sexta-feira, 2 de novembro de 2007

o elevador cheirava a castanhas.
desde que chegou o frio anoitece cedo e o autocarro pesa nos ossos. as tardes no entanto continuam quentes. e é engraçado como as cartas-que-não-são-cartas dele tendem a chegar à tarde. quero dizer, a (acon)chegar-me à tarde.

terça-feira, 30 de outubro de 2007

coin-operated joy

pedaços do oriente - 3



let me tell you about the wonder of plastic existence



it doesn't feel



sexta-feira, 26 de outubro de 2007









daqui

domingo, 21 de outubro de 2007

sobre o sol de domingo e uma preguiça de louça para lavar

bocejo bocejar bocejando
espreguiço espreguiçar espreguiçando



quinta-feira, 18 de outubro de 2007

my fantasy for the birthday boy


Cinco horas e treze minutos. O tempo esmorece com o fechar da porta. A rua voa e eles têm o silêncio. O silêncio deles.
Bocadinhos de poeira contrariam o sol enquanto a doçura espreita num sorriso demorado.
As mãos envolvem o pescoço.
A respiração pesa.
No corpo há séculos de espaço.
Ela tem medo do olhar dele que entra muito dentro,
ele expira devagar o cigarro.

O mundo pára.

domingo, 14 de outubro de 2007


Ruang rak noi nid mahasan



qualquer coisa de conteúdo:
há a casa vazia com um saco desfeito na sala,
uma pulseira enforcada no pulso.
pulso esquerdo.
Cheguei a casa com uma palavra entalada no olho, que esfreguei e esfreguei mas não saiu. Digo de mim para mim que envelhecer em sacos de plástico acontece. Que é normal enfiar bocados do corpo em caixas de cartão. Que faz sentido devolver memórias como quem devolve roupa nos centros comerciais.
Mas não.
Não.
Estou encalhada na primeira pessoa, é um problema.
mas agarro-me e tenho-me e sou. pela primeira vez em anos
sou. isso é bom.

segunda-feira, 1 de outubro de 2007

pedaços do oriente - 2



quarta-feira, 26 de setembro de 2007

pedaços do oriente - 1





terça-feira, 25 de setembro de 2007

... porque sou desordenada, mas não esqueço, nunca esqueço (beijinho especial ao nils) :)

tinha vários livros aglomerados secretária acima. o de cima, esse: "Confronting child abuse: Research for effective program design" de Deborah Daro.
A quinta frase (sem contar com a primeira que vem incompleta da página anterior) diz "In order to project the total social savings realized through permanency planning, we must accurately assess the ability of child welfare services to offer protection to children in the absence of placement and to correctly determine when at least temporary placement is the most appropriate course of treatment."

Deixo para cinco visitantes que queiram partilhar dos seus livros:

O Regulamento
1. Pegar no livro mais próximo.
2. Abri-lo na página 161.
3. Procurar a 5.ª frase completa.
4. Colocar a frase no blogue.
5. Não vale procurar o melhor livro que têm, usem o mais próximo.
6. Passar o desafio a cinco pessoas.

segunda-feira, 24 de setembro de 2007

Ainda não consegui pesar os ingredientes que usa nas palavras. Como as conjuga ordinariamente ao ponto do arrepio. Sei que gosto.
dele.


(imagem) The pillow book


Nos quilómetros de pele nua o sol pausa nas veias, e deixo-me ficar abreviada.
Falta pouco para Dezembro. Falta pouco.

sábado, 15 de setembro de 2007

gira ventoinha numa noite de pedras.

ir para um canto silenciar o corpo podre,

estou cansada de estar cansada de estar cansada

de estar morta.

quarta-feira, 22 de agosto de 2007

"saddest girl to ever hold a martini"

mexo os dedos
como se significasse alguma coisa

não significo nada.

e atrevo,
desfeita e desfocada.

como se sigificasse,
não significo nada.

domingo, 12 de agosto de 2007


Kurt Halsey




a mala por fazer as cuecas as saias os tops em cima da cama, tenho de ir à farmácia ao consultório à junta ao supermercado falta o fenistil o paracetamol o protector solar as fotocopias do passaporte e do BI as vacinas, os segundos em ponto morto eu em sorriso tatuado não acredito sou pintinhas explosôes e estou a fritar que nem uma batata frita

sábado, 4 de agosto de 2007

em contagem decrescente

tenho o corpo partido em mil formigas de ternura.
e,
tenho búzios espetados no coração que me abrem feridas no percurso cansado das artérias.

chego à conclusão:
a terra que carrego nas unhas nunca será feita de estrelas
mas não faz mal.

quarta-feira, 4 de julho de 2007




This is a wasteland now

segunda-feira, 25 de junho de 2007

sobre a mágoa de escrever através da pele


"Se murió a las cuatro y media
del gran reló de la sala,
a las cuatro y veinticinco
de su reló de pulsera.
Nadie lo notó. Su traje
seguía lleno de ella,
en pie, sobre sus zapatos,
hasta las sonrisas frascas
arriba en los labios. Todos
la vieron ir y venir,
como siempre.
No se le mudó la voz,
hacía la misma vida
de siempre."

Pedro Salinas



Katsura Komiyama





Katsura Komiyama
"No esquema vertical do corpo humano são três os pontos principais: o cérebro, o coração e o sexo. Mas o central é o segundo e, devido a essa situação, adquire o privilégio de concentrar de certo modo a ideia dos outros dois."


Camilla Engman

sábado, 16 de junho de 2007

Carregamos abismos de distancia.


Tim Van Der Weert

mas sou verde,
tenho muitas folhas e universos de fotossíntese.

já me habitavas, mesmo antes de ires.

sábado, 9 de junho de 2007

castelos impossíveis de
formigas encantadas
em jardins imaginários.
e todas as noites uma história nova.

entretanto o tempo esticou
e (aos tropeções)
o corpo cresceu.

venho espalhando pelos anos corações de plástico,
que calço arranco visto ponho tiro desfaço
de acordo com a disposição quotidiana.
nos dias rachados saio para a rua de peito vazio.

mas a vida corre e
os amigos estão e
a família,
quando não se tem,
substitui-se.




Anna Gaskell
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