quarta-feira, 9 de fevereiro de 2005


www.explodingdog.com



bones sinking like stones

all that we fought for

homes, places we’ve grown

all of us are done for.

and we live in a beautiful world,

yeah we do yeah we do.

we live in a beautiful world.

bones sinking like stones

all that we fought for

homes, places we’ve grown

all of us are done for.

but we live in a beautiful world,

yeah we do yeah we do.

we live in a beautiful world.

oh all that I know,

there’s nothing here to run from

‘cos yeah, everybody here’s

got somebody to lean on

Dont Panic, Coldplay

domingo, 6 de fevereiro de 2005

hoje enterro o meu coração vivo

terça-feira, 1 de fevereiro de 2005

...as nossas fotografias ficaram paradas no tempo
ali. à espera que algo aconteça.
passo por elas envolvida em quotidiano e sei que me fixam.
finjo não reparar.
Espalho estrategicamente os olhos pelo quarto e não te vejo. não nos vejo.
mas estamos.
parados.
Desenterro os ossos do quintal e mastigo sem grande pressa. Deixo as fotografias mudas para que também elas me esqueçam. É tão mais fácil adiar...

..eu sei.
Mas está na altura de tomar decisões.

quinta-feira, 6 de janeiro de 2005

Sinto em mim a ânsia de devorar as palavras até à mais pequenina letra.
Engolir as frases.
Folhear avidamente, página atrás de página.
Deixar escapar todas as paragens de metro/autocarro que relembram a vida que ainda tenho por viver.
Assim leio Vergílio. Assim escorrego pelo prazer negligenciado nos últimos tempos.
Dualidade de ler o que me sabe bem: Este querer digerir duma só vez . Este querer saborear devagarinho.
Hoje percebi que faltavam três folhas apenas e esforcei-me para as fazer durar. Controlando a necessidade de mastigar tudo num segundo. Procurei pausar em cada ponto. Deixar as reflexões derreterem-se na boca. Sorver os pensamentos soltando-os logo de seguida, livres de percorrerem o meu imaginário.

Sento-me lado a lado de virgulas, exclamações, reticências e interrogações. Permito a invasão do meu corpo porque as palavras também sentem.

quarta-feira, 3 de novembro de 2004

Milhares milhares de palavras engasgadas atropeladas com raiva e ódio e horror rasgadas corroídas ferrugentas palavras estúpidas e más que não vejo em ti nem em mim
mas estão lá
gastas e porcas sujas
as palavras
sem sentido, desordenadas, desorientadas,
como abelhas loucas
como moscas e moscardos
como os pássaros desesperados
sozinhos
a morrerem contra o vidro de nossa casa

a tentar escapar,

como chávenas de café usadas
as palavras
como os autocarros e as pessoas dos autocarros
os encontrões do metro
as palavras
que me magoaram e me cuspiram e me sangraram

palavras que disseste.

sábado, 30 de outubro de 2004

...tenho as unhas roxas do frio e a minha mãe diz que pareço o capuchinho vermelho so que branco...

...certo...

quarta-feira, 13 de outubro de 2004

" As flores de ouro dos jardins modernos em geral são estéreis. As minhas são feitas de barro quebram-se como os pés dos antigos ídolos mas dão fruto. Não trocaria a minha vida imperfeita pela vida de ninguém. Eva acenou com a cabeça. Jacques tinha razão. Algum dia ela havia de passar a aceitar-se e ser feliz como era. "

Os Jardins de Eva, I.K. Centeno

sexta-feira, 8 de outubro de 2004

Numa folha branca a musica soava a eternidade, e ela sorriu.
Metáforas e adjectivos e verbos proposições e canções e palavras para aqui para ali.
Não interessa.
Sorriu. Como só a simplicidade pode sorrir. Nada mais do que a ternura de ser. Sincero. À distância de um telefonema a alma dele viajou ao som da guitarra, ao som das estrelas-do-mar e do sussurro das ondas, amores perdidos e turistas tostados em forma de lagostim.
Havia um pessegueiro na ilha.
Sabes-me a sal e sabes-me bem. Com as tuas sardas, o teu cabelo de caracóis, lábios de caramelo. A minha língua percorre gulosa a tua doçura, doce jeito de ser.
Tropeçamos de novo na areia e rimos, perdidos, no chão. Encontrados em braços e pernas, meus teus, não sei, não importa.


... obrigada pelo telefonema.

domingo, 26 de setembro de 2004

Sexta-feira fui jantar com pessoas da minha antiga turma e tive conhecimento do falecimento de um colega.
Estranho. O sentimento.
Estranha. A impotência.
O sorriso forçado, embaraçado.
Sorriso triste. O meu.
Não era suposto ser assim.
A amargura invade-me. As memórias voltam para assombrar.
Morte.
Ouço no noticiário: dezenas, centenas de pessoas. Distantes, desconhecidas.
E ele a dançar no meu pensamento.
Preso no momento. Improvisando.
A melhor improvisação de todas, pensei. Foi a dele.
E foi.
A morte assume a sua verdadeira forma. Implacável.
Recordo rostos desaparecidos que me diziam tanto. O sorriso do meu avô. A doçura.
A falta que me faz. A forma como me chamava “a maior” ou como dizia “dá-me um beijo minha cara de queijo”.
Pela primeira vez vejo o ridículo de quem banaliza a vida em atitudes mesquinhas
que não interessam a ninguém.
Sei que vou morrer. Um dia. Como ele. Como alguém. Mas até lá, respiro.
Respiro.

domingo, 12 de setembro de 2004

"Ou até em manobra de diversão como é o caso da vinda do barco holandês. Passa pela cabeça de alguém imaginar que alguma mulher, mais ou menos jovem, com mais ou menos dificuldades económicas, se dirige a um barco que é exibido de forma ostensiva e degradante nas televisões e lá entra para fazer um aborto em alto mar? Evidentemente que não. "

Aborto, Barcos e 'Agit-prop' Por ZITA SEABRA http://jornal.publico.pt/publico/2004/08/29/EspacoPublico/O03.html


Evidentemente que não...??
Muitas mulheres sujeitam-se a pior.


Mas pelos vistos mais vale imaginar que não.

sexta-feira, 10 de setembro de 2004

e depois fiquei ali

presa


no meu olhar desfocado.

terça-feira, 31 de agosto de 2004

Tentei deitar-me. Tentei dormir.
Tentei descansar e não consegui. São tantos os pensamentos, tantas as discussões, tantas as confusões que não consigo. Tudo me corrói..
Penso na bjork. E como gostava de ser alguém como a bjork.
Penso nele, no que ele me disse. E que não é verdade o que ele me disse.
Eu sei.
Mas doeu.
Penso que é estúpido dar tanta importância a pequenas coisas.
Penso no que tenho de estudar e na desilusão que não quero ser. Penso nos silêncios do meu pai e se ele deixou de acreditar que vou chegar a algum sitio.
Penso nos amigos que não tenho. Penso no ódio a espelhos.
Penso na R., no P. e no V. e em como gostava de ter mais contacto com eles.
Penso em capacitância e sorrio.
Penso que sou uma comodista e que ele tem razão quando me acusa disso.
Penso que sou derrotista. E que o bolo de chocolate será para mim algo sempre imperfeito. Penso na C. e envergonho-me por não ter sido honesta. Por não ter tido a coragem de dizer que estava magoada por ela não ter ido à peça. Não bem por não ter ido. Mas por dizer que iria e nunca lá ter posto os pés. Devia ter confrontado este tipo de atitude que nela é sempre uma constante.
Penso que sou fraca.
Penso no N. e irrita-me que não me tivesse mandado aquela mensagem. Irrita-me que me tivesse falado na exposição para depois se esquecer. Penso que simpatizei com ele e é raro simpatizar com alguém. Penso na conversa que tive contigo a semana passada em que as pessoas vivem pelo que lhes alimenta o ego na altura. Penso na R e nos problemas dela, penso que não os posso resolver por ela, penso que mesmo se pudesse não os resolveria da mesma maneira. Penso que não me devo afastar das pessoas. Penso que vou telefonar ao B., à S., à R., ao N.,ao A., à B., ao V. Tenho saudades do V.
Penso.
Penso no que não quero ser. Penso nas pessoas que mentem por sistema e penso que a minha família é muito imperfeita. Penso que a pensar morreu um burro e rio-me sozinha. Penso em tirar a carta. Penso que me devo definir e não redefinir. Penso na G. e penso que adoro a G. e sinto-me feliz por poder contar com ela. Penso em pilares.
Penso na Laica e no Nero. E penso no Nero quando era cachorrinho, na maneira como dormia de barriga para cima.
Penso que já pensei o suficiente por hoje e vou para a cama.

terça-feira, 17 de agosto de 2004

Vejo e revejo as palavras que cuspi.
Vejo e revejo as feridas que ele deixou.
Penso.
Penso na minha fragilidade espectante. Aguardando palavras quentes.
Estúpida Júlia que nunca aprendes.
Hoje.
A partir de hoje serei uma armadura.
Uma cobra. Um raio.
Acabou.

Hoje sou um ponto final.

terça-feira, 13 de julho de 2004

Pensamento do dia:

- porque é que os Elders andam aos pares? Porque não trios? Porque é que trazem sempre malinhas iguais? O que trarão eles nas malinhas? Porque é que têm um ar misterioso de quem está a esconder alguma coisa? Porque é que não há versão feminina tipo “Elderina”?

Estou curiosa.

sexta-feira, 9 de julho de 2004

Hoje sou uma musica dos REM, I'll take the rain.



"This is all I want, it's all I need.
This is all I am, it's everything.

This is all I want, it's all I need."
Beat a drum, REM

sábado, 3 de julho de 2004

"Errei a porta do sentimento,
Não houve vontade ou ocasião que eu não perdesse"
Álvaro de campos

nestes dias são as palavras dos outros que me fazem sentido, as minhas perderam-se algures



...em sitio nenhum.

terça-feira, 8 de junho de 2004



:o), beijinho muito especial para ti Pai.

sexta-feira, 4 de junho de 2004

hoje parti um copo no café.

estava a tentar tirar uma fotografia e...
não reparei que o meu cotovelo...

errr...

o olhar raivoso da empregada depois de...
eu...
eu.....

(Júlia sai a chorar)

quarta-feira, 2 de junho de 2004

Há um papagaio chamado Neco no meu universo. Não, não é meu. E não, eu nunca poria o nome Neco a um animal de estimação. Mas existe. Quando vou a casa da minha avó Aurélia tenho o hábito de beber café ao almoço e jantar. Na pastelaria que frequento encontro sempre este pobre animal à beira da depressão (ou pelo menos isso aparenta).
Nada simpático e pouco social, pronto a arrancar os dedos a quem se dignar a uma aproximação (pequena que seja), lá está ele à espera, com um brilho de loucura nos olhos, ansioso pelo ataque.
É vê-lo de um lado para o outro, na sua gigantesca prisão.
De um lado, teca teca teca, para o outro teca teca teca, de um lado, teca teca teca, para o outro, teca teca teca, de um lado, teca teca teca, para o outro, teca teca teca, sempre no mesmo sitio, sem parar, e assim continua a tarde inteira, os dias inteiros, parece estar a dar em doidinho. Mas naaa, a mim aquele bicho não engana, ele está a planear uma fuga, só não sabe é como e fica ali naquela triste figura.
Às vezes também emite grunhidos imensamente altos (onde se distinguem alguns Olás meio rudimentares), lá vem a Dona São lançada “CALA-TE NECO!!” e dá com uma colher, porta.chaves (o que tiver à mão) nas grades da gaiola. A gaiola abana-se toda e o Neco instala-se no silêncio (com um grande susto imagino, que a Dona São é assustadora).
Será por isso que o Neco é traumatizado? Não sei.
Mas às vezes também o encontro completamente apático. Sem movimento. Olhando o horizonte (que não é muito, tendo em conta que o café fica em frente a uma estrada e do outro lado uma parede tapa a paisagem).
Mesmo que uma criança abane a gaiola e enfie por ela os dedos, nada.... Pergunto-me, serão momentos de lucidez em que ele se apercebe “Não vou a lado nenhum”.
Suspiro.
Pobre Neco.

terça-feira, 1 de junho de 2004

Pela janela do meu quarto vejo um mundo a fazer sentido.
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