terça-feira, 26 de setembro de 2006



"Às vezes apoio-me num rochedo
para dizer casa e logo desmorono."




"Sempre tive problemas com o verbo ser.
Faço e desfaço as malas, entro e saio das gavetas."



sexta-feira, 22 de setembro de 2006

listen, Mrs. D, instead of these dealings with the divine, these luxuries of thought, how about if you made me a cup of coffee, eh?





sexta-feira, 15 de setembro de 2006

Aterrorizo-me.

A fragilidade. O aleatório. A probabilidade.

Quero aconchegar os que amo e carrega-los no peito como grãozinhos grãozinhos. Vivê-los eternamente numa fúria egoísta. Fazê-los de aço para impedir que sofram, para que não experimentem a dor do incerto.

Trancar a casa, o quarto, engolir a chave. Fecha-los na concha das mãos como a um pássaro pequenino. Meus, só meus, num desgaste interior, egoista, de olhos submersos, meus.

Não posso desfazer a necessidade de pedir desculpa, desculpa e desculpa por favor, pela monstruosidade raiva e repugnância do que está feito, do que se quer refazer e já não se pode. Desculpa. Pelo hediondo mal feito, a perversidade. Alguém que não sabia o que fazia. Alguém que provavelmente nunca quis saber.

A sensação.

Mãos vazias, doridas. Num silêncio, de tão atroz, irreversivel. Escondendo a nudez crua e desajeitada das asas torcidas, mortas

quebradas.

Quero dizer, dizer algo significativo, que importe.

Não consigo.

domingo, 3 de setembro de 2006

isto há dias...
sinto-me uma autêntica empada oleosa ranhosa, esquecida numa pastelaria qualquer há (pelo menos) uma semana, rodeada de moscas formigas e varejeiras...

segunda-feira, 28 de agosto de 2006

Ah nostalgia...

os transportes públicos...

Não interpretem mal, simpatizo (o quanto baste) com a proximidade pública.

Mas... Ser apanhada num raio implacável de hálito quente plus salpicos de saliva de um ávido “tossidor” não faz propriamente o meu género...

(sorriso amarelo)

quinta-feira, 10 de agosto de 2006

De ouvidos entupidos e ideias incompletas ando por aí descalça.
Nadando, por vezes, sem respirar.
Deixo-me cair aos bocados. Cabelos, peles, carnes.
numcocheararrastadodenervoesmigalhado

segunda-feira, 31 de julho de 2006

coming up

our father who art in a penthouse
sits in his 37th floor suite
and swivels to gaze down
at the city he made me in
he allows me to stand and
solicit graffiti until
he needs the land i stand on
i in my darkened threshold
am pawing through my pockets
the receipts, the bus schedules
the matchbook phone numbers
the urgent napkin poems
all of which laundering has rendered
pulpy and strange
loose change and a key
ask me
go ahead, ask me if i care
i got the answer here
i wrote it down somewhere
i just gotta find it
i just gotta find it

somebody and their spray paint got too close
somebody came on too heavy
now look at me made ugly
by the drooling letters
i was better off alone
ain't that the way it is
they don't know the first thing
but you don't know that
until they take the first swing
my fingers are red and swollen from the cold
i'm getting bold in my old age
so go ahead, try the door
it doesn't matter anymore
i know the weakhearted are strongwilled
and we are being kept alive
until we're killed
he's up there the ice
is clinking in his glass
he sends me little pieces of paper
i don't ask
i just empty my pockets and wait
it's not fate
it's just circumstance
i don't fool myself with romance
i just live
phone number to phone number
dusting them against my thighs
in the warmth of my pockets
which whisper history incessantly
asking me
where were you

i lower my eyes
wishing i could cry more
and care less,
yes it's true,
i was trying to love someone again,
i was caught caring,
bearing weight

but i love this city, this state
this country is too large
and whoever's in charge up there
had better take the elevator down
and put more than change in our cup
or else we
are coming
up

ani difranco

quinta-feira, 27 de julho de 2006

I think I made you up inside my head

quarta-feira, 7 de junho de 2006

para o meu pai.

gosto dos meus sinais, dos meus olhos, das minhas sobrancelhas, de todos todos os meus pelinhos, dos meus ossos, da minha pele, do meu sangue, gosto gosto.
e por dentro, pai, por dentro gosto do que em nós é tão semelhante.



A cidade é um chão de palavras pisadas
a palavra criança a palavra segredo.
A cidade é um céu de palavras paradas
a palavra distância e a palavra medo.

A cidade é um saco um pulmão que respira
pela palavra água pela palavra brisa.
A cidade é um poro um corpo que transpira
pela palavra sangue pela palavra ira.

A cidade tem praças de palavras abertas
como estátuas mandadas apear.
A cidade tem ruas de palavras desertas
como jardins mandados arrancar.

A palavra sarcasmo é uma rosa rubra.
A palavra silêncio é uma rosa chá.
Não há céu de palavras que a cidade não cubra
não há rua de sons que a palavra não corra
à procura da sombra de uma luz que não há.

José Carlos Ary dos Santos



Pasa el lunes y pasa el martes
y pasa el miércoles y el jueves y el viernes
y el sábado y el domingo,
y otra vez el lunes y el martes
y la gotera de los días sobre la cama donde se quiere
dormir,
la estúpida gota del tiempo cayendo sobre el corazón
aturdido,
la vida pasando como estas palabras.
lunes, martes, miércoles,
enero, febrero, diciembre, otro año, otro año, otra vida.
La vida yéndose sin sentido, entre la borrachera y la conciencia,
entre la lujuria y el remordimiento y el cansancio.

Encontrarse, de pronto, con las manos vacías,
con el corazón vacío,
con la memoria como una ventana hacia la obscuridad,
y preguntarse: ¿qué hice?, ¿qué fui?, ¿en donde estuve?
Sombra perdida entre las sombras,
¿cómo recuperarte, rehacerte, vida?

Nadie puede vivir de cara a la verdad
sin caer enfermo o dolerse hasta los huesos.
Porque la verdad es que somos débiles y miserables
y necesitamos amar, ampararnos, esperar, creer y
afirmar.
No podemos vivir a la intemperie
en el solo minuto que nos es dado.
¡Qué hermosa palabra "Dios", larga
y útil al miedo, salvadora!
Aprendemos a cerrar los labios del corazón
cuando quiera decirla,
y enseñémosle a vivir en su sangre,
a revolcarse en su sangre limitada.

no hay más que esta ternura que siento hacia ti,
engañado,
porque algún día vas a abrir los ojos
y mirarás tus ojos cerrados para siempre.
no hay más que esta ternura de mí mismo
que estoy abierto como un árbol,
plantado como un árbol, recorriéndolo todo.

He aquí la verdad: hacer las máscaras,
recitar las voces, elaborar los sueños,
Ponerse el rostro del enamorado,
la cara del que sufre,
la faz del que sonríe,
el día lunes, y el martes, y el mes de marzo
y el año de la solidaridad humana,
y comer a las horas lo mejor que se pueda,
y dormir y ayuntar,
y seguirse entrenando ocultamente para el evento final
del que no habrá testigos.

Jaime Sabines





Quando agora te debruças sobre a água do tanque, vês projetado, lá no fundo, um relógio sem ponteiros. Percebes, então, que a ferrugem é também uma qualidade e um atributo da água, e não apenas de alguns metais a que chamamos vis. E percebes ainda que já não são necessários os relógios. Tu já não tens idade, nem o tempo, que partilha do halo e da fluidez da água e é, às vezes, como ela, tão inodoro e insípido, se deixa prender, mesmo num vaso de cristal. E não podes, assim, medir-lhe a respiração. A sua duração, se preferes. Se alguma ainda subsiste, é a que é regulada pelos ponteiros do seu próprio corpo.

Albano Martins



Terror de te amar num sítio tão frágil como o mundo

Mal de te amar neste lugar de imperfeição
Onde tudo nos quebra e emudece
Onde tudo nos mente e nos separa

Sophia de Mello Breyner Andresen

G.M.T.

terça-feira, 6 de junho de 2006

"But what's the point of breathing if somebody already tells you the difference between an apple and a bicycle? If I bite a bicycle and ride an apple, then I'll know the difference."

Arizona Dream

quinta-feira, 25 de maio de 2006

Dopamine







quarta-feira, 10 de maio de 2006

Gotinhas de palavras que derramas como água.

Longe vejo-me nascer da terra.

Dedos ásperos, sorriso cego, lábios gretados.

Murcha de solidão.

Seca e estalada por dentro. Há milhões de anos que o corpo deixou de ser.

De quando em vez materializa em poeira, dando sinais de existência. Medo de ser visto, diz quem o conheceu. Sobrevive em desespero. Feito de saudade.

Ouvi dizer que o coração definhou.

O ventre entregou-se ao solo num enterro secreto. Consta que tinha vontade própria e espera por absolvição. Algures. Por entre dunas de remorso.

Mergulho no deserto e aí espero que me alimentes.

Deslizas em doçura cristalina. Espio-te pelo canto da alma. Plena de curiosidade. Com uma urgência estúpida de compreensão.

Entristecem-me os olhos dentro do que nos separa.

O que resta de pele desfaz-se em pedaços.

Quero lutar, mas não posso.

sábado, 6 de maio de 2006

Pérolas Erasmus

Puxar o autoclismo e ficar com ele na mão.

quinta-feira, 4 de maio de 2006


La vie rêvée des anges
















quarta-feira, 26 de abril de 2006

Soy mi cuerpo. Y mi cuerpo está triste y está cansado.
Me dispongo a dormir una semana, un mes; no me hablen.

Que cuando abra los ojos hayan crecido los niños y todas las cosas sonrían.

Quiero dejar de pisar con los pies desnudos el frío. Echenme encima todo lo que tenga calor, las sábanas, las mantas, algunos papeles y recuerdos, y cierren todas las puertas para que no se vaya mi soledad.

Quiero dormir un mes, un año, dormirme. Y si hablo dormido no me hagan caso, si digo algún nombre, si me quejo. Quiero que hagan de cuenta que estoy enterrado, y que ustedes no pueden hacer nada hasta el día de la
resurrección.

Ahora quiero dormir un año, nada más dormir.

Jaime Sabines

 

quarta-feira, 5 de abril de 2006












At night I think of my piano in its ocean grave, and sometimes of myself floating above it. Down there everything is so still and silent that it lulls me to sleep.
It is a weird lullaby and so it is;
it is mine.


quinta-feira, 30 de março de 2006

as vezes esqueço-me de mim

terça-feira, 21 de março de 2006

o ridiculo...

cortei-me num pacote de bolachas

sexta-feira, 17 de março de 2006

Maggie: What happened?
Seth: Free will.

sexta-feira, 10 de março de 2006

Respondendo ao desafio («Cada bloguista participante tem de enunciar cinco manias suas, hábitos muito pessoais que os diferenciem do comum dos mortais. E além de dar ao público conhecimento dessas particularidades, tem de escolher cinco outros bloguistas para entrarem, igualmente, no jogo, não se esquecendo de deixar nos respectivos blogues aviso do "recrutamento". Ademais, cada participante deve reproduzir este "regulamento" no seu blogue.») do desatento* Sr Nils e temendo que estas manias não cheguem a diferenciar-me do comum dos mortais, tenho a mania de:

Arrepender-me de todos os cortes de cabelo que “fiz” até hoje (mesmo que momentaneamente me agrade é tido seguro e sabido que mais tarde vou desejar nunca ter submetido o pobre cabelo à tesourada)

Colocar os dedos involuntariamente nas posições mais esquisitas e invulgares.

Pôr a mão na barriga quando bocejo, especialmente quando estou muito cansada (vá-se lá entender...)

Deixar tudo para a ultima (sejam as validades dos iogurtes, estudos para exames, malas para arrumar, vestir-me, sair de casa e por aí fora)

Encher as paredes com tudo o que é posters, fotografias, panos, postais, comics, frases, textos (...) e não deixar uma pontinha livre.

Este desafio irá para o Braga, Mel de Lama, Tvcallas, os dias das noites, e tu sabes bem...

*Salamanca primito, estou em Salamanca ;)
Embora Barcelona seja daquelas cidades que quero (MESMO MESMO MESMO) visitar
Obrigada pelo desafio :)
Escavo-me numa obsessão urgente.
De tentar amputar a pouca humanidade que resta,
de aspirar a vida que insistia

insistia respirar-me o ventre.

Danço estúpida de raiva, prazer e desprezo por não entender o que falta
quando no fundo

no fundo

...não falta mesmo nada.


terça-feira, 7 de março de 2006


Mark Wiener: People always end up the way they started out. No one ever changes. They think they do but they don't. If you're the depressed type now that's the way you'll always be. If you're the mindless happy type now, that's the way you'll be when you grow up. You might lose some weight, your face may clear up, get a body tan, breast enlargement, a sex change, it makes no difference. Essentially, from in front, from behind. Whether you're 13 or 50, you will always be the same.

Aviva Victor: Are you the same?

Mark Wiener: Yeah.

Aviva Victor: Are you glad you're the same?

Mark Wiener: It doesn't matter if I'm glad. There's no freewill. I mean, I have no choice but to chose what I choose, to do as I do, to live as I live. Ultimately, we're all just robots programmed abritrarily by nature's genetic code

terça-feira, 31 de janeiro de 2006

agora que a neve derreteu um bocadinho as desgraçadas das árvores parecem ter caspa

segunda-feira, 30 de janeiro de 2006

note to self

não comprar o café mais barato do supermercado só porque é mesmo o mais barato...


(que ganas de fregar la lengua con jabón)


quarta-feira, 2 de novembro de 2005

da janela do meu quarto vejo turistas em sorrisos melosos para as suas maquinas digitais, fazem-se acompanhar por monumentos, igrejas, jardins, ruas
que sinto como minhas.
depois de dois meses, o coração é-me percorrido por calles de nomes peculiares.
como silencio, ou espejo.
os grupos imensos de excursões começam a atrapalhar-me o dia a dia e um estranho sentimento de posse, de ciúme subtil espreita pelo ombro.

imagino cá por dentro em quantas fotos estarei, passeando distraída na minha vida, como recuerdo turístico de uma pequena viagem a Salamanca.

segunda-feira, 24 de outubro de 2005

Lembro-me da primeira vez que vi a Laica.
Iamos jantar ao Saraiva.
Fui a casa da Vera pedir uma cassete de video para gravar o ultimo episódio da novela. Do nome da telenovela já não recordo mas, quando voltei a casa (mais a dita cassete) o “Não mexas nessa cadela que tem imensas pulgas”, ficou gravado na mente.
É claro que o hábito de dar festas a qualquer cão de rua já estava à flor da pele na júlia de 10 anos, por isso tomei a liberdade de me apaixonar um bocadinho pela cadela e pelas suas pulgas.
Os dias passaram e começou a rondar a casa, eu de um lado e a minha irmã do outro procuravamos revirar os “Não quero cães cá em casa” da minha mãe e os tempos começavam a mudar enquanto o meu pai entre sorrisos dizia “Tem mesmo cara de Laica”.

Acabou por ficar.

Laica.
No inicio tinha medo de vassouras. Da voz grave do meu pai.
Vinha com marcas de arame farpado na barriga e aproximava-se das pessoas com muito medo. Era total e completamente carente de meiguice. Roçava-se toda lampeira nas nossas pernas como se fosse um gato e em horas calmas encostava carinhosamente o focinho com os olhos fechados.
Suspeitámos que tivesse sido abandonada por caçadores por fugir aterrorizada de todo o barulho que se assemelhasse a tiros e tentava apanhar gatos, pássaros, lagartos, galinhas (e por aí fora). Na verdade, o meu pai dexou de poder ter descanço já que a “rebelde” descobria, ao longo do tempo, novas formas de entrar no galinheiro. Encontrar a Senhora Laica roendo vedações e escavando túneis passou a ser o “pão nosso de cada dia”.

A primeira vez que saímos de casa enfiou-se no porta bagagens com medo de a deixarmos para trás. Foi uma carga de trabalhos para a tirar, já que uma vez que conseguíamos voltava a saltar lá para dentro.
Passou desde esse momento a ladrar aflitivamente quando saíamos de casa no carro.

Desenvolveu uma série de hábitos esquisitos, como uma estranha fixação por lenços ranhosos. Uma pessoa NÃO PODIA, assoar-se a frente da laica. Ela pura e simplesmente amandava-se ao lenço e comia-o. O mesmo acontecia com gelados (o que pensando bem nunca foi muito esquisito).

Tinha um medo terrivel da água e dar-lhe banho no inicio era deveras complicado, já que se recusava a “acompanhar-nos” até à mangueira. Do momento que saímos pela porta pressentia o duche iminente e lá andávamos nós pelo quintal a correr atrás da senhora arraçada a galgo (dá para imaginar o que corria).

Desde o inicio as regras estabelecidas pelo meu pai eram simples: cães fora de casa.
Isso claro não impedia a Laica de se enfiar pelas pernas de quem entrava em casa e desaparecer algures pela cama dos meus pais. Ao longo do tempo, cada vez que “forçava entrada”, escondia-se para não a encontrarmos. É claro que tanto o meu coração como o da minha irmã não aguentaram tais demonstrações de carinho e enfiávamo-la nas frias noites de Inverno em casa, bem juntinho a lareira que era onde dormíamos quando estava mais frio. Isto claro, sem o conhecimento dos pais...

Laica. Tanto por contar.
O amor por ovos crus, o comer uvas da árvore, o aninhar-se nos sofás, os cachorrinhos lindos, lindos que teve, a dificuldade em se sentar após a laqueação, as fugidelas pelo portão, a teimosia, a rebeldia...
Continuou durante anos a ladrar aflitivamente cada vez que saíamos no carro.
Parou de o fazer quando ficou doente.
Passou a ter grande dificuldade em andar. Tropeçava nas próprias patas e por vezes não continha a urina. No veterinário a amargura de não a poder salvar.

Quis ficar com ela até ao fim, em que lhe deram a injecção.
Chorei mais que a alma.
Chorei as brincadeiras, e os carinhos, as lambidelas, a inocência dos seus olhos, chorei a raiva, a tristeza, e mais que tudo. Chorei a saudade.
Soará eternamente na minha cabeça o eco surdo do focinho caído na mesa de observação. Os olhos abertos
inexpressivos.

a voz da veterinária
“já está”.


sábado, 8 de outubro de 2005

aqui os pardais não têm tanto medo das pessoas...

... e eu, despistada, dou comigo a pensar em espanhol.

quinta-feira, 25 de agosto de 2005

Revelação (quase*) maravilha :
vou estudar para salamanca durante o próximo ano!


* familia, namorado, amigos, cão, filmes não dobrados.......
fica tudo cá.
chegou o momento de parar.
preciso de lucidez e os pensamentos escapam numa velocidade impossivel.
assim não quero, o repentino não enche medidas
“Instant soup doesn't really grab me
Today I need something more sub-sub-sub-substantial”.
quero agarrar as ideias com força. uma a uma. em cada mão
sujar os dedos com frases decompostas
analiza-las nos mais diversos sentidos
perceber o que significam, onde me conduzem, que consequências impõem. encarar de frente. com toda a calma que isso exige.
fazer um scrabble infinito e construir puzzles monstruosos de posições e afirmações
pesar obsessivamente todas as letrinhas
apertar-lhes os gasganetes e sufoca-las até à exaustão se for preciso.

chega de vertigens
de carroceis que andam à roda, à roda, à roda

...acabam por nunca parar no mesmo sitio.

pela primeira vez na vida quero fazer experiências necessárias.
não errar.
entrar num laboratório e esmigalhar o meu corpo num tubo de ensaio
ver à lupa. ao microscópio.
vestir luvas de borracha e ter o prazer mórbido de me desmembrar
ser nua.
no triste sentido da palavra (da minha palavra)
descoberta, desfeita, despedaçada


hoje talvez seja uma pinça
ou um bisturi
talvez seja.

terça-feira, 23 de agosto de 2005

as vezes as palavras parecem tão pequenas quando se quer dizer algo grande como um sorriso...


para a andreia e para o pedro
desejo as estrelas
a doçura dos silêncios e dos embalos.


a magia da união infinita,
no tiago.




...beijinho ;o)

sexta-feira, 12 de agosto de 2005



de malas (quase) aviadas pa sevilha

quarta-feira, 3 de agosto de 2005




de malas (quase) aviadas poh sudoeste

sexta-feira, 29 de julho de 2005

...ténis sem meias...

por muito que tente (e olhem que tento) não consigo compreender a lógica.

domingo, 17 de julho de 2005

há qualquer coisa de Outono que não sai do pensamento, qualquer coisa de suspiro, de desassossego, de te ver chegar com aquele sorriso.
aquele sorriso.
o carinho, a ternura que já não se vê nos olhares da rua,
uma falta, vertigem de meiguice , espiral de desejos,
sentir o coração tão imenso prestes a derramar do peito. Não querer morrer, mas mais importante não querer que morras. Inventar-te feliz ainda que longe, sem os olhares extintos e vidas dissolvidas (mesmo antes de começarem).
andar aos círculos para voltar ao mesmo abraço, e querer, querer. qualquer coisa de folhas de Outono,
percebes?

quinta-feira, 14 de julho de 2005

comichão no nariz, exame na segunda feira, comichão no nariz, tosta de queijo, comichão no nariz, ele não gosta de mim, comichão no nariz, vinho tinto do douro, comichão no nariz, sinto-me sozinha.

Muito sozinha.

segunda-feira, 4 de julho de 2005

... agora é aninhar na cama e enfrascar em sono ...

sábado, 2 de julho de 2005

Ontem vi uma senhora pequenina a rezar o terço na paragem de autocarro, vi cortinas cor de rosa numa janela e pensei “que estranho, cortinas cor de rosa”, vi um homem em cima da mota com um daqueles capacetes de equitação e tive que rir.

a ouvir cherry ball blues de skip james,

quinta-feira, 23 de junho de 2005

dias de limão com sabor a limão.
amarelos enrugados amargos e cheios de caroços.

dias de nervos em franja com grãozinhos de areia nos dedos dos pés.

terça-feira, 21 de junho de 2005

Ponho-me do avesso para averiguar se o coração ainda bate e ele diz-me que está à espera do momento certo para começar.

Sorrio e penso que não é por ser meu
mas este coração parece-se comigo...

teimosinho

segunda-feira, 20 de junho de 2005



daqui

segunda-feira, 6 de junho de 2005




I'm not what's missing from your life now
I could never be the puzzle pieces

Elliot Smith
1969 - 2003

terça-feira, 31 de maio de 2005

E mais não posso concordar.

“Como dizia o poeta”

Quem já passou
Por esta vida e não viveu
Pode ser mais, mas sabe menos do que eu
Porque a vida só se dá
Pra quem se deu
Pra quem amou, pra quem chorou
Pra quem sofreu, ai

Quem nunca curtiu uma paixão
Nunca vai ter nada, não

Não há mal pior
Do que a descrença
Mesmo o amor que não compensa
É melhor que a solidão

Abre os teus braços, meu irmão, deixa cair
Pra que somar se a gente pode dividir?
Eu francamente já não quero nem saber
De quem não vai porque tem medo de sofrer

Ai de quem não rasga o coração
Esse não vai ter perdão

Vinicius de Moraes

segunda-feira, 23 de maio de 2005



daqui

sexta-feira, 13 de maio de 2005

todays mood



daqui


Here comes the sun, here comes the sun,
and I say it's all right.

Little darling, it's been a long cold lonely winter
Little darling, it feels like years since it's been here
Here comes the sun, here comes the sun
and I say it's all right.

Little darling, the smiles returning to the faces
Little darling, it seems like years since it's been here
Here comes the sun, here comes the sun
and I say it's all right.

Sun, sun, sun, here it comes...
Sun, sun, sun, here it comes...
Sun, sun, sun, here it comes...
Sun, sun, sun, here it comes...
Sun, sun, sun, here it comes...

Little darling, I feel that ice is slowly melting
Little darling, it seems like years since it's been clear
Here comes the sun, here comes the sun,
and I say it's all right
It's all right.

George Harrison

The Beatles - Abbey Road

terça-feira, 10 de maio de 2005

Fiquei a pensar naquilo. De se receber migalhinhas e se ser feliz com a cegueira do amor. Não era minha a historia, mas vi-me ali. Humilhada e mendiga. E por muito que se pense na realidade em momentos de lucidez não se quer ouvir, nem um bocadinho. Porque a falta é tão grande e as migalhas alimentam tanto,
durante tanto tanto tempo.


Quero combater este sentimento e esta canção com todas as forças, mas não consigo. Sou frágil. As migalhas voltam intensas, saborosas, e não consigo reter as lágrimas que tenho amordaçadas. Não me agrada esta sensação de historia por terminar. Não me agradam as fotografias, e as gravações e o endereço que nunca consigo apagar. Não me agradam os pequenos “segredos” de que falava o contador de historias porque cheiram a intimidade, a momentos perdidos, beijos roubados,
rosas putrefactas de tão secas.
A caixa de sapatos continua a mais especial de todas, pelas memorias acumuladas, tão poeirentas. Cheguei tarde e a más horas a uma conclusão que me perfura o peito de tão pobre: não sofro por não sofreres, sofro por te alheares ao meu sofrimento. Por seres o único espectador de olhos voluntariamente fechados.

É isto.

Cannonball


Cannonball
Originally uploaded by julie on the moon.
Still a little bit of your taste in my mouth
Still a little bit of you laced with my doubt
Still a little hard to say whats going on

Still a little bit of your ghost your witness
Still a little BIT of your face I havent kissed
You step a little closer EACH DAY
Still I cant SAY whats going on

Stones taught me to fly
Love taught me to lie
Life taught me to die
So its not hard to fall
When you float like a cannonball

Still a little bit of your song in my ear
Still a little bit of your words I long to hear
You step a little closer TO ME
So close that I cant see whats going on

Stones taught me to fly
Love taught me to lie
Life taught me to die
So its not hard to fall
When you float like a cannon

Stones taught me to fly
Love taught me to cry
So come on courage!
Teach me to be shy
Cause its not hard to fall
And I dont WANNA scare her
Its not hard to fall
And I dont wanna lose
Its not hard to grow
When you know that you just dont know

Damien Rice
depois há os lenços extra-suaves e resistentes da Colhogar perfumados com mel...


(e o desenho de uma abelhinha)

terça-feira, 3 de maio de 2005

E de repente puxo-me para longe.
Para uma época de sol e pés descalços. Quero ver o Ti Manel pescar, e correr atrás dos cães vadios que o seguiam, sempre. Quero ver-me mais pequena. Menina “entretenga” de olhos grandes e voz desmedida, a do fato de banho às riscas no mealheiro pintado da arrecadação.
Há qualquer coisa de criança que não volta e me deixa o corpo triste. Um sussurro que de tão distante vai morrendo, como casas vazias e pétalas secas.
Como a vida.
...no entanto o cheiro do mar e as cócegas da espuma, o sabor do verão na toalha de praia. Uma vertigem de cemitérios índios, peixes aranha, cavalitas, pão quente com manteiga, castelos e túneis de areia, gaivotas, tantas gaivotas, praias desertas. Brincar às escondidas no meio de carros e estradas, tocar às campainhas, foge, foge... Quero ir chamar a Dora para vir brincar prá rua e sentir a liberdade.
Aquela liberdade.
Que nunca voltei a sentir.

segunda-feira, 25 de abril de 2005

okno


okno
Originally uploaded by julie on the moon.
vou sentir falta desta janela.
manhas frias, chas quentes e um livro que ficou por acabar.

quinta-feira, 21 de abril de 2005

hoje sou quatro minutos e uma cabeçada na mesa da biblioteca.

terça-feira, 12 de abril de 2005

Por baixo da pele o pensamento...

“vais ser o que és por dentro”

...e a história de uma aranha peluda que tropeçou, descalça, nas cordas de uma guitarra.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2005

On the floating, shipless oceans
I did all my best to smile

(a ouvir compulsivamente This Mortal Coil)

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2005

Dou por mim de olhos fechados num sorriso.
Encantada.
Abanando a cabeça os braços as ancas. A dançar tão e completamente sozinha. Deslumbro o ridículo dos meus movimentos e rasgo o peito em cores de prazer.
Estou feliz. Sinto, mesmo por segundos, a segurança do mundo. Não vou cair e mesmo que tropece volto a levantar-me. Sei que sim.
Quero respirar até à sufocação.
O corpo pequeno ondula, eleva-se, prepara-se para voar longe, para além das árvores, das folhas de Outono que há muito caíram. Voar para além das nuvens, e das estrelas, tornar-se infinito como o universo e deixar de ser meu.
Assim faz sentido.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2005


www.explodingdog.com



bones sinking like stones

all that we fought for

homes, places we’ve grown

all of us are done for.

and we live in a beautiful world,

yeah we do yeah we do.

we live in a beautiful world.

bones sinking like stones

all that we fought for

homes, places we’ve grown

all of us are done for.

but we live in a beautiful world,

yeah we do yeah we do.

we live in a beautiful world.

oh all that I know,

there’s nothing here to run from

‘cos yeah, everybody here’s

got somebody to lean on

Dont Panic, Coldplay

domingo, 6 de fevereiro de 2005

hoje enterro o meu coração vivo

terça-feira, 1 de fevereiro de 2005

...as nossas fotografias ficaram paradas no tempo
ali. à espera que algo aconteça.
passo por elas envolvida em quotidiano e sei que me fixam.
finjo não reparar.
Espalho estrategicamente os olhos pelo quarto e não te vejo. não nos vejo.
mas estamos.
parados.
Desenterro os ossos do quintal e mastigo sem grande pressa. Deixo as fotografias mudas para que também elas me esqueçam. É tão mais fácil adiar...

..eu sei.
Mas está na altura de tomar decisões.

quinta-feira, 6 de janeiro de 2005

Sinto em mim a ânsia de devorar as palavras até à mais pequenina letra.
Engolir as frases.
Folhear avidamente, página atrás de página.
Deixar escapar todas as paragens de metro/autocarro que relembram a vida que ainda tenho por viver.
Assim leio Vergílio. Assim escorrego pelo prazer negligenciado nos últimos tempos.
Dualidade de ler o que me sabe bem: Este querer digerir duma só vez . Este querer saborear devagarinho.
Hoje percebi que faltavam três folhas apenas e esforcei-me para as fazer durar. Controlando a necessidade de mastigar tudo num segundo. Procurei pausar em cada ponto. Deixar as reflexões derreterem-se na boca. Sorver os pensamentos soltando-os logo de seguida, livres de percorrerem o meu imaginário.

Sento-me lado a lado de virgulas, exclamações, reticências e interrogações. Permito a invasão do meu corpo porque as palavras também sentem.

quarta-feira, 3 de novembro de 2004

Milhares milhares de palavras engasgadas atropeladas com raiva e ódio e horror rasgadas corroídas ferrugentas palavras estúpidas e más que não vejo em ti nem em mim
mas estão lá
gastas e porcas sujas
as palavras
sem sentido, desordenadas, desorientadas,
como abelhas loucas
como moscas e moscardos
como os pássaros desesperados
sozinhos
a morrerem contra o vidro de nossa casa

a tentar escapar,

como chávenas de café usadas
as palavras
como os autocarros e as pessoas dos autocarros
os encontrões do metro
as palavras
que me magoaram e me cuspiram e me sangraram

palavras que disseste.

sábado, 30 de outubro de 2004

...tenho as unhas roxas do frio e a minha mãe diz que pareço o capuchinho vermelho so que branco...

...certo...

quarta-feira, 13 de outubro de 2004

" As flores de ouro dos jardins modernos em geral são estéreis. As minhas são feitas de barro quebram-se como os pés dos antigos ídolos mas dão fruto. Não trocaria a minha vida imperfeita pela vida de ninguém. Eva acenou com a cabeça. Jacques tinha razão. Algum dia ela havia de passar a aceitar-se e ser feliz como era. "

Os Jardins de Eva, I.K. Centeno

sexta-feira, 8 de outubro de 2004

Numa folha branca a musica soava a eternidade, e ela sorriu.
Metáforas e adjectivos e verbos proposições e canções e palavras para aqui para ali.
Não interessa.
Sorriu. Como só a simplicidade pode sorrir. Nada mais do que a ternura de ser. Sincero. À distância de um telefonema a alma dele viajou ao som da guitarra, ao som das estrelas-do-mar e do sussurro das ondas, amores perdidos e turistas tostados em forma de lagostim.
Havia um pessegueiro na ilha.
Sabes-me a sal e sabes-me bem. Com as tuas sardas, o teu cabelo de caracóis, lábios de caramelo. A minha língua percorre gulosa a tua doçura, doce jeito de ser.
Tropeçamos de novo na areia e rimos, perdidos, no chão. Encontrados em braços e pernas, meus teus, não sei, não importa.


... obrigada pelo telefonema.

domingo, 26 de setembro de 2004

Sexta-feira fui jantar com pessoas da minha antiga turma e tive conhecimento do falecimento de um colega.
Estranho. O sentimento.
Estranha. A impotência.
O sorriso forçado, embaraçado.
Sorriso triste. O meu.
Não era suposto ser assim.
A amargura invade-me. As memórias voltam para assombrar.
Morte.
Ouço no noticiário: dezenas, centenas de pessoas. Distantes, desconhecidas.
E ele a dançar no meu pensamento.
Preso no momento. Improvisando.
A melhor improvisação de todas, pensei. Foi a dele.
E foi.
A morte assume a sua verdadeira forma. Implacável.
Recordo rostos desaparecidos que me diziam tanto. O sorriso do meu avô. A doçura.
A falta que me faz. A forma como me chamava “a maior” ou como dizia “dá-me um beijo minha cara de queijo”.
Pela primeira vez vejo o ridículo de quem banaliza a vida em atitudes mesquinhas
que não interessam a ninguém.
Sei que vou morrer. Um dia. Como ele. Como alguém. Mas até lá, respiro.
Respiro.

domingo, 12 de setembro de 2004

"Ou até em manobra de diversão como é o caso da vinda do barco holandês. Passa pela cabeça de alguém imaginar que alguma mulher, mais ou menos jovem, com mais ou menos dificuldades económicas, se dirige a um barco que é exibido de forma ostensiva e degradante nas televisões e lá entra para fazer um aborto em alto mar? Evidentemente que não. "

Aborto, Barcos e 'Agit-prop' Por ZITA SEABRA http://jornal.publico.pt/publico/2004/08/29/EspacoPublico/O03.html


Evidentemente que não...??
Muitas mulheres sujeitam-se a pior.


Mas pelos vistos mais vale imaginar que não.

sexta-feira, 10 de setembro de 2004

e depois fiquei ali

presa


no meu olhar desfocado.

terça-feira, 31 de agosto de 2004

Tentei deitar-me. Tentei dormir.
Tentei descansar e não consegui. São tantos os pensamentos, tantas as discussões, tantas as confusões que não consigo. Tudo me corrói..
Penso na bjork. E como gostava de ser alguém como a bjork.
Penso nele, no que ele me disse. E que não é verdade o que ele me disse.
Eu sei.
Mas doeu.
Penso que é estúpido dar tanta importância a pequenas coisas.
Penso no que tenho de estudar e na desilusão que não quero ser. Penso nos silêncios do meu pai e se ele deixou de acreditar que vou chegar a algum sitio.
Penso nos amigos que não tenho. Penso no ódio a espelhos.
Penso na R., no P. e no V. e em como gostava de ter mais contacto com eles.
Penso em capacitância e sorrio.
Penso que sou uma comodista e que ele tem razão quando me acusa disso.
Penso que sou derrotista. E que o bolo de chocolate será para mim algo sempre imperfeito. Penso na C. e envergonho-me por não ter sido honesta. Por não ter tido a coragem de dizer que estava magoada por ela não ter ido à peça. Não bem por não ter ido. Mas por dizer que iria e nunca lá ter posto os pés. Devia ter confrontado este tipo de atitude que nela é sempre uma constante.
Penso que sou fraca.
Penso no N. e irrita-me que não me tivesse mandado aquela mensagem. Irrita-me que me tivesse falado na exposição para depois se esquecer. Penso que simpatizei com ele e é raro simpatizar com alguém. Penso na conversa que tive contigo a semana passada em que as pessoas vivem pelo que lhes alimenta o ego na altura. Penso na R e nos problemas dela, penso que não os posso resolver por ela, penso que mesmo se pudesse não os resolveria da mesma maneira. Penso que não me devo afastar das pessoas. Penso que vou telefonar ao B., à S., à R., ao N.,ao A., à B., ao V. Tenho saudades do V.
Penso.
Penso no que não quero ser. Penso nas pessoas que mentem por sistema e penso que a minha família é muito imperfeita. Penso que a pensar morreu um burro e rio-me sozinha. Penso em tirar a carta. Penso que me devo definir e não redefinir. Penso na G. e penso que adoro a G. e sinto-me feliz por poder contar com ela. Penso em pilares.
Penso na Laica e no Nero. E penso no Nero quando era cachorrinho, na maneira como dormia de barriga para cima.
Penso que já pensei o suficiente por hoje e vou para a cama.

terça-feira, 17 de agosto de 2004

Vejo e revejo as palavras que cuspi.
Vejo e revejo as feridas que ele deixou.
Penso.
Penso na minha fragilidade espectante. Aguardando palavras quentes.
Estúpida Júlia que nunca aprendes.
Hoje.
A partir de hoje serei uma armadura.
Uma cobra. Um raio.
Acabou.

Hoje sou um ponto final.

terça-feira, 13 de julho de 2004

Pensamento do dia:

- porque é que os Elders andam aos pares? Porque não trios? Porque é que trazem sempre malinhas iguais? O que trarão eles nas malinhas? Porque é que têm um ar misterioso de quem está a esconder alguma coisa? Porque é que não há versão feminina tipo “Elderina”?

Estou curiosa.

sexta-feira, 9 de julho de 2004

Hoje sou uma musica dos REM, I'll take the rain.



"This is all I want, it's all I need.
This is all I am, it's everything.

This is all I want, it's all I need."
Beat a drum, REM

sábado, 3 de julho de 2004

"Errei a porta do sentimento,
Não houve vontade ou ocasião que eu não perdesse"
Álvaro de campos

nestes dias são as palavras dos outros que me fazem sentido, as minhas perderam-se algures



...em sitio nenhum.

terça-feira, 8 de junho de 2004



:o), beijinho muito especial para ti Pai.

sexta-feira, 4 de junho de 2004

hoje parti um copo no café.

estava a tentar tirar uma fotografia e...
não reparei que o meu cotovelo...

errr...

o olhar raivoso da empregada depois de...
eu...
eu.....

(Júlia sai a chorar)

quarta-feira, 2 de junho de 2004

Há um papagaio chamado Neco no meu universo. Não, não é meu. E não, eu nunca poria o nome Neco a um animal de estimação. Mas existe. Quando vou a casa da minha avó Aurélia tenho o hábito de beber café ao almoço e jantar. Na pastelaria que frequento encontro sempre este pobre animal à beira da depressão (ou pelo menos isso aparenta).
Nada simpático e pouco social, pronto a arrancar os dedos a quem se dignar a uma aproximação (pequena que seja), lá está ele à espera, com um brilho de loucura nos olhos, ansioso pelo ataque.
É vê-lo de um lado para o outro, na sua gigantesca prisão.
De um lado, teca teca teca, para o outro teca teca teca, de um lado, teca teca teca, para o outro, teca teca teca, de um lado, teca teca teca, para o outro, teca teca teca, sempre no mesmo sitio, sem parar, e assim continua a tarde inteira, os dias inteiros, parece estar a dar em doidinho. Mas naaa, a mim aquele bicho não engana, ele está a planear uma fuga, só não sabe é como e fica ali naquela triste figura.
Às vezes também emite grunhidos imensamente altos (onde se distinguem alguns Olás meio rudimentares), lá vem a Dona São lançada “CALA-TE NECO!!” e dá com uma colher, porta.chaves (o que tiver à mão) nas grades da gaiola. A gaiola abana-se toda e o Neco instala-se no silêncio (com um grande susto imagino, que a Dona São é assustadora).
Será por isso que o Neco é traumatizado? Não sei.
Mas às vezes também o encontro completamente apático. Sem movimento. Olhando o horizonte (que não é muito, tendo em conta que o café fica em frente a uma estrada e do outro lado uma parede tapa a paisagem).
Mesmo que uma criança abane a gaiola e enfie por ela os dedos, nada.... Pergunto-me, serão momentos de lucidez em que ele se apercebe “Não vou a lado nenhum”.
Suspiro.
Pobre Neco.

terça-feira, 1 de junho de 2004

Pela janela do meu quarto vejo um mundo a fazer sentido.

segunda-feira, 31 de maio de 2004

Para sempre. Aqui estou. É uma tarde de Verão, está quente. Tarde de Agosto. Olho-a em volta, na sufocação do calor, na posse final do meu destino. E uma comoção abrupta – sê calmo. Na aprendizagem serena do silêncio.
Vergílio Ferreira

A todos os que se preocuparam com o meu “desaparecimento”. Obrigada.
Estes dias têm sido tão desnorteados, tão apressados.
Já nem me lembro da ultima vez que me sentei a respirar.
E que falta faz. Saborear cada sentimento.
Viver devagar, doce docemente.
Uma esplanada, um livro, um café.
O mar.

Tenho saudades.
Do cheirinho guloso dos protectores solares.
Da pele salgada. Das pestanas pesadas de água. Dos pés bem enterrados na areia.
Da praia, à tardinha, quando a massa de familias filhos netos chapéus lancheiras vai para casa jantar.

Aqui estou, de volta.
A peça estreou-se, teve em cena quatro dias. Fizemos uma pipa de massa e vai dar para uns quantos jantares com o grupo. Estou feliz.
Ando a ouvir The Smiths quase todos os dias.
Desculpem-me a ausência.
Talvez não para sempre.
Mas, aqui estou.

segunda-feira, 17 de maio de 2004

" O elevador sobe como um espirro. "

2 filmes e algo de algodão, Jacinto Lucas Pires

Adoro esta frase.

quarta-feira, 12 de maio de 2004

Durante uma conversa tive, pela primeira vez, conhecimento de fotografias da guerra Colonial em que militares jogavam à bola com a cabeça de um preto.
Quero dizer alguma coisa sobre isto que sinto e que tenho andado a sentir desde a respectiva conversa e não consigo.
Não sei o que dizer. Não sei o que sentir.

Tenho milhões de palavras estranguladas na garganta.

Quero fazer alguma coisa e não posso.
O que dizer. O que sentir.
O que sentir...?
Não entendo. Não entendo...
...porquê...?

Ontem adormeci-me em lágrimas.
Porque esta imagem não quer sair. Desde então vai repetindo-se exaustivamente.
E eu quero arranca-la a todo o custo. Quero afastar, fingir que não sei, fingir que este mundo é feito de inocência, de amor... mas não é.
Existe maldade. Existe maldade e eu ando cega. Meu Deus, não sei em que mundo vivo e eu que não acredito em Deus peço-lhe ajuda porque preciso tanto tanto. Esta imagem lambe-me perversamente as lágrimas, rouba-me tudo. Tira o chão, despe-me de equilíbrio.
Estou perdida, e dói. O horror apodera-se do corpo. Dói-me tudo, como se a cabeça não fosse dele. Mas minha. Às voltas, rodopiando, minha. Chutada, a minha cabeça, pontapeada por todos e a minha cabeça a dele, a minha a dele... não percebo, porquê?
Porquê...?!

terça-feira, 11 de maio de 2004



Logo hoje, neste dia de sol.
Será possivel? que me sinta assim tão menina gotinha de água.
Tão pequenina, microscópica... tão derramada, perdida.
Inundada.

Logo hoje...

sexta-feira, 7 de maio de 2004

O algo de algodão já tem fotolog que por acaso ali na coluna (do lado esquerdo) está fotoblog...
... é o hábito...
quando tiver paciência corrijo. :o)

Podem dar uma espreitadela! Quem tiver fotologs avise!

e.... acho que é só isto!
Abateu-se sobre mim uma espécie de apatia que não consigo explicar.
Aqui ao lado a minha irmã ouve ópera, pinta quadros.
O som espalha-se por toda a casa.
Pelos corredores, pelos quartos.
A minha mãe dorme.
Eu escrevo. Não o faço por necessidade. Faço-o porque nada mais tenho a fazer. Porque gosto de sentir o teclado na ponta dos dedos.
Janela aberta, carros, autocarros, alguém grita.
Um mundo inteiro lá fora. E eu aqui dentro.
O gosto de sangue na boca. Imensos livros para ler e um, em particular, assombra-me o espírito. Um livro cheio de aranhas, de larvas, baratas castanhas, assassinas.
Sangue na boca.
Tudo sem sentido.
O cérebro flutua em pântanos desconhecidos.
Eu não percebo nada.
Talvez não queira.
E a ópera.... pesa, destrói tudo o que encontra pelo caminho. Já me sinto fraca não quero suportar mais.
O corpo encolhe dorido, as costas corcundam-se e eu deixo cair a cabeça em qualquer sitio, esperando não recordar onde a deixei.

quarta-feira, 5 de maio de 2004

Inicialmente sentia-me apenas uma doninha fedorenta.
Não que cheirásse mal. Nada disso.
Mas há dias assim, errados.
Olhares cegos. Caras desfeitas. Sorrisos apagados.
Dias em que a nossa pele não parece bem nossa, por isso só apetece despi-la. Despi-la, para a realidade se tornar mais suportável. Mas claro, é impossivel.
A pele continua cravada no corpo e a realidade, cinzenta, como o tempo.
Hoje um homem no autocarro deitou para o chão uma lata de Nestea sem qualquer pudôr.
Hoje tive que carregar uma palete de leite sozinha, e pesou mais do que nos outros dias.
Uma mulher veio contra mim, não pediu desculpa.
Hoje vi um homem fazer chichi contra a casa velha que está em frente ao meu prédio.
Hoje não vi cães na rua.
Não tive aula de Biologia. Nem de Psicofisiologia.

Estou cansada.
Hoje no caminho para casa, li “Sou atreita a muitos e grandes desmoronamentos interiores que todos os dias combato como posso. Acordo derrotada e levo o dia inteiro a recompor-me.”

Hoje tenho saudades tuas e não posso estar contigo.

segunda-feira, 3 de maio de 2004



....
......
.........

é que em determinadas circunstâncias...
a questão é que a brincar a brincar...
nunca se sabe quando...
errr....
o problema da loucura animal...
assim tudo muito de repente...

enfim...

(sorriso amarelo)

sexta-feira, 30 de abril de 2004

Ontem conheci uma pessoa que já conhecia. Ou pelo menos pensava que sim. Mas afinal não.
Ontem é que a conheci a sério. Pelo menos mais um bocadinho, mais do que qualquer impressão falsa.
Já me tinha esquecido do que era uma conversa. Daquelas sobre a vida, sobre a morte, sobre objectivos ou falta deles. Sobre gostos, sobre raparigas, sobre rapazes, sobre comportamentos.
Esta pessoa mostrou-se diferente de todas as que conheci até hoje.
Não no sentido amoroso da coisa, porque nesse campo estou satisfeita, mas em termos filosóficos. Conheci alguém que se desinteressa completamente pela vida. Não por depressão, nem por insucesso escolar, social ou emocional (até porque é bem sucedido), mas por pura indiferença.
Tira boas notas, é verdade, conhece muitas muitas pessoas, também é verdade, tem mil e uma coisas para fazer, sim, uma familia que ama, amigos, amigas, namorada, prémios literários, viaja pelo mundo (este ano vai um mês para a Argentina)....
Mas não atribui importância a nenhuma destas coisas (palavras suas). Se amanhã morresse era-lhe completamente indiferente.
Pergunto eu, como é possivel?
Eu não sou assim. Não me imagino a viver assim.
No fundo, então, toda aquela vida de sucesso não significa nada.
Será que tanta auto-exigência resultou em apatia?
Parece-me que sim.
Será que impôs tanto tanto, que nem pensou se de facto aquilo era o que queria? Talvez.
Nunca exigi muito da minha pessoa, nunca esperei por grandes acontecimentos (comparando com a sociedade que rodeia, claro, porque para mim aquilo que sonho é gigantesco, chega e sobra na minha alma). Contento-me com pequenos pormenores, com grandes pormenores, não espero demais, não espero de menos. Espero apenas. Contento-me apenas.
Quero viver a minha vida em serenidade, uma grande caminhada.
Mas morrer já? Não....
Falta-me tanto....!
Milhões de livros para ler, filmes a ver, peças de teatro, cursos para tirar, viagens pelo mundo fora, filhos, muitos filhos, uma casa gigantesca cheia de janelas enormes, quem sabe um livro para escrever, muitos cães, muitas fotografias, muitos concertos, muitos sorrisos, muitos abraços, muitos beijinhos...
Já....? ainda não...
Morreria incompleta. Não quero morrer incompleta.
Quando for velhinha, com netos e bisnetos. Com os olhos a transbordar do tempo que vivi...
Aí sim a minha vida se completaria. É um sonho que gosto de imaginar.
Mas ao ouvir o contrário deste meu sonho. De alguém para quem nada disto é importante, para quem nem um segundo de felicidade existe... o meu peito aperta-se. Sufoco de impotência. De querer mostrar por estes olhos a beleza que encontro em cada sopro que enche o meu corpo.

terça-feira, 27 de abril de 2004

Fecha-me os olhos, por favor, não os deixes ver.
É duro de mais, é branco de mais.
Magoa.
Tudo tão claro.
A verdade é crua.
Dos meus olhos vai escorrendo a alma, pergunto até quando. Mas ela não responde, creio que é de mim que foge.
O corpo cansado, aos poucos, sufoca.
Arranca-me daqui, inventa uma história nova para a minha vida. Esta está tão gasta.
Cria uma morte sem sofrimento.
Tem piedade, não me deixes cair.
Já estou tão partida, não vês?

domingo, 25 de abril de 2004

Depois de um banho acabado de tomar,
esta sensação de verão.
Não vou secar o cabelo.
Assim molhado sabe-me bem.

As rosas vermelhas que o meu pai me deu,
apesar da água em que me apressei a pô-las, continuam cabisbaixas.
*Suspiro*

Hoje apetece-me ouvir algo antigo.
Que não ouça há muito tempo.
(Julia vai espreitar os CD’s)

Dave Matthews band ao vivo “listener supported”
Este serve o meu humor que nem uma luva.

Se puderem ouçam esta versão da musica “The Stone”, arrepia.
Pudesse definir doçura,
sussurrava esta canção a quem de facto a sentisse.

quarta-feira, 21 de abril de 2004

Se eu não me mexer.
Se ficar aqui, quietinha, refugiada numa palavra.
Se respirar devagarinho para que ninguém perceba. Ninguém descubra.
A minha lágrima.
Talvez assim...

Talvez assim a chuva não dê pela minha presença,
nem os cães da rua, nem as pedras da calçada.

Talvez assim...
...o meu coração não se parta.

domingo, 18 de abril de 2004

Tenho meio copo de água em cima da secretária.
Deve estar ali parado há três dias e ainda não arranjei paciência para o levar à cozinha.
Já está com bolhinhas e tudo!
Chega a ser irónico, já que devo ter feito o percurso quarto-cozinha umas 30 vezes (só no dia de hoje).

Isto conduz-me à questão filosófica, (Júlia pensa cuidadosamente)
será a preguiça que me move...?

Mas claro está, se dermos uma olhadela atenta ao resto da secretária a ironia deixa de fazer sentido, caos é sem duvida a palavra indicada.
Ora vejamos:
5 lenços ranhosos (está certo, contei-os) e respectivo pacote vazio
Uma disquete que o meu tio arranjou para a máquina digital (um piolhito da mustek que me segue para todo o lado).
Agenda telefónica da minha irmã (graça divina que a colocou aqui, só pode)
2 canecas com lapiseiras, canetas de feltro etc, que têm a bela particularidade de não escrever.
Uns collants (no coments)
Cadernos, um livro gigantesco de biologia (concepts & connections)
Fotografias (carlos portugal foto express, reportagem de fotografia e video digital a.p.s. sistema advance photo system index print tratamento de imagem digital, vieira de leiria marinha grande monte real leiria, se quiserem as moradas também estão ali)
Uma moeda de 5 cts
Isto tudo bem misturado, sem qualquer organização e....... Secretária da Júlia!

sou atingida pela verdade!
isto é mesmo de quem não tem mais nada que fazer


(to be continued........................................
...................................ou talvez não)
Ciclo Vincent Gallo no King!
De 15 a 21 de Abril às 18h

Dia 18
"Buffalo 66", de Vincent Gallo (deu a semana passada na TV, se nunca viram... VEJAM)

Dia 19
"Doc's Kingdom", de Robert Kramer

Dia 20
"Trouble Every day", de Claire Denis

Dia 21
"Buffalo 66", de Vincent Gallo

Não esquecer que saiu há pouco tempo para os cinemas "The Brown Bunny".
Mal cheguei a casa estatelei-me contra a secretária...

...amanhã tenho a perna toda negra...


... belo final de férias este...

quarta-feira, 14 de abril de 2004

Elvis Costello. Que posso eu dizer?
Adoro a voz, as melodias, as letras! São dele algumas das musicas que ainda têm a magia de me acalmar.
Concerto dia 8 de Maio em Lisboa às 21h30, no coliseu dos Recreios.
Vem apresentar o seu mais recente album "North", já ouvi e gostei.
Queria mesmo mesmo mesmo MESMO muito ir, mas bolas... entre 20 a 40 euros?!!?? tá tudo louco?!! Os preços andam a subir frenéticamente!
O concerto de Nick Cave por exemplo, 50 euros?!!?!?
*Suspiro*


(pa ti mor)
"...
Still
Lying in the shadows this new flame will cast
Upon everything we carry from the past
You were made of every love and each regret
Up until the day we met
There are no words that I'm afraid to hear
Unless they are Goodbye, my dear
Still
I was moving very fast
But in one place
Now you speak my name and set my pulse to race
Sometimes words may tumble out but can't eclipse
The feeling when you press your fingers to my lips
I want to kiss you in a rush
And whisper things to make you blush
And you say, Darling, hush
Hush
Still, still"

Para quem não conhece aqui vão algumas sugestões de musicas:
"My funny valentine"
"I want you"
"She"
"Pump it up"
"watching the detectives"
"My mood swings"
(.........)
são tantas, tantas...!! Espero que gostem!

segunda-feira, 12 de abril de 2004

Se pudesse viver para sempre escolhia aquele momento.
Tu a descascar laranjas.

a faca meio raquítica
“dá-te jeito essa faca?”
“muito mais do que as outras de serrilha”

eu encantada:
o teu sorriso doce,
os dedos compridos, as unhas roídas,
as mãos pingavam de sumo.
tu tão concentrado, tão minucioso,
como se daquela laranja dependesse o mundo

e uma ternura brutal, gigantesca, monstruosa
a explodir no meu peito, porque aquela laranja tinha um destino,
o meu.

domingo, 4 de abril de 2004

Mas quando as vozes se calam.
Quando fecho a porta e sozinha percorro o quarto...
Lá está o espelho... à espera.
Silencioso.
Envolto numa quietude perversa.
Consigo sentir. Consigo cheirar. A sua voz suja de maldade.
Sussurra ao ouvido tudo o que não quero ouvir. Tudo o que não sou. O que queria ser. Mais magra, esbelta, mais alta, esguia, elástica, perfeita... perfeita... não na minha perfeição. Na perfeição deles. Lá fora, no mundo.
Então, com um gesto violento fecho a porta do armário. Escondo-me nos cobertores e tapo os ouvidos.
Num leve murmúrio ainda ouço, baixinho. Palavras aparentemente dóceis, sopradas ao ouvido: “espreita, dá uma olhadela, vê a tua realidade”.
E eu fraca, sigo. Deitando migalhinhas de pão, para não me perder, esperando encontrar uma resposta certa.
Aproximo-me lentamente.
Dispo as roupas e nua olha para este corpo.
Um corpo que não é meu.
Não pode ser meu.
Não me vejo aqui, não me quero aqui.
Quero apagar. Arrancar o cabelo, rasgar a pele, cuspir a carne, esmagar os ossos.
Deitar fora a imagem que me reflecte. Queimar, cortar, despedaçar, não deixar um centímetro.
Guardar apenas a alma.

“O que é que estavas a fazer?”
“Estava a olhar para a embalagem do iogurte, é tudo tão simples, irónico. Também estou em pedaços.”
“Oh mor... eu colo-te”

sexta-feira, 2 de abril de 2004

Os dias passam a correr e eu nem dou por eles. É como se viajasse no ponteiro de um relógio tão gigantesco que as suas horas exactas fossem incapazes de determinar.
Mas quando este raro momento se dá, quando vejo os segundos, horas, dias que me abandonam, fico aqui pasmada a vê-los partir.
Observo-os indefesa, olho para trás, tropeço nos que surgem sem aviso, doidos por desaparecer novamente. Fogem depressa para não os conseguir alcançar.
Não os acompanho, desoriento-me, perco-me, tanto saltar para o ponteiro do velho relógio que gira, gira maquinalmente. Só que eu caio, perco o passo, desespero.
Gostava de os fazer parar por um bocadinho para respirar à vontade. Sem a pressão do dia seguinte, do movimento seguinte, da palavra seguinte.
Tudo por uns instantes.
O prazer de fazer o tempo.
A calma de um dia sem horas.

quarta-feira, 31 de março de 2004

Embora o esquecimento seja uma das coisas que mais odeio (e quando digo esquecimento não me refiro a coisas banais do dia a dia), consigo encontrar algo de belo neste poema.

O Esquecimento

no outro lado da noite
o amor é possível

--- leva-me ---

leva-me entre as doces substâncias
que morrem cada dia na tua memória

Alejandra Pizarnik

terça-feira, 30 de março de 2004

Tão bem que me sabem dias como este.
Chego a casa, enrolo o cabelo no elástico, ligo o computador enquanto visto o pijama.
A minha mãe esqueceu-se aqui dos óculos.
Espreguiço-me...
Um filme para adoçar o final do dia, “Alguém tem que ceder”. Uma comédia romântica com algo de lamechice à mistura mas, ao contrário do eu habitual, gostei. Fiquei mais cor de rosa e ser cor de rosa às vezes faz bem, nem que seja para sonhar um bocadinho.
Um jantar na Portugália. Uma conversa com Sr meu namorado, combinar coisas para o dia seguinte. Para o fim de semana seguinte.
“Não devo gostar de arroz de lampreia” mas ainda bem que compreendes.
Milhões de coisas para fazer, todas elas do meu agrado. Sinto-me tão grande, capaz de esticar os braços e abraçar o mundo.
Pessoas aparecem, pessoas telefonam, sorrisos, “até amanhã”, “até amanhã!”.
“Amo-te”, “Também te amo muito”
Os dias deviam ser assim. Tão suaves.
Adoro estes dias.
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