mui de muito cor de coração dou de dourado pé de pétala vem do ventre algo de algodão
sexta-feira, 29 de dezembro de 2006
P. Roth
segunda-feira, 18 de dezembro de 2006
domingo, 3 de dezembro de 2006
e eu
eu esquecida na cama entre almofadas e ritmos tristes.

"I was getting ready to be a threat
I was getting set for my
accidental suicide
the kind where no one dies
no one looks too surprised
then you realize
that you're riding on a para-success
of a heavy-handed metaphor
and a feeling like you've been here before
because you've been here before
and you've been here before
then a word washed ashore
a word washed ashore
then a word washed ashore "
Andrew Bird
sábado, 2 de dezembro de 2006
with-a-love-that-was-more-than-love-more-
than-love-love-more-than-love-
love-more-than-love-more-than-love.

Brigitte Carnochan
"I was a child and she was a child,
In this kingdom by the sea:
But we loved with a love that was more than love -
I and my Annabel Lee;"
Edgar Allan Poe
quarta-feira, 29 de novembro de 2006
domingo, 19 de novembro de 2006
quinta-feira, 2 de novembro de 2006

" their ideal neighborhood
of parked cars
of little green lawns
of little homes
the little doors that open and close
as their relatives visit
throughout the holidays
the doors closing
behind the dying who die so slowly
behind the dead who are still alive
in your quiet average neighborhood
of winding streets
of agony
of confusion
of horror
of fear
of ignorance.
a dog standing behind a fence.
a man silent at the window. "
sexta-feira, 27 de outubro de 2006
quinta-feira, 12 de outubro de 2006
sexta-feira, 6 de outubro de 2006
a minha avó chama-se Ermelinda.
e r m e l i n d a.
fez hoje 81 anos e tem um olho de cada cor. um verde outro castanho.
sempre gostei disso. observo cada um enquanto fala, enquanto ri. intercalo em segredo. o castanho. o verde. o castanho. o verde.
contrariou os pais indo para enfermagem. contrariou os pais casando com o meu avô. como consequência não os teve no casamento. "mas de quem eu gostava era do teu avô"
gosto de a ouvir
é gira, a ermelinda. sai-se com coisas inesperadas.
hoje iamos jantar fora, celebrar.
- lá na minha terra chamam vaginas aos feijões verdes.
- oh mãe, só pode estar a fazer confusão...
- qual quê! é vaginas pois!
ermelinda :)
quinta-feira, 5 de outubro de 2006
terça-feira, 26 de setembro de 2006
sexta-feira, 22 de setembro de 2006
sexta-feira, 15 de setembro de 2006
Aterrorizo-me.
A fragilidade. O aleatório. A probabilidade.
Quero aconchegar os que amo e carrega-los no peito como grãozinhos grãozinhos. Vivê-los eternamente numa fúria egoísta. Fazê-los de aço para impedir que sofram, para que não experimentem a dor do incerto.
Trancar a casa, o quarto, engolir a chave. Fecha-los na concha das mãos como a um pássaro pequenino. Meus, só meus, num desgaste interior, egoista, de olhos submersos, meus.
Não posso desfazer a necessidade de pedir desculpa, desculpa e desculpa por favor, pela monstruosidade raiva e repugnância do que está feito, do que se quer refazer e já não se pode. Desculpa. Pelo hediondo mal feito, a perversidade. Alguém que não sabia o que fazia. Alguém que provavelmente nunca quis saber.
A sensação.
Mãos vazias, doridas. Num silêncio, de tão atroz, irreversivel. Escondendo a nudez crua e desajeitada das asas torcidas, mortas
quebradas.
Quero dizer, dizer algo significativo, que importe.
Não consigo.









