mui de muito cor de coração dou de dourado pé de pétala vem do ventre algo de algodão
sexta-feira, 6 de outubro de 2006
a minha avó chama-se Ermelinda.
e r m e l i n d a.
fez hoje 81 anos e tem um olho de cada cor. um verde outro castanho.
sempre gostei disso. observo cada um enquanto fala, enquanto ri. intercalo em segredo. o castanho. o verde. o castanho. o verde.
contrariou os pais indo para enfermagem. contrariou os pais casando com o meu avô. como consequência não os teve no casamento. "mas de quem eu gostava era do teu avô"
gosto de a ouvir
é gira, a ermelinda. sai-se com coisas inesperadas.
hoje iamos jantar fora, celebrar.
- lá na minha terra chamam vaginas aos feijões verdes.
- oh mãe, só pode estar a fazer confusão...
- qual quê! é vaginas pois!
ermelinda :)
quinta-feira, 5 de outubro de 2006
terça-feira, 26 de setembro de 2006
sexta-feira, 22 de setembro de 2006
sexta-feira, 15 de setembro de 2006
Aterrorizo-me.
A fragilidade. O aleatório. A probabilidade.
Quero aconchegar os que amo e carrega-los no peito como grãozinhos grãozinhos. Vivê-los eternamente numa fúria egoísta. Fazê-los de aço para impedir que sofram, para que não experimentem a dor do incerto.
Trancar a casa, o quarto, engolir a chave. Fecha-los na concha das mãos como a um pássaro pequenino. Meus, só meus, num desgaste interior, egoista, de olhos submersos, meus.
Não posso desfazer a necessidade de pedir desculpa, desculpa e desculpa por favor, pela monstruosidade raiva e repugnância do que está feito, do que se quer refazer e já não se pode. Desculpa. Pelo hediondo mal feito, a perversidade. Alguém que não sabia o que fazia. Alguém que provavelmente nunca quis saber.
A sensação.
Mãos vazias, doridas. Num silêncio, de tão atroz, irreversivel. Escondendo a nudez crua e desajeitada das asas torcidas, mortas
quebradas.
Quero dizer, dizer algo significativo, que importe.
Não consigo.
domingo, 3 de setembro de 2006
segunda-feira, 28 de agosto de 2006
quinta-feira, 10 de agosto de 2006
segunda-feira, 31 de julho de 2006
coming up
our father who art in a penthouse
sits in his 37th floor suite
and swivels to gaze down
at the city he made me in
he allows me to stand and
solicit graffiti until
he needs the land i stand on
i in my darkened threshold
am pawing through my pockets
the receipts, the bus schedules
the matchbook phone numbers
the urgent napkin poems
all of which laundering has rendered
pulpy and strange
loose change and a key
ask me
go ahead, ask me if i care
i got the answer here
i wrote it down somewhere
i just gotta find it
i just gotta find it
somebody and their spray paint got too close
somebody came on too heavy
now look at me made ugly
by the drooling letters
i was better off alone
ain't that the way it is
they don't know the first thing
but you don't know that
until they take the first swing
my fingers are red and swollen from the cold
i'm getting bold in my old age
so go ahead, try the door
it doesn't matter anymore
i know the weakhearted are strongwilled
and we are being kept alive
until we're killed
he's up there the ice
is clinking in his glass
he sends me little pieces of paper
i don't ask
i just empty my pockets and wait
it's not fate
it's just circumstance
i don't fool myself with romance
i just live
phone number to phone number
dusting them against my thighs
in the warmth of my pockets
which whisper history incessantly
asking me
where were you
i lower my eyes
wishing i could cry more
and care less,
yes it's true,
i was trying to love someone again,
i was caught caring,
bearing weight
but i love this city, this state
this country is too large
and whoever's in charge up there
had better take the elevator down
and put more than change in our cup
or else we
are coming
up
ani difranco
quinta-feira, 27 de julho de 2006
quarta-feira, 7 de junho de 2006
gosto dos meus sinais, dos meus olhos, das minhas sobrancelhas, de todos todos os meus pelinhos, dos meus ossos, da minha pele, do meu sangue, gosto gosto.
e por dentro, pai, por dentro gosto do que em nós é tão semelhante.
A cidade é um chão de palavras pisadas
a palavra criança a palavra segredo.
A cidade é um céu de palavras paradas
a palavra distância e a palavra medo.
A cidade é um saco um pulmão que respira
pela palavra água pela palavra brisa.
A cidade é um poro um corpo que transpira
pela palavra sangue pela palavra ira.
A cidade tem praças de palavras abertas
como estátuas mandadas apear.
A cidade tem ruas de palavras desertas
como jardins mandados arrancar.
A palavra sarcasmo é uma rosa rubra.
A palavra silêncio é uma rosa chá.
Não há céu de palavras que a cidade não cubra
não há rua de sons que a palavra não corra
à procura da sombra de uma luz que não há.
José Carlos Ary dos Santos
Pasa el lunes y pasa el martes
y pasa el miércoles y el jueves y el viernes
y el sábado y el domingo,
y otra vez el lunes y el martes
y la gotera de los días sobre la cama donde se quiere
dormir,
la estúpida gota del tiempo cayendo sobre el corazón
aturdido,
la vida pasando como estas palabras.
lunes, martes, miércoles,
enero, febrero, diciembre, otro año, otro año, otra vida.
La vida yéndose sin sentido, entre la borrachera y la conciencia,
entre la lujuria y el remordimiento y el cansancio.
Encontrarse, de pronto, con las manos vacías,
con el corazón vacío,
con la memoria como una ventana hacia la obscuridad,
y preguntarse: ¿qué hice?, ¿qué fui?, ¿en donde estuve?
Sombra perdida entre las sombras,
¿cómo recuperarte, rehacerte, vida?
Nadie puede vivir de cara a la verdad
sin caer enfermo o dolerse hasta los huesos.
Porque la verdad es que somos débiles y miserables
y necesitamos amar, ampararnos, esperar, creer y
afirmar.
No podemos vivir a la intemperie
en el solo minuto que nos es dado.
¡Qué hermosa palabra "Dios", larga
y útil al miedo, salvadora!
Aprendemos a cerrar los labios del corazón
cuando quiera decirla,
y enseñémosle a vivir en su sangre,
a revolcarse en su sangre limitada.
no hay más que esta ternura que siento hacia ti,
engañado,
porque algún día vas a abrir los ojos
y mirarás tus ojos cerrados para siempre.
no hay más que esta ternura de mí mismo
que estoy abierto como un árbol,
plantado como un árbol, recorriéndolo todo.
He aquí la verdad: hacer las máscaras,
recitar las voces, elaborar los sueños,
Ponerse el rostro del enamorado,
la cara del que sufre,
la faz del que sonríe,
el día lunes, y el martes, y el mes de marzo
y el año de la solidaridad humana,
y comer a las horas lo mejor que se pueda,
y dormir y ayuntar,
y seguirse entrenando ocultamente para el evento final
del que no habrá testigos.
Quando agora te debruças sobre a água do tanque, vês projetado, lá no fundo, um relógio sem ponteiros. Percebes, então, que a ferrugem é também uma qualidade e um atributo da água, e não apenas de alguns metais a que chamamos vis. E percebes ainda que já não são necessários os relógios. Tu já não tens idade, nem o tempo, que partilha do halo e da fluidez da água e é, às vezes, como ela, tão inodoro e insípido, se deixa prender, mesmo num vaso de cristal. E não podes, assim, medir-lhe a respiração. A sua duração, se preferes. Se alguma ainda subsiste, é a que é regulada pelos ponteiros do seu próprio corpo.
Albano Martins
Terror de te amar num sítio tão frágil como o mundo
Mal de te amar neste lugar de imperfeição
Onde tudo nos quebra e emudece
Onde tudo nos mente e nos separa
G.M.T.
terça-feira, 6 de junho de 2006
Arizona Dream
quinta-feira, 25 de maio de 2006
quarta-feira, 10 de maio de 2006
Gotinhas de palavras que derramas como água.
Longe vejo-me nascer da terra.
Dedos ásperos, sorriso cego, lábios gretados.
Murcha de solidão.
Seca e estalada por dentro. Há milhões de anos que o corpo deixou de ser.
De quando em vez materializa em poeira, dando sinais de existência. Medo de ser visto, diz quem o conheceu. Sobrevive em desespero. Feito de saudade.
Ouvi dizer que o coração definhou.
O ventre entregou-se ao solo num enterro secreto. Consta que tinha vontade própria e espera por absolvição. Algures. Por entre dunas de remorso.
Mergulho no deserto e aí espero que me alimentes.
Deslizas em doçura cristalina. Espio-te pelo canto da alma. Plena de curiosidade. Com uma urgência estúpida de compreensão.
Entristecem-me os olhos dentro do que nos separa.
O que resta de pele desfaz-se em pedaços.
Quero lutar, mas não posso.
quinta-feira, 4 de maio de 2006
quarta-feira, 26 de abril de 2006
Soy mi cuerpo. Y mi cuerpo está triste y está cansado.
Me dispongo a dormir una semana, un mes; no me hablen.
Que cuando abra los ojos hayan crecido los niños y todas las cosas sonrían.
Quiero dejar de pisar con los pies desnudos el frío. Echenme encima todo lo que tenga calor, las sábanas, las mantas, algunos papeles y recuerdos, y cierren todas las puertas para que no se vaya mi soledad.
Quiero dormir un mes, un año, dormirme. Y si hablo dormido no me hagan caso, si digo algún nombre, si me quejo. Quiero que hagan de cuenta que estoy enterrado, y que ustedes no pueden hacer nada hasta el día de la
resurrección.
Ahora quiero dormir un año, nada más dormir.
Jaime Sabines





























