mui de muito cor de coração dou de dourado pé de pétala vem do ventre algo de algodão
quinta-feira, 4 de maio de 2006
quarta-feira, 26 de abril de 2006
Soy mi cuerpo. Y mi cuerpo está triste y está cansado.
Me dispongo a dormir una semana, un mes; no me hablen.
Que cuando abra los ojos hayan crecido los niños y todas las cosas sonrían.
Quiero dejar de pisar con los pies desnudos el frío. Echenme encima todo lo que tenga calor, las sábanas, las mantas, algunos papeles y recuerdos, y cierren todas las puertas para que no se vaya mi soledad.
Quiero dormir un mes, un año, dormirme. Y si hablo dormido no me hagan caso, si digo algún nombre, si me quejo. Quiero que hagan de cuenta que estoy enterrado, y que ustedes no pueden hacer nada hasta el día de la
resurrección.
Ahora quiero dormir un año, nada más dormir.
Jaime Sabines
quarta-feira, 5 de abril de 2006
quinta-feira, 30 de março de 2006
terça-feira, 21 de março de 2006
sexta-feira, 17 de março de 2006
sexta-feira, 10 de março de 2006
Arrepender-me de todos os cortes de cabelo que “fiz” até hoje (mesmo que momentaneamente me agrade é tido seguro e sabido que mais tarde vou desejar nunca ter submetido o pobre cabelo à tesourada)
Colocar os dedos involuntariamente nas posições mais esquisitas e invulgares.
Pôr a mão na barriga quando bocejo, especialmente quando estou muito cansada (vá-se lá entender...)
Deixar tudo para a ultima (sejam as validades dos iogurtes, estudos para exames, malas para arrumar, vestir-me, sair de casa e por aí fora)
Encher as paredes com tudo o que é posters, fotografias, panos, postais, comics, frases, textos (...) e não deixar uma pontinha livre.
Este desafio irá para o Braga, Mel de Lama, Tvcallas, os dias das noites, e tu sabes bem...
*Salamanca primito, estou em Salamanca ;)
Embora Barcelona seja daquelas cidades que quero (MESMO MESMO MESMO) visitar
Obrigada pelo desafio :)
terça-feira, 7 de março de 2006

Mark Wiener: People always end up the way they started out. No one ever changes. They think they do but they don't. If you're the depressed type now that's the way you'll always be. If you're the mindless happy type now, that's the way you'll be when you grow up. You might lose some weight, your face may clear up, get a body tan, breast enlargement, a sex change, it makes no difference. Essentially, from in front, from behind. Whether you're 13 or 50, you will always be the same.
Aviva Victor: Are you the same?
Mark Wiener: Yeah.
Aviva Victor: Are you glad you're the same?
Mark Wiener: It doesn't matter if I'm glad. There's no freewill. I mean, I have no choice but to chose what I choose, to do as I do, to live as I live. Ultimately, we're all just robots programmed abritrarily by nature's genetic code
terça-feira, 31 de janeiro de 2006
segunda-feira, 30 de janeiro de 2006
quarta-feira, 2 de novembro de 2005
que sinto como minhas.
depois de dois meses, o coração é-me percorrido por calles de nomes peculiares.
como silencio, ou espejo.
os grupos imensos de excursões começam a atrapalhar-me o dia a dia e um estranho sentimento de posse, de ciúme subtil espreita pelo ombro.
imagino cá por dentro em quantas fotos estarei, passeando distraída na minha vida, como recuerdo turístico de uma pequena viagem a Salamanca.
segunda-feira, 24 de outubro de 2005
Iamos jantar ao Saraiva.
Fui a casa da Vera pedir uma cassete de video para gravar o ultimo episódio da novela. Do nome da telenovela já não recordo mas, quando voltei a casa (mais a dita cassete) o “Não mexas nessa cadela que tem imensas pulgas”, ficou gravado na mente.
É claro que o hábito de dar festas a qualquer cão de rua já estava à flor da pele na júlia de 10 anos, por isso tomei a liberdade de me apaixonar um bocadinho pela cadela e pelas suas pulgas.
Os dias passaram e começou a rondar a casa, eu de um lado e a minha irmã do outro procuravamos revirar os “Não quero cães cá em casa” da minha mãe e os tempos começavam a mudar enquanto o meu pai entre sorrisos dizia “Tem mesmo cara de Laica”.
Acabou por ficar.
Laica.
No inicio tinha medo de vassouras. Da voz grave do meu pai.
Vinha com marcas de arame farpado na barriga e aproximava-se das pessoas com muito medo. Era total e completamente carente de meiguice. Roçava-se toda lampeira nas nossas pernas como se fosse um gato e em horas calmas encostava carinhosamente o focinho com os olhos fechados.
Suspeitámos que tivesse sido abandonada por caçadores por fugir aterrorizada de todo o barulho que se assemelhasse a tiros e tentava apanhar gatos, pássaros, lagartos, galinhas (e por aí fora). Na verdade, o meu pai dexou de poder ter descanço já que a “rebelde” descobria, ao longo do tempo, novas formas de entrar no galinheiro. Encontrar a Senhora Laica roendo vedações e escavando túneis passou a ser o “pão nosso de cada dia”.
A primeira vez que saímos de casa enfiou-se no porta bagagens com medo de a deixarmos para trás. Foi uma carga de trabalhos para a tirar, já que uma vez que conseguíamos voltava a saltar lá para dentro.
Passou desde esse momento a ladrar aflitivamente quando saíamos de casa no carro.
Desenvolveu uma série de hábitos esquisitos, como uma estranha fixação por lenços ranhosos. Uma pessoa NÃO PODIA, assoar-se a frente da laica. Ela pura e simplesmente amandava-se ao lenço e comia-o. O mesmo acontecia com gelados (o que pensando bem nunca foi muito esquisito).
Tinha um medo terrivel da água e dar-lhe banho no inicio era deveras complicado, já que se recusava a “acompanhar-nos” até à mangueira. Do momento que saímos pela porta pressentia o duche iminente e lá andávamos nós pelo quintal a correr atrás da senhora arraçada a galgo (dá para imaginar o que corria).
Desde o inicio as regras estabelecidas pelo meu pai eram simples: cães fora de casa.
Isso claro não impedia a Laica de se enfiar pelas pernas de quem entrava em casa e desaparecer algures pela cama dos meus pais. Ao longo do tempo, cada vez que “forçava entrada”, escondia-se para não a encontrarmos. É claro que tanto o meu coração como o da minha irmã não aguentaram tais demonstrações de carinho e enfiávamo-la nas frias noites de Inverno em casa, bem juntinho a lareira que era onde dormíamos quando estava mais frio. Isto claro, sem o conhecimento dos pais...
Laica. Tanto por contar.
O amor por ovos crus, o comer uvas da árvore, o aninhar-se nos sofás, os cachorrinhos lindos, lindos que teve, a dificuldade em se sentar após a laqueação, as fugidelas pelo portão, a teimosia, a rebeldia...
Continuou durante anos a ladrar aflitivamente cada vez que saíamos no carro.
Parou de o fazer quando ficou doente.
Passou a ter grande dificuldade em andar. Tropeçava nas próprias patas e por vezes não continha a urina. No veterinário a amargura de não a poder salvar.
Quis ficar com ela até ao fim, em que lhe deram a injecção.
Chorei mais que a alma.
Chorei as brincadeiras, e os carinhos, as lambidelas, a inocência dos seus olhos, chorei a raiva, a tristeza, e mais que tudo. Chorei a saudade.
Soará eternamente na minha cabeça o eco surdo do focinho caído na mesa de observação. Os olhos abertos
inexpressivos.
a voz da veterinária
“já está”.

sábado, 8 de outubro de 2005
quinta-feira, 25 de agosto de 2005
preciso de lucidez e os pensamentos escapam numa velocidade impossivel.
assim não quero, o repentino não enche medidas
“Instant soup doesn't really grab me
Today I need something more sub-sub-sub-substantial”.
quero agarrar as ideias com força. uma a uma. em cada mão
sujar os dedos com frases decompostas
analiza-las nos mais diversos sentidos
perceber o que significam, onde me conduzem, que consequências impõem. encarar de frente. com toda a calma que isso exige.
fazer um scrabble infinito e construir puzzles monstruosos de posições e afirmações
pesar obsessivamente todas as letrinhas
apertar-lhes os gasganetes e sufoca-las até à exaustão se for preciso.
chega de vertigens
de carroceis que andam à roda, à roda, à roda
...acabam por nunca parar no mesmo sitio.
pela primeira vez na vida quero fazer experiências necessárias.
não errar.
entrar num laboratório e esmigalhar o meu corpo num tubo de ensaio
ver à lupa. ao microscópio.
vestir luvas de borracha e ter o prazer mórbido de me desmembrar
ser nua.
no triste sentido da palavra (da minha palavra)
descoberta, desfeita, despedaçada
hoje talvez seja uma pinça
ou um bisturi
talvez seja.






















