"Errei a porta do sentimento,
Não houve vontade ou ocasião que eu não perdesse"
Álvaro de campos
nestes dias são as palavras dos outros que me fazem sentido, as minhas perderam-se algures
...em sitio nenhum.
mui de muito cor de coração dou de dourado pé de pétala vem do ventre algo de algodão
sábado, 3 de julho de 2004
terça-feira, 8 de junho de 2004
sexta-feira, 4 de junho de 2004
quarta-feira, 2 de junho de 2004
Há um papagaio chamado Neco no meu universo. Não, não é meu. E não, eu nunca poria o nome Neco a um animal de estimação. Mas existe. Quando vou a casa da minha avó Aurélia tenho o hábito de beber café ao almoço e jantar. Na pastelaria que frequento encontro sempre este pobre animal à beira da depressão (ou pelo menos isso aparenta).
Nada simpático e pouco social, pronto a arrancar os dedos a quem se dignar a uma aproximação (pequena que seja), lá está ele à espera, com um brilho de loucura nos olhos, ansioso pelo ataque.
É vê-lo de um lado para o outro, na sua gigantesca prisão.
De um lado, teca teca teca, para o outro teca teca teca, de um lado, teca teca teca, para o outro, teca teca teca, de um lado, teca teca teca, para o outro, teca teca teca, sempre no mesmo sitio, sem parar, e assim continua a tarde inteira, os dias inteiros, parece estar a dar em doidinho. Mas naaa, a mim aquele bicho não engana, ele está a planear uma fuga, só não sabe é como e fica ali naquela triste figura.
Às vezes também emite grunhidos imensamente altos (onde se distinguem alguns Olás meio rudimentares), lá vem a Dona São lançada “CALA-TE NECO!!” e dá com uma colher, porta.chaves (o que tiver à mão) nas grades da gaiola. A gaiola abana-se toda e o Neco instala-se no silêncio (com um grande susto imagino, que a Dona São é assustadora).
Será por isso que o Neco é traumatizado? Não sei.
Mas às vezes também o encontro completamente apático. Sem movimento. Olhando o horizonte (que não é muito, tendo em conta que o café fica em frente a uma estrada e do outro lado uma parede tapa a paisagem).
Mesmo que uma criança abane a gaiola e enfie por ela os dedos, nada.... Pergunto-me, serão momentos de lucidez em que ele se apercebe “Não vou a lado nenhum”.
Suspiro.
Pobre Neco.
Nada simpático e pouco social, pronto a arrancar os dedos a quem se dignar a uma aproximação (pequena que seja), lá está ele à espera, com um brilho de loucura nos olhos, ansioso pelo ataque.
É vê-lo de um lado para o outro, na sua gigantesca prisão.
De um lado, teca teca teca, para o outro teca teca teca, de um lado, teca teca teca, para o outro, teca teca teca, de um lado, teca teca teca, para o outro, teca teca teca, sempre no mesmo sitio, sem parar, e assim continua a tarde inteira, os dias inteiros, parece estar a dar em doidinho. Mas naaa, a mim aquele bicho não engana, ele está a planear uma fuga, só não sabe é como e fica ali naquela triste figura.
Às vezes também emite grunhidos imensamente altos (onde se distinguem alguns Olás meio rudimentares), lá vem a Dona São lançada “CALA-TE NECO!!” e dá com uma colher, porta.chaves (o que tiver à mão) nas grades da gaiola. A gaiola abana-se toda e o Neco instala-se no silêncio (com um grande susto imagino, que a Dona São é assustadora).
Será por isso que o Neco é traumatizado? Não sei.
Mas às vezes também o encontro completamente apático. Sem movimento. Olhando o horizonte (que não é muito, tendo em conta que o café fica em frente a uma estrada e do outro lado uma parede tapa a paisagem).
Mesmo que uma criança abane a gaiola e enfie por ela os dedos, nada.... Pergunto-me, serão momentos de lucidez em que ele se apercebe “Não vou a lado nenhum”.
Suspiro.
Pobre Neco.
segunda-feira, 31 de maio de 2004
Para sempre. Aqui estou. É uma tarde de Verão, está quente. Tarde de Agosto. Olho-a em volta, na sufocação do calor, na posse final do meu destino. E uma comoção abrupta – sê calmo. Na aprendizagem serena do silêncio.
Vergílio Ferreira
A todos os que se preocuparam com o meu “desaparecimento”. Obrigada.
Estes dias têm sido tão desnorteados, tão apressados.
Já nem me lembro da ultima vez que me sentei a respirar.
E que falta faz. Saborear cada sentimento.
Viver devagar, doce docemente.
Uma esplanada, um livro, um café.
O mar.
Tenho saudades.
Do cheirinho guloso dos protectores solares.
Da pele salgada. Das pestanas pesadas de água. Dos pés bem enterrados na areia.
Da praia, à tardinha, quando a massa de familias filhos netos chapéus lancheiras vai para casa jantar.
Aqui estou, de volta.
A peça estreou-se, teve em cena quatro dias. Fizemos uma pipa de massa e vai dar para uns quantos jantares com o grupo. Estou feliz.
Ando a ouvir The Smiths quase todos os dias.
Desculpem-me a ausência.
Talvez não para sempre.
Mas, aqui estou.
Vergílio Ferreira
A todos os que se preocuparam com o meu “desaparecimento”. Obrigada.
Estes dias têm sido tão desnorteados, tão apressados.
Já nem me lembro da ultima vez que me sentei a respirar.
E que falta faz. Saborear cada sentimento.
Viver devagar, doce docemente.
Uma esplanada, um livro, um café.
O mar.
Tenho saudades.
Do cheirinho guloso dos protectores solares.
Da pele salgada. Das pestanas pesadas de água. Dos pés bem enterrados na areia.
Da praia, à tardinha, quando a massa de familias filhos netos chapéus lancheiras vai para casa jantar.
Aqui estou, de volta.
A peça estreou-se, teve em cena quatro dias. Fizemos uma pipa de massa e vai dar para uns quantos jantares com o grupo. Estou feliz.
Ando a ouvir The Smiths quase todos os dias.
Desculpem-me a ausência.
Talvez não para sempre.
Mas, aqui estou.
segunda-feira, 17 de maio de 2004
quarta-feira, 12 de maio de 2004
Durante uma conversa tive, pela primeira vez, conhecimento de fotografias da guerra Colonial em que militares jogavam à bola com a cabeça de um preto.
Quero dizer alguma coisa sobre isto que sinto e que tenho andado a sentir desde a respectiva conversa e não consigo.
Não sei o que dizer. Não sei o que sentir.
Tenho milhões de palavras estranguladas na garganta.
Quero fazer alguma coisa e não posso.
O que dizer. O que sentir.
O que sentir...?
Não entendo. Não entendo...
...porquê...?
Ontem adormeci-me em lágrimas.
Porque esta imagem não quer sair. Desde então vai repetindo-se exaustivamente.
E eu quero arranca-la a todo o custo. Quero afastar, fingir que não sei, fingir que este mundo é feito de inocência, de amor... mas não é.
Existe maldade. Existe maldade e eu ando cega. Meu Deus, não sei em que mundo vivo e eu que não acredito em Deus peço-lhe ajuda porque preciso tanto tanto. Esta imagem lambe-me perversamente as lágrimas, rouba-me tudo. Tira o chão, despe-me de equilíbrio.
Estou perdida, e dói. O horror apodera-se do corpo. Dói-me tudo, como se a cabeça não fosse dele. Mas minha. Às voltas, rodopiando, minha. Chutada, a minha cabeça, pontapeada por todos e a minha cabeça a dele, a minha a dele... não percebo, porquê?
Porquê...?!
Quero dizer alguma coisa sobre isto que sinto e que tenho andado a sentir desde a respectiva conversa e não consigo.
Não sei o que dizer. Não sei o que sentir.
Tenho milhões de palavras estranguladas na garganta.
Quero fazer alguma coisa e não posso.
O que dizer. O que sentir.
O que sentir...?
Não entendo. Não entendo...
...porquê...?
Ontem adormeci-me em lágrimas.
Porque esta imagem não quer sair. Desde então vai repetindo-se exaustivamente.
E eu quero arranca-la a todo o custo. Quero afastar, fingir que não sei, fingir que este mundo é feito de inocência, de amor... mas não é.
Existe maldade. Existe maldade e eu ando cega. Meu Deus, não sei em que mundo vivo e eu que não acredito em Deus peço-lhe ajuda porque preciso tanto tanto. Esta imagem lambe-me perversamente as lágrimas, rouba-me tudo. Tira o chão, despe-me de equilíbrio.
Estou perdida, e dói. O horror apodera-se do corpo. Dói-me tudo, como se a cabeça não fosse dele. Mas minha. Às voltas, rodopiando, minha. Chutada, a minha cabeça, pontapeada por todos e a minha cabeça a dele, a minha a dele... não percebo, porquê?
Porquê...?!
terça-feira, 11 de maio de 2004
sexta-feira, 7 de maio de 2004
Abateu-se sobre mim uma espécie de apatia que não consigo explicar.
Aqui ao lado a minha irmã ouve ópera, pinta quadros.
O som espalha-se por toda a casa.
Pelos corredores, pelos quartos.
A minha mãe dorme.
Eu escrevo. Não o faço por necessidade. Faço-o porque nada mais tenho a fazer. Porque gosto de sentir o teclado na ponta dos dedos.
Janela aberta, carros, autocarros, alguém grita.
Um mundo inteiro lá fora. E eu aqui dentro.
O gosto de sangue na boca. Imensos livros para ler e um, em particular, assombra-me o espírito. Um livro cheio de aranhas, de larvas, baratas castanhas, assassinas.
Sangue na boca.
Tudo sem sentido.
O cérebro flutua em pântanos desconhecidos.
Eu não percebo nada.
Talvez não queira.
E a ópera.... pesa, destrói tudo o que encontra pelo caminho. Já me sinto fraca não quero suportar mais.
O corpo encolhe dorido, as costas corcundam-se e eu deixo cair a cabeça em qualquer sitio, esperando não recordar onde a deixei.
Aqui ao lado a minha irmã ouve ópera, pinta quadros.
O som espalha-se por toda a casa.
Pelos corredores, pelos quartos.
A minha mãe dorme.
Eu escrevo. Não o faço por necessidade. Faço-o porque nada mais tenho a fazer. Porque gosto de sentir o teclado na ponta dos dedos.
Janela aberta, carros, autocarros, alguém grita.
Um mundo inteiro lá fora. E eu aqui dentro.
O gosto de sangue na boca. Imensos livros para ler e um, em particular, assombra-me o espírito. Um livro cheio de aranhas, de larvas, baratas castanhas, assassinas.
Sangue na boca.
Tudo sem sentido.
O cérebro flutua em pântanos desconhecidos.
Eu não percebo nada.
Talvez não queira.
E a ópera.... pesa, destrói tudo o que encontra pelo caminho. Já me sinto fraca não quero suportar mais.
O corpo encolhe dorido, as costas corcundam-se e eu deixo cair a cabeça em qualquer sitio, esperando não recordar onde a deixei.
quarta-feira, 5 de maio de 2004
Inicialmente sentia-me apenas uma doninha fedorenta.
Não que cheirásse mal. Nada disso.
Mas há dias assim, errados.
Olhares cegos. Caras desfeitas. Sorrisos apagados.
Dias em que a nossa pele não parece bem nossa, por isso só apetece despi-la. Despi-la, para a realidade se tornar mais suportável. Mas claro, é impossivel.
A pele continua cravada no corpo e a realidade, cinzenta, como o tempo.
Hoje um homem no autocarro deitou para o chão uma lata de Nestea sem qualquer pudôr.
Hoje tive que carregar uma palete de leite sozinha, e pesou mais do que nos outros dias.
Uma mulher veio contra mim, não pediu desculpa.
Hoje vi um homem fazer chichi contra a casa velha que está em frente ao meu prédio.
Hoje não vi cães na rua.
Não tive aula de Biologia. Nem de Psicofisiologia.
Estou cansada.
Hoje no caminho para casa, li “Sou atreita a muitos e grandes desmoronamentos interiores que todos os dias combato como posso. Acordo derrotada e levo o dia inteiro a recompor-me.”
Hoje tenho saudades tuas e não posso estar contigo.
Não que cheirásse mal. Nada disso.
Mas há dias assim, errados.
Olhares cegos. Caras desfeitas. Sorrisos apagados.
Dias em que a nossa pele não parece bem nossa, por isso só apetece despi-la. Despi-la, para a realidade se tornar mais suportável. Mas claro, é impossivel.
A pele continua cravada no corpo e a realidade, cinzenta, como o tempo.
Hoje um homem no autocarro deitou para o chão uma lata de Nestea sem qualquer pudôr.
Hoje tive que carregar uma palete de leite sozinha, e pesou mais do que nos outros dias.
Uma mulher veio contra mim, não pediu desculpa.
Hoje vi um homem fazer chichi contra a casa velha que está em frente ao meu prédio.
Hoje não vi cães na rua.
Não tive aula de Biologia. Nem de Psicofisiologia.
Estou cansada.
Hoje no caminho para casa, li “Sou atreita a muitos e grandes desmoronamentos interiores que todos os dias combato como posso. Acordo derrotada e levo o dia inteiro a recompor-me.”
Hoje tenho saudades tuas e não posso estar contigo.
segunda-feira, 3 de maio de 2004
sexta-feira, 30 de abril de 2004
Ontem conheci uma pessoa que já conhecia. Ou pelo menos pensava que sim. Mas afinal não.
Ontem é que a conheci a sério. Pelo menos mais um bocadinho, mais do que qualquer impressão falsa.
Já me tinha esquecido do que era uma conversa. Daquelas sobre a vida, sobre a morte, sobre objectivos ou falta deles. Sobre gostos, sobre raparigas, sobre rapazes, sobre comportamentos.
Esta pessoa mostrou-se diferente de todas as que conheci até hoje.
Não no sentido amoroso da coisa, porque nesse campo estou satisfeita, mas em termos filosóficos. Conheci alguém que se desinteressa completamente pela vida. Não por depressão, nem por insucesso escolar, social ou emocional (até porque é bem sucedido), mas por pura indiferença.
Tira boas notas, é verdade, conhece muitas muitas pessoas, também é verdade, tem mil e uma coisas para fazer, sim, uma familia que ama, amigos, amigas, namorada, prémios literários, viaja pelo mundo (este ano vai um mês para a Argentina)....
Mas não atribui importância a nenhuma destas coisas (palavras suas). Se amanhã morresse era-lhe completamente indiferente.
Pergunto eu, como é possivel?
Eu não sou assim. Não me imagino a viver assim.
No fundo, então, toda aquela vida de sucesso não significa nada.
Será que tanta auto-exigência resultou em apatia?
Parece-me que sim.
Será que impôs tanto tanto, que nem pensou se de facto aquilo era o que queria? Talvez.
Nunca exigi muito da minha pessoa, nunca esperei por grandes acontecimentos (comparando com a sociedade que rodeia, claro, porque para mim aquilo que sonho é gigantesco, chega e sobra na minha alma). Contento-me com pequenos pormenores, com grandes pormenores, não espero demais, não espero de menos. Espero apenas. Contento-me apenas.
Quero viver a minha vida em serenidade, uma grande caminhada.
Mas morrer já? Não....
Falta-me tanto....!
Milhões de livros para ler, filmes a ver, peças de teatro, cursos para tirar, viagens pelo mundo fora, filhos, muitos filhos, uma casa gigantesca cheia de janelas enormes, quem sabe um livro para escrever, muitos cães, muitas fotografias, muitos concertos, muitos sorrisos, muitos abraços, muitos beijinhos...
Já....? ainda não...
Morreria incompleta. Não quero morrer incompleta.
Quando for velhinha, com netos e bisnetos. Com os olhos a transbordar do tempo que vivi...
Aí sim a minha vida se completaria. É um sonho que gosto de imaginar.
Mas ao ouvir o contrário deste meu sonho. De alguém para quem nada disto é importante, para quem nem um segundo de felicidade existe... o meu peito aperta-se. Sufoco de impotência. De querer mostrar por estes olhos a beleza que encontro em cada sopro que enche o meu corpo.
Ontem é que a conheci a sério. Pelo menos mais um bocadinho, mais do que qualquer impressão falsa.
Já me tinha esquecido do que era uma conversa. Daquelas sobre a vida, sobre a morte, sobre objectivos ou falta deles. Sobre gostos, sobre raparigas, sobre rapazes, sobre comportamentos.
Esta pessoa mostrou-se diferente de todas as que conheci até hoje.
Não no sentido amoroso da coisa, porque nesse campo estou satisfeita, mas em termos filosóficos. Conheci alguém que se desinteressa completamente pela vida. Não por depressão, nem por insucesso escolar, social ou emocional (até porque é bem sucedido), mas por pura indiferença.
Tira boas notas, é verdade, conhece muitas muitas pessoas, também é verdade, tem mil e uma coisas para fazer, sim, uma familia que ama, amigos, amigas, namorada, prémios literários, viaja pelo mundo (este ano vai um mês para a Argentina)....
Mas não atribui importância a nenhuma destas coisas (palavras suas). Se amanhã morresse era-lhe completamente indiferente.
Pergunto eu, como é possivel?
Eu não sou assim. Não me imagino a viver assim.
No fundo, então, toda aquela vida de sucesso não significa nada.
Será que tanta auto-exigência resultou em apatia?
Parece-me que sim.
Será que impôs tanto tanto, que nem pensou se de facto aquilo era o que queria? Talvez.
Nunca exigi muito da minha pessoa, nunca esperei por grandes acontecimentos (comparando com a sociedade que rodeia, claro, porque para mim aquilo que sonho é gigantesco, chega e sobra na minha alma). Contento-me com pequenos pormenores, com grandes pormenores, não espero demais, não espero de menos. Espero apenas. Contento-me apenas.
Quero viver a minha vida em serenidade, uma grande caminhada.
Mas morrer já? Não....
Falta-me tanto....!
Milhões de livros para ler, filmes a ver, peças de teatro, cursos para tirar, viagens pelo mundo fora, filhos, muitos filhos, uma casa gigantesca cheia de janelas enormes, quem sabe um livro para escrever, muitos cães, muitas fotografias, muitos concertos, muitos sorrisos, muitos abraços, muitos beijinhos...
Já....? ainda não...
Morreria incompleta. Não quero morrer incompleta.
Quando for velhinha, com netos e bisnetos. Com os olhos a transbordar do tempo que vivi...
Aí sim a minha vida se completaria. É um sonho que gosto de imaginar.
Mas ao ouvir o contrário deste meu sonho. De alguém para quem nada disto é importante, para quem nem um segundo de felicidade existe... o meu peito aperta-se. Sufoco de impotência. De querer mostrar por estes olhos a beleza que encontro em cada sopro que enche o meu corpo.
terça-feira, 27 de abril de 2004
Fecha-me os olhos, por favor, não os deixes ver.
É duro de mais, é branco de mais.
Magoa.
Tudo tão claro.
A verdade é crua.
Dos meus olhos vai escorrendo a alma, pergunto até quando. Mas ela não responde, creio que é de mim que foge.
O corpo cansado, aos poucos, sufoca.
Arranca-me daqui, inventa uma história nova para a minha vida. Esta está tão gasta.
Cria uma morte sem sofrimento.
Tem piedade, não me deixes cair.
Já estou tão partida, não vês?
É duro de mais, é branco de mais.
Magoa.
Tudo tão claro.
A verdade é crua.
Dos meus olhos vai escorrendo a alma, pergunto até quando. Mas ela não responde, creio que é de mim que foge.
O corpo cansado, aos poucos, sufoca.
Arranca-me daqui, inventa uma história nova para a minha vida. Esta está tão gasta.
Cria uma morte sem sofrimento.
Tem piedade, não me deixes cair.
Já estou tão partida, não vês?
domingo, 25 de abril de 2004
Depois de um banho acabado de tomar,
esta sensação de verão.
Não vou secar o cabelo.
Assim molhado sabe-me bem.
As rosas vermelhas que o meu pai me deu,
apesar da água em que me apressei a pô-las, continuam cabisbaixas.
*Suspiro*
Hoje apetece-me ouvir algo antigo.
Que não ouça há muito tempo.
(Julia vai espreitar os CD’s)
Dave Matthews band ao vivo “listener supported”
Este serve o meu humor que nem uma luva.
Se puderem ouçam esta versão da musica “The Stone”, arrepia.
Pudesse definir doçura,
sussurrava esta canção a quem de facto a sentisse.
esta sensação de verão.
Não vou secar o cabelo.
Assim molhado sabe-me bem.
As rosas vermelhas que o meu pai me deu,
apesar da água em que me apressei a pô-las, continuam cabisbaixas.
*Suspiro*
Hoje apetece-me ouvir algo antigo.
Que não ouça há muito tempo.
(Julia vai espreitar os CD’s)
Dave Matthews band ao vivo “listener supported”
Este serve o meu humor que nem uma luva.
Se puderem ouçam esta versão da musica “The Stone”, arrepia.
Pudesse definir doçura,
sussurrava esta canção a quem de facto a sentisse.
quarta-feira, 21 de abril de 2004
Se eu não me mexer.
Se ficar aqui, quietinha, refugiada numa palavra.
Se respirar devagarinho para que ninguém perceba. Ninguém descubra.
A minha lágrima.
Talvez assim...
Talvez assim a chuva não dê pela minha presença,
nem os cães da rua, nem as pedras da calçada.
Talvez assim...
...o meu coração não se parta.
Se ficar aqui, quietinha, refugiada numa palavra.
Se respirar devagarinho para que ninguém perceba. Ninguém descubra.
A minha lágrima.
Talvez assim...
Talvez assim a chuva não dê pela minha presença,
nem os cães da rua, nem as pedras da calçada.
Talvez assim...
...o meu coração não se parta.
domingo, 18 de abril de 2004
Tenho meio copo de água em cima da secretária.
Deve estar ali parado há três dias e ainda não arranjei paciência para o levar à cozinha.
Já está com bolhinhas e tudo!
Chega a ser irónico, já que devo ter feito o percurso quarto-cozinha umas 30 vezes (só no dia de hoje).
Isto conduz-me à questão filosófica, (Júlia pensa cuidadosamente)
será a preguiça que me move...?
Mas claro está, se dermos uma olhadela atenta ao resto da secretária a ironia deixa de fazer sentido, caos é sem duvida a palavra indicada.
Ora vejamos:
5 lenços ranhosos (está certo, contei-os) e respectivo pacote vazio
Uma disquete que o meu tio arranjou para a máquina digital (um piolhito da mustek que me segue para todo o lado).
Agenda telefónica da minha irmã (graça divina que a colocou aqui, só pode)
2 canecas com lapiseiras, canetas de feltro etc, que têm a bela particularidade de não escrever.
Uns collants (no coments)
Cadernos, um livro gigantesco de biologia (concepts & connections)
Fotografias (carlos portugal foto express, reportagem de fotografia e video digital a.p.s. sistema advance photo system index print tratamento de imagem digital, vieira de leiria marinha grande monte real leiria, se quiserem as moradas também estão ali)
Uma moeda de 5 cts
Isto tudo bem misturado, sem qualquer organização e....... Secretária da Júlia!
sou atingida pela verdade!
isto é mesmo de quem não tem mais nada que fazer
(to be continued........................................
...................................ou talvez não)
Deve estar ali parado há três dias e ainda não arranjei paciência para o levar à cozinha.
Já está com bolhinhas e tudo!
Chega a ser irónico, já que devo ter feito o percurso quarto-cozinha umas 30 vezes (só no dia de hoje).
Isto conduz-me à questão filosófica, (Júlia pensa cuidadosamente)
será a preguiça que me move...?
Mas claro está, se dermos uma olhadela atenta ao resto da secretária a ironia deixa de fazer sentido, caos é sem duvida a palavra indicada.
Ora vejamos:
5 lenços ranhosos (está certo, contei-os) e respectivo pacote vazio
Uma disquete que o meu tio arranjou para a máquina digital (um piolhito da mustek que me segue para todo o lado).
Agenda telefónica da minha irmã (graça divina que a colocou aqui, só pode)
2 canecas com lapiseiras, canetas de feltro etc, que têm a bela particularidade de não escrever.
Uns collants (no coments)
Cadernos, um livro gigantesco de biologia (concepts & connections)
Fotografias (carlos portugal foto express, reportagem de fotografia e video digital a.p.s. sistema advance photo system index print tratamento de imagem digital, vieira de leiria marinha grande monte real leiria, se quiserem as moradas também estão ali)
Uma moeda de 5 cts
Isto tudo bem misturado, sem qualquer organização e....... Secretária da Júlia!
sou atingida pela verdade!
isto é mesmo de quem não tem mais nada que fazer
(to be continued........................................
...................................ou talvez não)
Ciclo Vincent Gallo no King!
De 15 a 21 de Abril às 18h
Dia 18
"Buffalo 66", de Vincent Gallo (deu a semana passada na TV, se nunca viram... VEJAM)
Dia 19
"Doc's Kingdom", de Robert Kramer
Dia 20
"Trouble Every day", de Claire Denis
Dia 21
"Buffalo 66", de Vincent Gallo
Não esquecer que saiu há pouco tempo para os cinemas "The Brown Bunny".
De 15 a 21 de Abril às 18h
Dia 18
"Buffalo 66", de Vincent Gallo (deu a semana passada na TV, se nunca viram... VEJAM)
Dia 19
"Doc's Kingdom", de Robert Kramer
Dia 20
"Trouble Every day", de Claire Denis
Dia 21
"Buffalo 66", de Vincent Gallo
Não esquecer que saiu há pouco tempo para os cinemas "The Brown Bunny".
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