Y.K. Centeno
mui de muito cor de coração dou de dourado pé de pétala vem do ventre algo de algodão



" their ideal neighborhood
of parked cars
of little green lawns
of little homes
the little doors that open and close
as their relatives visit
throughout the holidays
the doors closing
behind the dying who die so slowly
behind the dead who are still alive
in your quiet average neighborhood
of winding streets
of agony
of confusion
of horror
of fear
of ignorance.
a dog standing behind a fence.
a man silent at the window. "
Aterrorizo-me.
A fragilidade. O aleatório. A probabilidade.
Quero aconchegar os que amo e carrega-los no peito como grãozinhos grãozinhos. Vivê-los eternamente numa fúria egoísta. Fazê-los de aço para impedir que sofram, para que não experimentem a dor do incerto.
Trancar a casa, o quarto, engolir a chave. Fecha-los na concha das mãos como a um pássaro pequenino. Meus, só meus, num desgaste interior, egoista, de olhos submersos, meus.
Não posso desfazer a necessidade de pedir desculpa, desculpa e desculpa por favor, pela monstruosidade raiva e repugnância do que está feito, do que se quer refazer e já não se pode. Desculpa. Pelo hediondo mal feito, a perversidade. Alguém que não sabia o que fazia. Alguém que provavelmente nunca quis saber.
A sensação.
Mãos vazias, doridas. Num silêncio, de tão atroz, irreversivel. Escondendo a nudez crua e desajeitada das asas torcidas, mortas
quebradas.
Quero dizer, dizer algo significativo, que importe.
Não consigo.