argh...!(...) "fala-se de si, alguém fala de si, é isso, no singular, um só, o preposto, ele, eu, pouco importa, o preposto fala de si, não é isso, de outrem, também não, ele sabe lá, como poderia saber se falou disso ou não, ao falar de si, ao falar de outrem, ao falar das coisas, que outrem, que coisas, o preposto, ao falar de si, sou eu, falando de mim, tenho de falar dele, só posso falar de mim, também não, não posso falar de nada, mas falo, talvez fale dele, nunca saberei, como poderia saber, quem poderia saber, quem sabendo-o poderia dizer-me, não sei de quem se trata, é tudo o que sei, não, devo saber outra coisa, devem ter-me ensinado coisas, trata-se dele que não sabe nada, não quer nada, não pode nada, se não querendo nada se pode não poder nada, que não pode falar nem ouvir, que é eu, que não pode ser eu, de quem não posso falar, de quem tenho de falar" (....)
O inominável, Samuel Beckett