quarta-feira, 10 de maio de 2006

Gotinhas de palavras que derramas como água.

Longe vejo-me nascer da terra.

Dedos ásperos, sorriso cego, lábios gretados.

Murcha de solidão.

Seca e estalada por dentro. Há milhões de anos que o corpo deixou de ser.

De quando em vez materializa em poeira, dando sinais de existência. Medo de ser visto, diz quem o conheceu. Sobrevive em desespero. Feito de saudade.

Ouvi dizer que o coração definhou.

O ventre entregou-se ao solo num enterro secreto. Consta que tinha vontade própria e espera por absolvição. Algures. Por entre dunas de remorso.

Mergulho no deserto e aí espero que me alimentes.

Deslizas em doçura cristalina. Espio-te pelo canto da alma. Plena de curiosidade. Com uma urgência estúpida de compreensão.

Entristecem-me os olhos dentro do que nos separa.

O que resta de pele desfaz-se em pedaços.

Quero lutar, mas não posso.

sábado, 6 de maio de 2006

Pérolas Erasmus

Puxar o autoclismo e ficar com ele na mão.

quinta-feira, 4 de maio de 2006


La vie rêvée des anges
















quarta-feira, 26 de abril de 2006

Soy mi cuerpo. Y mi cuerpo está triste y está cansado.
Me dispongo a dormir una semana, un mes; no me hablen.

Que cuando abra los ojos hayan crecido los niños y todas las cosas sonrían.

Quiero dejar de pisar con los pies desnudos el frío. Echenme encima todo lo que tenga calor, las sábanas, las mantas, algunos papeles y recuerdos, y cierren todas las puertas para que no se vaya mi soledad.

Quiero dormir un mes, un año, dormirme. Y si hablo dormido no me hagan caso, si digo algún nombre, si me quejo. Quiero que hagan de cuenta que estoy enterrado, y que ustedes no pueden hacer nada hasta el día de la
resurrección.

Ahora quiero dormir un año, nada más dormir.

Jaime Sabines

 

quarta-feira, 5 de abril de 2006












At night I think of my piano in its ocean grave, and sometimes of myself floating above it. Down there everything is so still and silent that it lulls me to sleep.
It is a weird lullaby and so it is;
it is mine.


quinta-feira, 30 de março de 2006

as vezes esqueço-me de mim

terça-feira, 21 de março de 2006

o ridiculo...

cortei-me num pacote de bolachas

sexta-feira, 17 de março de 2006

Maggie: What happened?
Seth: Free will.

sexta-feira, 10 de março de 2006

Respondendo ao desafio («Cada bloguista participante tem de enunciar cinco manias suas, hábitos muito pessoais que os diferenciem do comum dos mortais. E além de dar ao público conhecimento dessas particularidades, tem de escolher cinco outros bloguistas para entrarem, igualmente, no jogo, não se esquecendo de deixar nos respectivos blogues aviso do "recrutamento". Ademais, cada participante deve reproduzir este "regulamento" no seu blogue.») do desatento* Sr Nils e temendo que estas manias não cheguem a diferenciar-me do comum dos mortais, tenho a mania de:

Arrepender-me de todos os cortes de cabelo que “fiz” até hoje (mesmo que momentaneamente me agrade é tido seguro e sabido que mais tarde vou desejar nunca ter submetido o pobre cabelo à tesourada)

Colocar os dedos involuntariamente nas posições mais esquisitas e invulgares.

Pôr a mão na barriga quando bocejo, especialmente quando estou muito cansada (vá-se lá entender...)

Deixar tudo para a ultima (sejam as validades dos iogurtes, estudos para exames, malas para arrumar, vestir-me, sair de casa e por aí fora)

Encher as paredes com tudo o que é posters, fotografias, panos, postais, comics, frases, textos (...) e não deixar uma pontinha livre.

Este desafio irá para o Braga, Mel de Lama, Tvcallas, os dias das noites, e tu sabes bem...

*Salamanca primito, estou em Salamanca ;)
Embora Barcelona seja daquelas cidades que quero (MESMO MESMO MESMO) visitar
Obrigada pelo desafio :)
Escavo-me numa obsessão urgente.
De tentar amputar a pouca humanidade que resta,
de aspirar a vida que insistia

insistia respirar-me o ventre.

Danço estúpida de raiva, prazer e desprezo por não entender o que falta
quando no fundo

no fundo

...não falta mesmo nada.


terça-feira, 7 de março de 2006


Mark Wiener: People always end up the way they started out. No one ever changes. They think they do but they don't. If you're the depressed type now that's the way you'll always be. If you're the mindless happy type now, that's the way you'll be when you grow up. You might lose some weight, your face may clear up, get a body tan, breast enlargement, a sex change, it makes no difference. Essentially, from in front, from behind. Whether you're 13 or 50, you will always be the same.

Aviva Victor: Are you the same?

Mark Wiener: Yeah.

Aviva Victor: Are you glad you're the same?

Mark Wiener: It doesn't matter if I'm glad. There's no freewill. I mean, I have no choice but to chose what I choose, to do as I do, to live as I live. Ultimately, we're all just robots programmed abritrarily by nature's genetic code

terça-feira, 31 de janeiro de 2006

agora que a neve derreteu um bocadinho as desgraçadas das árvores parecem ter caspa

segunda-feira, 30 de janeiro de 2006

note to self

não comprar o café mais barato do supermercado só porque é mesmo o mais barato...


(que ganas de fregar la lengua con jabón)


quarta-feira, 2 de novembro de 2005

da janela do meu quarto vejo turistas em sorrisos melosos para as suas maquinas digitais, fazem-se acompanhar por monumentos, igrejas, jardins, ruas
que sinto como minhas.
depois de dois meses, o coração é-me percorrido por calles de nomes peculiares.
como silencio, ou espejo.
os grupos imensos de excursões começam a atrapalhar-me o dia a dia e um estranho sentimento de posse, de ciúme subtil espreita pelo ombro.

imagino cá por dentro em quantas fotos estarei, passeando distraída na minha vida, como recuerdo turístico de uma pequena viagem a Salamanca.

segunda-feira, 24 de outubro de 2005

Lembro-me da primeira vez que vi a Laica.
Iamos jantar ao Saraiva.
Fui a casa da Vera pedir uma cassete de video para gravar o ultimo episódio da novela. Do nome da telenovela já não recordo mas, quando voltei a casa (mais a dita cassete) o “Não mexas nessa cadela que tem imensas pulgas”, ficou gravado na mente.
É claro que o hábito de dar festas a qualquer cão de rua já estava à flor da pele na júlia de 10 anos, por isso tomei a liberdade de me apaixonar um bocadinho pela cadela e pelas suas pulgas.
Os dias passaram e começou a rondar a casa, eu de um lado e a minha irmã do outro procuravamos revirar os “Não quero cães cá em casa” da minha mãe e os tempos começavam a mudar enquanto o meu pai entre sorrisos dizia “Tem mesmo cara de Laica”.

Acabou por ficar.

Laica.
No inicio tinha medo de vassouras. Da voz grave do meu pai.
Vinha com marcas de arame farpado na barriga e aproximava-se das pessoas com muito medo. Era total e completamente carente de meiguice. Roçava-se toda lampeira nas nossas pernas como se fosse um gato e em horas calmas encostava carinhosamente o focinho com os olhos fechados.
Suspeitámos que tivesse sido abandonada por caçadores por fugir aterrorizada de todo o barulho que se assemelhasse a tiros e tentava apanhar gatos, pássaros, lagartos, galinhas (e por aí fora). Na verdade, o meu pai dexou de poder ter descanço já que a “rebelde” descobria, ao longo do tempo, novas formas de entrar no galinheiro. Encontrar a Senhora Laica roendo vedações e escavando túneis passou a ser o “pão nosso de cada dia”.

A primeira vez que saímos de casa enfiou-se no porta bagagens com medo de a deixarmos para trás. Foi uma carga de trabalhos para a tirar, já que uma vez que conseguíamos voltava a saltar lá para dentro.
Passou desde esse momento a ladrar aflitivamente quando saíamos de casa no carro.

Desenvolveu uma série de hábitos esquisitos, como uma estranha fixação por lenços ranhosos. Uma pessoa NÃO PODIA, assoar-se a frente da laica. Ela pura e simplesmente amandava-se ao lenço e comia-o. O mesmo acontecia com gelados (o que pensando bem nunca foi muito esquisito).

Tinha um medo terrivel da água e dar-lhe banho no inicio era deveras complicado, já que se recusava a “acompanhar-nos” até à mangueira. Do momento que saímos pela porta pressentia o duche iminente e lá andávamos nós pelo quintal a correr atrás da senhora arraçada a galgo (dá para imaginar o que corria).

Desde o inicio as regras estabelecidas pelo meu pai eram simples: cães fora de casa.
Isso claro não impedia a Laica de se enfiar pelas pernas de quem entrava em casa e desaparecer algures pela cama dos meus pais. Ao longo do tempo, cada vez que “forçava entrada”, escondia-se para não a encontrarmos. É claro que tanto o meu coração como o da minha irmã não aguentaram tais demonstrações de carinho e enfiávamo-la nas frias noites de Inverno em casa, bem juntinho a lareira que era onde dormíamos quando estava mais frio. Isto claro, sem o conhecimento dos pais...

Laica. Tanto por contar.
O amor por ovos crus, o comer uvas da árvore, o aninhar-se nos sofás, os cachorrinhos lindos, lindos que teve, a dificuldade em se sentar após a laqueação, as fugidelas pelo portão, a teimosia, a rebeldia...
Continuou durante anos a ladrar aflitivamente cada vez que saíamos no carro.
Parou de o fazer quando ficou doente.
Passou a ter grande dificuldade em andar. Tropeçava nas próprias patas e por vezes não continha a urina. No veterinário a amargura de não a poder salvar.

Quis ficar com ela até ao fim, em que lhe deram a injecção.
Chorei mais que a alma.
Chorei as brincadeiras, e os carinhos, as lambidelas, a inocência dos seus olhos, chorei a raiva, a tristeza, e mais que tudo. Chorei a saudade.
Soará eternamente na minha cabeça o eco surdo do focinho caído na mesa de observação. Os olhos abertos
inexpressivos.

a voz da veterinária
“já está”.


sábado, 8 de outubro de 2005

aqui os pardais não têm tanto medo das pessoas...

... e eu, despistada, dou comigo a pensar em espanhol.

quinta-feira, 25 de agosto de 2005

Revelação (quase*) maravilha :
vou estudar para salamanca durante o próximo ano!


* familia, namorado, amigos, cão, filmes não dobrados.......
fica tudo cá.
chegou o momento de parar.
preciso de lucidez e os pensamentos escapam numa velocidade impossivel.
assim não quero, o repentino não enche medidas
“Instant soup doesn't really grab me
Today I need something more sub-sub-sub-substantial”.
quero agarrar as ideias com força. uma a uma. em cada mão
sujar os dedos com frases decompostas
analiza-las nos mais diversos sentidos
perceber o que significam, onde me conduzem, que consequências impõem. encarar de frente. com toda a calma que isso exige.
fazer um scrabble infinito e construir puzzles monstruosos de posições e afirmações
pesar obsessivamente todas as letrinhas
apertar-lhes os gasganetes e sufoca-las até à exaustão se for preciso.

chega de vertigens
de carroceis que andam à roda, à roda, à roda

...acabam por nunca parar no mesmo sitio.

pela primeira vez na vida quero fazer experiências necessárias.
não errar.
entrar num laboratório e esmigalhar o meu corpo num tubo de ensaio
ver à lupa. ao microscópio.
vestir luvas de borracha e ter o prazer mórbido de me desmembrar
ser nua.
no triste sentido da palavra (da minha palavra)
descoberta, desfeita, despedaçada


hoje talvez seja uma pinça
ou um bisturi
talvez seja.

terça-feira, 23 de agosto de 2005

as vezes as palavras parecem tão pequenas quando se quer dizer algo grande como um sorriso...


para a andreia e para o pedro
desejo as estrelas
a doçura dos silêncios e dos embalos.


a magia da união infinita,
no tiago.




...beijinho ;o)

sexta-feira, 12 de agosto de 2005



de malas (quase) aviadas pa sevilha
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