos, as unhas roídas,
as mãos pingavam de sumo.
tu tão concentrado, tão minucioso,
como se daquela laranja dependesse o mundo

e uma ternura brutal, gigantesca, monstruosa
a explodir no meu peito, porque aquela laranja tinha um destino,
o meu.

domingo, 4 de abril de 2004

Mas quando as vozes se calam.
Quando fecho a porta e sozinha percorro o quarto...
Lá está o espelho... à espera.
Silencioso.
Envolto numa quietude perversa.
Consigo sentir. Consigo cheirar. A sua voz suja de maldade.
Sussurra ao ouvido tudo o que não quero ouvir. Tudo o que não sou. O que queria ser. Mais magra, esbelta, mais alta, esguia, elástica, perfeita... perfeita... não na minha perfeição. Na perfeição deles. Lá fora, no mundo.
Então, com um gesto violento fecho a porta do armário. Escondo-me nos cobertores e tapo os ouvidos.
Num leve murmúrio ainda ouço, baixinho. Palavras aparentemente dóceis, sopradas ao ouvido: “espreita, dá uma olhadela, vê a tua realidade”.
E eu fraca, sigo. Deitando migalhinhas de pão, para não me perder, esperando encontrar uma resposta certa.
Aproximo-me lentamente.
Dispo as roupas e nua olha para este corpo.
Um corpo que não é meu.
Não pode ser meu.
Não me vejo aqui, não me quero aqui.
Quero apagar. Arrancar o cabelo, rasgar a pele, cuspir a carne, esmagar os ossos.
Deitar fora a imagem que me reflecte. Queimar, cortar, despedaçar, não deixar um centímetro.
Guardar apenas a alma.

“O que é que estavas a fazer?”
“Estava a olhar para a embalagem do iogurte, é tudo tão simples, irónico. Também estou em pedaços.”
“Oh mor... eu colo-te”

sexta-feira, 2 de abril de 2004

Os dias passam a correr e eu nem dou por eles. É como se viajasse no ponteiro de um relógio tão gigantesco que as suas horas exactas fossem incapazes de determinar.
Mas quando este raro momento se dá, quando vejo os segundos, horas, dias que me abandonam, fico aqui pasmada a vê-los partir.
Observo-os indefesa, olho para trás, tropeço nos que surgem sem aviso, doidos por desaparecer novamente. Fogem depressa para não os conseguir alcançar.
Não os acompanho, desoriento-me, perco-me, tanto saltar para o ponteiro do velho relógio que gira, gira maquinalmente. Só que eu caio, perco o passo, desespero.
Gostava de os fazer parar por um bocadinho para respirar à vontade. Sem a pressão do dia seguinte, do movimento seguinte, da palavra seguinte.
Tudo por uns instantes.
O prazer de fazer o tempo.
A calma de um dia sem horas.

quarta-feira, 31 de março de 2004

Embora o esquecimento seja uma das coisas que mais odeio (e quando digo esquecimento não me refiro a coisas banais do dia a dia), consigo encontrar algo de belo neste poema.

O Esquecimento

no outro lado da noite
o amor é possível

--- leva-me ---

leva-me entre as doces substâncias
que morrem cada dia na tua memória

Alejandra Pizarnik

terça-feira, 30 de março de 2004

Tão bem que me sabem dias como este.
Chego a casa, enrolo o cabelo no elástico, ligo o computador enquanto visto o pijama.
A minha mãe esqueceu-se aqui dos óculos.
Espreguiço-me...
Um filme para adoçar o final do dia, “Alguém tem que ceder”. Uma comédia romântica com algo de lamechice à mistura mas, ao contrário do eu habitual, gostei. Fiquei mais cor de rosa e ser cor de rosa às vezes faz bem, nem que seja para sonhar um bocadinho.
Um jantar na Portugália. Uma conversa com Sr meu namorado, combinar coisas para o dia seguinte. Para o fim de semana seguinte.
“Não devo gostar de arroz de lampreia” mas ainda bem que compreendes.
Milhões de coisas para fazer, todas elas do meu agrado. Sinto-me tão grande, capaz de esticar os braços e abraçar o mundo.
Pessoas aparecem, pessoas telefonam, sorrisos, “até amanhã”, “até amanhã!”.
“Amo-te”, “Também te amo muito”
Os dias deviam ser assim. Tão suaves.
Adoro estes dias.

domingo, 28 de março de 2004


Eu existo, estou aqui...
Estou tão cansada, tão cheia de sono. Mais um fim de semana desperdiçado em que me senti ignorada a maior parte do tempo. Ás vezes pergunto-me para quê fazer companhia a pessoas que se estão nas tintas para os meus sentimentos, pensamentos, para os meus gostos. Quando o que realmente importa é a superficialidade de se estar a determinadas horas ao almoço, ao jantar, conversas que soam sempre ao mesmo. Ninguém ali se conhece.
A minha presença embora agradável é invisível a todos. Quase todos.
Pareço um objecto decorativo que às vezes dá um certo jeito ter por perto. Ando farta deste papel sujo.

quinta-feira, 25 de março de 2004

Enfim, normalmente....

quarta-feira, 24 de março de 2004

Hoje sou...
um copo de água

Completamente
transparente

...e acabei de comer cinco bolachas cuétara.

domingo, 21 de março de 2004

Embalada pelas ondas de um mar calmo deixo-me levar para universos distantes.
Tudo é água, tudo é paz, tudo é aconchego.

O meu corpo respira lentamente,
O meu corpo percorre, suave, o som do silêncio.

Na alma, por hoje, tudo é nada.

sábado, 20 de março de 2004

Ontem foi dia do pai.

..."I guess you'll always be a mystery to me
But you taught me how to value life
And what else do I need
I have a dad who watches over me" ...
Nos piores momentos e nas maiores alegrias, não há nada melhor do que poder confiar em ti. Adoro-te Pai.

Winter

Snow can wait
I forgot my mittens
Wipe my nose
Get my new boots on
I get a little warm in my heart
When I think of winter
I put my hand in my father’s glove
I run off
Where the drifts get deeper
Sleeping beauty trips me with a frown
I hear a voice
"Your must learn to stand up for yourself
Cause I can’t always be around"
He says
When you gonna make up your mind
When you gonna love you as much as I do
When you gonna make up your mind
Cause things are gonna change so fast
All the white horses are still in bed
I tell you that I’ll always want you near
You say that things change my dear


Boys get discovered as winter melts
Flowers competing for the sun
Years go by and I’m here still waiting Withering where some snowman was
Mirror mirror where’s the crystal palace
But I only can see the myself
Skating around the truth who I am
But I know dad the ice is getting thin

When you gonna make up your mind
When you gonna love you as much as I do
When you gonna make up your mind
Cause things are gonna change so fast
All the white horses are still in bed
I tell you that I’ll always want you near
You say that things change my dear

Hair is grey
And the fires are burning
So many dreams
On the shelf
You say I wanted you to be proud of me
I always wanted that myself

He says
When you gonna make up your mind
When you gonna love you as much as I do
When you gonna make up your mind
Cause things are gonna change so fast
All the white horses have gone ahead
I tell you that I’ll always want you near
You say that things change
My dear

Never change
All the white horses

Tori Amos

terça-feira, 16 de março de 2004

Desliguei e olhei para o chão. Depois para o telefone.
Comecei a chorar.
Levantei-me.
Descalcei as botas. Abri a caixinha onde guardo alguns segredos
Tirei o único pedaço da nossa fotografia rasgada que deixaste ficar para trás.
Metade da minha cara.

20,000 seconds since you've left and I'm still counting
And 20,000 reasons to get up, get something done
But I'm still waiting
Is someone kind enough to
Pick me up and give me food, assure me that the world is good
But you should be here, you should be here

How colors can change and even the texture of the rain
And what's that ugly little stain on the bathroom floor
I'd rather not deal with that right now
I'd rather be floating in space somewhere or
Worry about the ozone layer

And it's almost like a corny movie scene
But I'm out of frame and the lighting's bad
And the music has no theme
And we're all so strong when nothing's wrong
And the world is at our feet
But how small we are when our love is far away
And all you need is you

"20,000 Seconds" K's Choice

segunda-feira, 15 de março de 2004

Um dia chegaste com um grande sorriso aberto.
O teu sorriso imaculado de dentes brancos e lábios carnudos.
Belas promessas de bem estar, de ternura. Conforto.
Tudo aquilo que desejava, perfeito. Segui-te sem pensar, sem saber. Segui-te por te amar. Porque, sempre fui assim, tola, sedenta de amor, de um gesto. Por muito pequenino que fosse.
E tu, foste sugando lentamente a minha vida, e eu inocente, permitia. Porque eras tu.
Os meses passaram e o meu corpo usado deixou de ser suficiente. O silêncio ocupou os teus olhos, o desespero os meus.
Deixaste-me pôdre.
Não sei a magia que aplicaste, ou se fui eu que a apliquei.
Mas de alegre tornei-me obscura.
De infantil a velha.
Mirrada por fora.
Raspada por dentro.
Até não haver mais nada que sugar. Utilizar. O bom dissipou-se.
Sobrou a minha alma triste.
Odeio-te por não veres que estou a morrer, odeio-te por fechares os olhos ao meu corpo mutilado.
Estou desfeita.
É verdade, apodreci. Mas foi contigo.
Não foste tu que me apodreceste, foi a nossa relação que me esvaziou.
Não perguntes como. Porque se soubesse não derramava uma lágrima sequer.

domingo, 14 de março de 2004

Hoje sou um pequeno grão de areia.
Nada me amarra à terra porque a tenho presa no peito.

domingo, 7 de março de 2004


"I want to go out swinging
Swinging the blues tonight"

Um grande bem haja à Tv2 que ontem nos brindou com um documentário
da fabulosa, divina, espantosa Ella Fitzgerald.
Simplesmente delicioso.
There's a little bit of soul in Ella
There's a little bit of soul in me
There's a little bit of soul in Ella
There's a little bit of soul in me
(...)
Come on, let's stay happy
Come on, clap, let's stay happy
Let's sing the happy blues
No more sad dues

I am happy you are happy too
I am happy you are happy too
So let's go out with the blues that's swinging

Like Count Basie, swing on
Like Count Basie, swing on
Like Count Basie, swing on
Like Count Basie, swing on
Swing on, swing out tonight

Hey now
Hey now
Hey now
Right on now, with that soul

C'mon everybody
C'mon and say right on
I said right on
I said right on
Right on
Right on
Right on
Right on
Right on

Get with it, yeah
Get with it, yeah
Get with it, yeah
Get with it, yeah
Get with it
Get with it
Get with it, c'mon

Let's make you happy
Happy
I've sung these blues, and I'm through
Cause I don't know what I'm singing about
I don't know what I'm singing about
With this happy music
This happy music

So I'd better leave while I'm happy
And say good night to you
Goodnight
Goodnight
Goodnight
Goodnight
Goodnight

"Happy Blues"

sábado, 6 de março de 2004

Enquanto arrancava os olhos e cuspia o coração reparei nos meus dedos.
Parecem ramos de uma roseira. Finos. Tortos.
Inertes como um animal morto.
Vou arrancá-los também.

terça-feira, 2 de março de 2004

Tenho sono, tenho frio e tenho comichão na garganta.
Também tenho comichão no olho.
Estou meia ranhosa, a amandar pa constipada. Pode ser alergia, mas enfim, nunca se sabe.
Estou um bocadinho triste, mas é só um bocadinho.
Na cozinha repousa silenciosamente uma fatia de bolo de chocolate, é a ultima.
Invade-me o dilema... o dilema...! como, não como, como, não como? Apetece. Mas e se depois amanhã alguém (que não eu) se desilude com a presença de um prato vazio? Complicado. Também podia cortar metade da fatia, mas isso passaria de complicado a ridiculo. Muito ridiculo.
Tenho sono...
-E porque não vais dormir Júlia?
Pergunta pertinente.
Porque tenho medo.
Pois, medo. As noites ultimamente andam minadas de pesadelos. Quando menos se espera lá explode um no meu sono.
Ainda ontem, sonhei que tinha alguns fios de cabelo presos na mão. Por baixo da pele. E tinha de os puxar cá para fora, mas doía imenso. E lá fui puxando lentamente, dolorosamente, até saírem.
Nem quero pensar nisso :o(
Desde muito pequena que os pesadelos me acompanham. Os meus pais levavam-me para a casa de banho, comigo em pânico e ainda a dormir, para me tentarem acalmar. Chegou ao extremo de me recusar a dormir. Então o pai lá inventou a história do saco de plástico. Sentava-se ao meu lado com um saco "Vá, dorme descansada, quando o pesadelo aparecer por aí eu apanho-o e meto-o no saco" E eu dormia descansada. Até exigi que se pesasse o saco na balança. É claro que o saco aberto pesava menos que o saco fechado, era o pesadelo que lá estava dentro, hehe, por isso essa paranóia foi desaparecendo, tal como os pesadelos. Deixaram de ser tão frequentes.
Enfim... Estou a ficar mesmo com muito sono.
Se aparecer por aí um pesadelo corro-o daqui à estalada :o)
Boa noite. Caminha, edredão, almofadas... como vos quero.

segunda-feira, 1 de março de 2004

Quero agarrar a minha vida com força e dar-lhe uma nova forma. Uma nova cor.
Transformar-me.
Moldar a alma com plasticina, pintá-la a canetas de feltro.
Esquecer o cinzento destes dias.
Quero ser eu outra vez. Mesmo que isso implique afastar-me de ti.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2004

"Era como se o tempo, em algum momento, tivesse parado, o homem só queria que alguém viesse abrir uma janela."

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2004

este dia tem o contorno cru da desilusão. não faço nada bem feito.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2004

Mutts :o)
Bom, para começar há coisas que me chateiam:
sair da cama (sono),
fazer a cama (seca),
sair do duche (frio),
secar o cabelo (perda de tempo),
não saber o que vestir (confusão=armário),
ir para a rua quando está a chover (suspiro),
sei lá tanta, tanta coisinha chata.

Mas depois, claro, vêm as coisas que eu detesto e não são tão pequenas como isso. E quero abordar o que mais me tem irritado ultimamente. O cinismo e hipocrisia. Estas duas características de certas pessoas nunca me entraram na cabeça, porque para já não faz sentido uma pessoa não ter a frontalidade de dizer o que pensa e depois, escondê-lo de maneira maldosa (com boquinhas saloias e tentativas de desprezo), é o cumulo.
Ao longo da minha vida fui encontrando pessoas assim. Na escola, na faculdade, no autocarro, em todo o lado. Até entre supostos amigos, ou amigas.
É claro que há várias maneiras de dizer as coisas, quando não me sinto bem com alguém basta afastar-me dessa pessoa sem a ofender com um “és uma merda e não quero estar contigo” ou algo do género. Não deixo de lhe falar mas não sou simpática por favor. Se essa pessoa é próxima explico-lhe as minhas razões e assunto arrumado, se as coisas se resolverem ainda melhor. Agora, continuar a sorrir e tentar agir normalmente é que não. Poupem-me.
Sempre preferi explosões de raiva para mais tarde tudo ficar honestamente bem do que picadinhas nas costas de tanto mau carácter que anda para aí.
Não me considero uma pessoa superficial e se vejo alguma coisa que me desagrada digo. Não gosto de andar desesperadamente atrás de “gajos” porque é “giro” ter namorado, visto-me da maneira como me visto porque me faz sentir bem e não para impressionar o mundo mais arredores, não tenho muitos amigos e não finjo que os tenho, não odeio os homens porque “são todos iguais” até porque nem são, gosto de comer chocolate, batatas fritas e mcdonalds (ai... e comida chinesa.....nham), gosto de muitos tipos de musica e não tento gostar dos mais “cool” para as outras pessoas verem que eu também sou “cool” (seja isso o que for), EU SOU ASSIM. As outras pessoas têm todo o direito de não gostar porque há personalidades incompatíveis. Aceito críticas de bom grado porque todos devemos mudar para melhor. Agora, com maldade? Vai mas é vendê-la para outro lado!

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2004

Um desabafo já tão distante.

Dois anos da minha vida transformaram-se em dois dias. Dois dias em que arranquei o meu coração com toda a força. Coloquei-o numa bandeja fria para que todos o vissem e julgassem, para que todos provassem o sangue amargo que me percorre o corpo.
Mas a única justiça que me interessava era a tua.
Sem medos, sem rancores.
Dois dias.
Esperei que estivesses silenciosamente a ouvir, a dar valor à minha alma que respirava só por ti , só por ti. Esperei. Tremi, enquanto me entregava. E ia aguardando na certeza de que virias. Que me abraçarias e as coisas voltassem a ser.
Porque apesar de tudo a tua companhia sempre foi o suficiente.
Os telefonemas em silêncio, só para sentir que estavas lá.
Não vieste.
Todo este tempo sozinha. Abri o peito. Fiquei em carne viva , comigo e com a minhas mágoas. Exposta. Nua. No meio de estranhos. Esmagada por vozes alheias, que não conhecem, não sentem. Esta tristeza.
Quando a dor se tornou insuportável, olhei para trás, para ver o que te retinha. Mas deparei-me com o espaço vazio da tua presença.
Ausência.
Não estiveste lá nem por um segundo, em que me entregava. Em que sofria, mas sorria, porque TU estavas. Tinhas de estar.... Tinhas.
“Toma a minha essência e bebe-a se quiseres, é tua, sempre foi” Eu tão sozinha.
Em lágrimas, lágrimas, tão sozinha. Quero tapar os olhos, os ouvidos, não quero ver que não estás cá. NÃO QUERO VER. Quero pensar que ouves cada palavra, que seguras o amor que tenho por ti na tua alma, quero iludir-me que não o vais deixar partir.
Quero viver nesta ilusão, ter-te nos braços, rir contigo, fazer cocegas, aninhar-me na tua barriga, brincar com os teus caracóis, sentir carícias que nunca deste, carícias sentidas.
Agora. Vens dizer-me que enquanto não estiveste, pensavas em mim. Pensavas. Lá de longe.
Todas as horas que me ia despedaçando, veia por veia, para me conheceres melhor, se esfumaram. Ficou apenas o meu corpo espalhado neste blog, à espera de ser apanhado, reunido. Resta-me ir buscar a caixa da costura à cozinha, e, com uma linha e agulha cozer o que resta de mim.


A minha mãe diz que ando com umas olheiras de "fazer medo ao susto".

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2004

Fiquei ancorada no teu coração e não consigo respirar.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2004


“Vais ficar como nova” sorriso.
“Anda senta-te aqui, pousa a cabecinha“ festa no cabelo “já passou, agora vai correr tudo bem.”
“Não há marcas, vês? Podes voltar a ser quem eras, com os teus amigos, aqueles que gostam mais de ti.”
Bonito.
Mas as coisas não voltaram a ser como eram. Tudo falso. Eu triturada, cortada, aspirada.A sufocar em sangue e limpeza. Amarrada para não fugir com a dor. Á espera do próximo golpe. Cicatrizes mal fechadas. Eu, suja. Eu, humilhada.
Eu, estupida. Sem saber para onde me virar e em quem confiar. Estupida.
Gritei ajuda, com todas as forças, pedi. Mas ninguém veio. Eu pequenina, insignificante, com o peso do mundo no ventre, nas veias, com um sabor amargo nos lábios. Envergonhada por estar tão sózinha no meio de tanta gente.
Quis falar abertamente. Não percebi que todos podiam esquecer. Todos. Menos eu.
As feridas que não saram têm de ser amputadas para desaparecer. E a minha ficou presa cá dentro.
Mas as pessoas não querem ver podridão, sabem que ela lá está, mas preferem a leve consciência tranquila. É bom aliviar a dor de quem sofre, mas quando esta nos arrasta para baixo começamos a querer fechar os olhos. Um filme de terror é bom porque não dura uma vida inteira.

“Mulher corajosa, vá podes ir embora...vai lá à tua vidinha!” Pronta para outra.
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