terça-feira, 10 de maio de 2005

Fiquei a pensar naquilo. De se receber migalhinhas e se ser feliz com a cegueira do amor. Não era minha a historia, mas vi-me ali. Humilhada e mendiga. E por muito que se pense na realidade em momentos de lucidez não se quer ouvir, nem um bocadinho. Porque a falta é tão grande e as migalhas alimentam tanto,
durante tanto tanto tempo.


Quero combater este sentimento e esta canção com todas as forças, mas não consigo. Sou frágil. As migalhas voltam intensas, saborosas, e não consigo reter as lágrimas que tenho amordaçadas. Não me agrada esta sensação de historia por terminar. Não me agradam as fotografias, e as gravações e o endereço que nunca consigo apagar. Não me agradam os pequenos “segredos” de que falava o contador de historias porque cheiram a intimidade, a momentos perdidos, beijos roubados,
rosas putrefactas de tão secas.
A caixa de sapatos continua a mais especial de todas, pelas memorias acumuladas, tão poeirentas. Cheguei tarde e a más horas a uma conclusão que me perfura o peito de tão pobre: não sofro por não sofreres, sofro por te alheares ao meu sofrimento. Por seres o único espectador de olhos voluntariamente fechados.

É isto.

Cannonball


Cannonball
Originally uploaded by julie on the moon.
Still a little bit of your taste in my mouth
Still a little bit of you laced with my doubt
Still a little hard to say whats going on

Still a little bit of your ghost your witness
Still a little BIT of your face I havent kissed
You step a little closer EACH DAY
Still I cant SAY whats going on

Stones taught me to fly
Love taught me to lie
Life taught me to die
So its not hard to fall
When you float like a cannonball

Still a little bit of your song in my ear
Still a little bit of your words I long to hear
You step a little closer TO ME
So close that I cant see whats going on

Stones taught me to fly
Love taught me to lie
Life taught me to die
So its not hard to fall
When you float like a cannon

Stones taught me to fly
Love taught me to cry
So come on courage!
Teach me to be shy
Cause its not hard to fall
And I dont WANNA scare her
Its not hard to fall
And I dont wanna lose
Its not hard to grow
When you know that you just dont know

Damien Rice
depois há os lenços extra-suaves e resistentes da Colhogar perfumados com mel...


(e o desenho de uma abelhinha)

terça-feira, 3 de maio de 2005

E de repente puxo-me para longe.
Para uma época de sol e pés descalços. Quero ver o Ti Manel pescar, e correr atrás dos cães vadios que o seguiam, sempre. Quero ver-me mais pequena. Menina “entretenga” de olhos grandes e voz desmedida, a do fato de banho às riscas no mealheiro pintado da arrecadação.
Há qualquer coisa de criança que não volta e me deixa o corpo triste. Um sussurro que de tão distante vai morrendo, como casas vazias e pétalas secas.
Como a vida.
...no entanto o cheiro do mar e as cócegas da espuma, o sabor do verão na toalha de praia. Uma vertigem de cemitérios índios, peixes aranha, cavalitas, pão quente com manteiga, castelos e túneis de areia, gaivotas, tantas gaivotas, praias desertas. Brincar às escondidas no meio de carros e estradas, tocar às campainhas, foge, foge... Quero ir chamar a Dora para vir brincar prá rua e sentir a liberdade.
Aquela liberdade.
Que nunca voltei a sentir.

segunda-feira, 25 de abril de 2005

okno


okno
Originally uploaded by julie on the moon.
vou sentir falta desta janela.
manhas frias, chas quentes e um livro que ficou por acabar.

quinta-feira, 21 de abril de 2005

hoje sou quatro minutos e uma cabeçada na mesa da biblioteca.

terça-feira, 12 de abril de 2005

Por baixo da pele o pensamento...

“vais ser o que és por dentro”

...e a história de uma aranha peluda que tropeçou, descalça, nas cordas de uma guitarra.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2005

On the floating, shipless oceans
I did all my best to smile

(a ouvir compulsivamente This Mortal Coil)

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2005

Dou por mim de olhos fechados num sorriso.
Encantada.
Abanando a cabeça os braços as ancas. A dançar tão e completamente sozinha. Deslumbro o ridículo dos meus movimentos e rasgo o peito em cores de prazer.
Estou feliz. Sinto, mesmo por segundos, a segurança do mundo. Não vou cair e mesmo que tropece volto a levantar-me. Sei que sim.
Quero respirar até à sufocação.
O corpo pequeno ondula, eleva-se, prepara-se para voar longe, para além das árvores, das folhas de Outono que há muito caíram. Voar para além das nuvens, e das estrelas, tornar-se infinito como o universo e deixar de ser meu.
Assim faz sentido.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2005


www.explodingdog.com



bones sinking like stones

all that we fought for

homes, places we’ve grown

all of us are done for.

and we live in a beautiful world,

yeah we do yeah we do.

we live in a beautiful world.

bones sinking like stones

all that we fought for

homes, places we’ve grown

all of us are done for.

but we live in a beautiful world,

yeah we do yeah we do.

we live in a beautiful world.

oh all that I know,

there’s nothing here to run from

‘cos yeah, everybody here’s

got somebody to lean on

Dont Panic, Coldplay

domingo, 6 de fevereiro de 2005

hoje enterro o meu coração vivo

terça-feira, 1 de fevereiro de 2005

...as nossas fotografias ficaram paradas no tempo
ali. à espera que algo aconteça.
passo por elas envolvida em quotidiano e sei que me fixam.
finjo não reparar.
Espalho estrategicamente os olhos pelo quarto e não te vejo. não nos vejo.
mas estamos.
parados.
Desenterro os ossos do quintal e mastigo sem grande pressa. Deixo as fotografias mudas para que também elas me esqueçam. É tão mais fácil adiar...

..eu sei.
Mas está na altura de tomar decisões.

quinta-feira, 6 de janeiro de 2005

Sinto em mim a ânsia de devorar as palavras até à mais pequenina letra.
Engolir as frases.
Folhear avidamente, página atrás de página.
Deixar escapar todas as paragens de metro/autocarro que relembram a vida que ainda tenho por viver.
Assim leio Vergílio. Assim escorrego pelo prazer negligenciado nos últimos tempos.
Dualidade de ler o que me sabe bem: Este querer digerir duma só vez . Este querer saborear devagarinho.
Hoje percebi que faltavam três folhas apenas e esforcei-me para as fazer durar. Controlando a necessidade de mastigar tudo num segundo. Procurei pausar em cada ponto. Deixar as reflexões derreterem-se na boca. Sorver os pensamentos soltando-os logo de seguida, livres de percorrerem o meu imaginário.

Sento-me lado a lado de virgulas, exclamações, reticências e interrogações. Permito a invasão do meu corpo porque as palavras também sentem.

quarta-feira, 3 de novembro de 2004

Milhares milhares de palavras engasgadas atropeladas com raiva e ódio e horror rasgadas corroídas ferrugentas palavras estúpidas e más que não vejo em ti nem em mim
mas estão lá
gastas e porcas sujas
as palavras
sem sentido, desordenadas, desorientadas,
como abelhas loucas
como moscas e moscardos
como os pássaros desesperados
sozinhos
a morrerem contra o vidro de nossa casa

a tentar escapar,

como chávenas de café usadas
as palavras
como os autocarros e as pessoas dos autocarros
os encontrões do metro
as palavras
que me magoaram e me cuspiram e me sangraram

palavras que disseste.

sábado, 30 de outubro de 2004

...tenho as unhas roxas do frio e a minha mãe diz que pareço o capuchinho vermelho so que branco...

...certo...

quarta-feira, 13 de outubro de 2004

" As flores de ouro dos jardins modernos em geral são estéreis. As minhas são feitas de barro quebram-se como os pés dos antigos ídolos mas dão fruto. Não trocaria a minha vida imperfeita pela vida de ninguém. Eva acenou com a cabeça. Jacques tinha razão. Algum dia ela havia de passar a aceitar-se e ser feliz como era. "

Os Jardins de Eva, I.K. Centeno

sexta-feira, 8 de outubro de 2004

Numa folha branca a musica soava a eternidade, e ela sorriu.
Metáforas e adjectivos e verbos proposições e canções e palavras para aqui para ali.
Não interessa.
Sorriu. Como só a simplicidade pode sorrir. Nada mais do que a ternura de ser. Sincero. À distância de um telefonema a alma dele viajou ao som da guitarra, ao som das estrelas-do-mar e do sussurro das ondas, amores perdidos e turistas tostados em forma de lagostim.
Havia um pessegueiro na ilha.
Sabes-me a sal e sabes-me bem. Com as tuas sardas, o teu cabelo de caracóis, lábios de caramelo. A minha língua percorre gulosa a tua doçura, doce jeito de ser.
Tropeçamos de novo na areia e rimos, perdidos, no chão. Encontrados em braços e pernas, meus teus, não sei, não importa.


... obrigada pelo telefonema.

domingo, 26 de setembro de 2004

Sexta-feira fui jantar com pessoas da minha antiga turma e tive conhecimento do falecimento de um colega.
Estranho. O sentimento.
Estranha. A impotência.
O sorriso forçado, embaraçado.
Sorriso triste. O meu.
Não era suposto ser assim.
A amargura invade-me. As memórias voltam para assombrar.
Morte.
Ouço no noticiário: dezenas, centenas de pessoas. Distantes, desconhecidas.
E ele a dançar no meu pensamento.
Preso no momento. Improvisando.
A melhor improvisação de todas, pensei. Foi a dele.
E foi.
A morte assume a sua verdadeira forma. Implacável.
Recordo rostos desaparecidos que me diziam tanto. O sorriso do meu avô. A doçura.
A falta que me faz. A forma como me chamava “a maior” ou como dizia “dá-me um beijo minha cara de queijo”.
Pela primeira vez vejo o ridículo de quem banaliza a vida em atitudes mesquinhas
que não interessam a ninguém.
Sei que vou morrer. Um dia. Como ele. Como alguém. Mas até lá, respiro.
Respiro.

domingo, 12 de setembro de 2004

"Ou até em manobra de diversão como é o caso da vinda do barco holandês. Passa pela cabeça de alguém imaginar que alguma mulher, mais ou menos jovem, com mais ou menos dificuldades económicas, se dirige a um barco que é exibido de forma ostensiva e degradante nas televisões e lá entra para fazer um aborto em alto mar? Evidentemente que não. "

Aborto, Barcos e 'Agit-prop' Por ZITA SEABRA http://jornal.publico.pt/publico/2004/08/29/EspacoPublico/O03.html


Evidentemente que não...??
Muitas mulheres sujeitam-se a pior.


Mas pelos vistos mais vale imaginar que não.

sexta-feira, 10 de setembro de 2004

e depois fiquei ali

presa


no meu olhar desfocado.
Web Pages referring to this page
Link to this page and get a link back!