mui de muito cor de coração dou de dourado pé de pétala vem do ventre algo de algodão
terça-feira, 7 de outubro de 2008
terça-feira, 30 de setembro de 2008
A hora de despertar enoja-me o estômago. As pessoas formigam na rua com sacos e pressa, mecanizadas quotidiano adentro. O mundo todo é feito de persianas. Arrasto os lençóis pela cozinha e tomo comprimidos, antibióticos, anti-inflamatórios. O cão abana-se na esperança de trela. Suspiro um pedido de desculpas.
Ando a reparar que as palavras cabem menos na garganta.
Ando a reparar que as palavras cabem menos na garganta.
segunda-feira, 26 de maio de 2008
sábado, 17 de maio de 2008
Não há na terra lugar nenhum. As raizes apodrecem no corpo. Continuamos a acordar todos os dias à hora em que o despertador não toca. Destapo os lençois com dificuldade e arrasto os chinelos pela casa. Por baixo da água no chuveiro espero que o pó desapareça, e com ele a pele.
Ao longe. "Filha, o corpo não tem raizes na terra" Eu sei mãe.
Ao longe. "Filha, o corpo não tem raizes na terra" Eu sei mãe.
quarta-feira, 14 de maio de 2008
quarta-feira, 7 de maio de 2008
quinta-feira, 1 de maio de 2008
sábado, 12 de abril de 2008
quarta-feira, 2 de abril de 2008
sexta-feira, 28 de março de 2008
sobre tirar sapatos rodopiar rodopiar rir sorrir abrir o espaço e dançar
lufa lufa
ontem no santiago alquimista :)
lufa lufa
ontem no santiago alquimista :)
quarta-feira, 19 de março de 2008
dezanove
deixei de te escrever há algum tempo já. talvez pela mesma altura em que deixaste de me ler.
a verdade é que a necessidade de apoiar o raciocínio na ideia que tens do mundo se diluiu com ausência e por muito que seja, toda eu (de pensamentos, carnes, pêlos, genes e sangue), consequência da tua pessoa és cada vez menos determinante.
aprendi contigo. essencialmente a reparar.
pensar.
quando se cria o vício do pensamento acabamos por questionar tudo.
indispensável lupa, o microscópio virado para dentro de forma a que o sujeito (ele próprio) se veja. porque pai, de pouco serve estar exclusivamente virado para fora. o interior adormece empobrece apodrece. o mesmo se poderia dizer com a vivência exaustiva do interior bloqueando tudo o que é estimulo externo. adormece empobrece apodrece.
por isso, desde que nasci ensinaste a cultivar interesses, aprofundar gostos. pensar por mim, primeiro por mim. enriquecer com o que vem de fora através de um trabalho construtivo de selecção, analisar de forma crítica o que se vai estabelecendo por dentro. ter uma vida, minha. como me ensinaste. minha. não porque é suposto viver, não porque é suposto investir mas porque o quero fazer. há entre ambos umas diferença abismal, diferença reflectida. seria incorrecto permitir que outro o fizesse por mim, ditar uma vida normativa apenas pela obrigatoriedade social equivale a uma cabeçada na parede. ou serão os meus verdes 24? tu o dirás. eu o direi, se aí chegar.
espero que, a cima de tudo, sejas uma pessoa feliz. com a tua vida. que sejas um construto reflectido. que gostes de ti e estejas com quem gosta de ti pelo que és. que te estimes. que te construas. que te reconstruas, se necessário. que valha a pena
que valha sempre a pena
por ti,
para ti.
deixei de te escrever há algum tempo já. talvez pela mesma altura em que deixaste de me ler.
a verdade é que a necessidade de apoiar o raciocínio na ideia que tens do mundo se diluiu com ausência e por muito que seja, toda eu (de pensamentos, carnes, pêlos, genes e sangue), consequência da tua pessoa és cada vez menos determinante.
aprendi contigo. essencialmente a reparar.
pensar.
quando se cria o vício do pensamento acabamos por questionar tudo.
indispensável lupa, o microscópio virado para dentro de forma a que o sujeito (ele próprio) se veja. porque pai, de pouco serve estar exclusivamente virado para fora. o interior adormece empobrece apodrece. o mesmo se poderia dizer com a vivência exaustiva do interior bloqueando tudo o que é estimulo externo. adormece empobrece apodrece.
por isso, desde que nasci ensinaste a cultivar interesses, aprofundar gostos. pensar por mim, primeiro por mim. enriquecer com o que vem de fora através de um trabalho construtivo de selecção, analisar de forma crítica o que se vai estabelecendo por dentro. ter uma vida, minha. como me ensinaste. minha. não porque é suposto viver, não porque é suposto investir mas porque o quero fazer. há entre ambos umas diferença abismal, diferença reflectida. seria incorrecto permitir que outro o fizesse por mim, ditar uma vida normativa apenas pela obrigatoriedade social equivale a uma cabeçada na parede. ou serão os meus verdes 24? tu o dirás. eu o direi, se aí chegar.
espero que, a cima de tudo, sejas uma pessoa feliz. com a tua vida. que sejas um construto reflectido. que gostes de ti e estejas com quem gosta de ti pelo que és. que te estimes. que te construas. que te reconstruas, se necessário. que valha a pena
que valha sempre a pena
por ti,
para ti.
quarta-feira, 5 de março de 2008
a gôndola já não cabe em nenhuma rua *

o amor aqui de casa vai secar com as plantas,
porque eu digo. porque eu quero. porque sim.
* David Mourão-Ferreira
* Sipping Water, 2007 (David Hilliard)

o amor aqui de casa vai secar com as plantas,
porque eu digo. porque eu quero. porque sim.
* David Mourão-Ferreira
* Sipping Water, 2007 (David Hilliard)
domingo, 17 de fevereiro de 2008
sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008
so affections fade away and do adults just learn to play the most ridiculous repulsive games? *
o prazer denso do nevoeiro afasta as certezas por isso deixo-me tropeçar no limbo quântico.
fecho os olhos a contra-gotas. distorço a geometria da cara. porque
uma partícula (...) não pode ter uma posição definida e uma velocidade definida; uma partícula não pode ter um spin definido (horário ou anti-horário) ao longo de mais de um eixo; uma partícula não pode ter simultaneamente atributos definidos para coisas que estão em lados opostos do fosso da incerteza*
* Turn on me, The Shins
* O Tecido do Cosmos, Brian Greene
o prazer denso do nevoeiro afasta as certezas por isso deixo-me tropeçar no limbo quântico.
fecho os olhos a contra-gotas. distorço a geometria da cara. porque
uma partícula (...) não pode ter uma posição definida e uma velocidade definida; uma partícula não pode ter um spin definido (horário ou anti-horário) ao longo de mais de um eixo; uma partícula não pode ter simultaneamente atributos definidos para coisas que estão em lados opostos do fosso da incerteza*
* Turn on me, The Shins
* O Tecido do Cosmos, Brian Greene
domingo, 3 de fevereiro de 2008

Ellen Lanyon
o chão de casa está limpo e as chávenas vazias. vejo-me de casacos e sapatos, quadrada como as malas. que dizia? que dizias?
digo. voltas?
tenho um carrocel suspenso por veias e é costume cortar as veias com uma tesourinha que guardo na casa de banho. gira-giras no meu sangue amargo e é possível que te deixe cair, não te quero partir e eu sem querer que.
partiste.
quarta-feira, 23 de janeiro de 2008
segunda-feira, 14 de janeiro de 2008
forever dead and lovely now
foi um verão de pés descalços e mãos magras. mãos que chegavam para te levar de uma só vez à boca como se faz aos frutos suculentos.
(...)
He had a bullet proof smile
He had money to burn
She thought she had the moon
In her pocket
But now she's dead
She's so dead
Forever dead and lovely now
I've always been told to
Remember this...
Don't let a fool kiss you
Never marry for love
He was hard to impress
He knew everyone's secrets
He wore her on his arm
Just like jewelry
He never gave but he got
He kept her on a leash
He's not the kind of wheel
You fall asleep at
But now she's dead
Forever dead
Forever dead and lovely now
Come closer, look deeper
You've fallen fast
Just like a plane on a
Stormy sea
(...)
Dead and Lovely, Tom Waits
foi um verão de pés descalços e mãos magras. mãos que chegavam para te levar de uma só vez à boca como se faz aos frutos suculentos.
(...)
He had a bullet proof smile
He had money to burn
She thought she had the moon
In her pocket
But now she's dead
She's so dead
Forever dead and lovely now
I've always been told to
Remember this...
Don't let a fool kiss you
Never marry for love
He was hard to impress
He knew everyone's secrets
He wore her on his arm
Just like jewelry
He never gave but he got
He kept her on a leash
He's not the kind of wheel
You fall asleep at
But now she's dead
Forever dead
Forever dead and lovely now
Come closer, look deeper
You've fallen fast
Just like a plane on a
Stormy sea
(...)
Dead and Lovely, Tom Waits
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