mui de muito cor de coração dou de dourado pé de pétala vem do ventre algo de algodão
terça-feira, 12 de abril de 2011
Os joelhos dão pela fraqueza de não conseguir desenhar a anatomia da minha mudança.
Anatomias de mudança, quero dizer.
Estico muito o indicador mas nem por isso sei distinguir o “é aqui” do “é ali”. Sei que chego à senhora dos jornais pela mesma hora e ela sorri o jornal sem eu o pedir. Sei que pasmo horas de fim de semana na esplanada. Com ele, os nossos vizinhos e amigos. O senhor Vasco da bengala passa ali todos os dias, partilha sempre a lágrima pela mulher. E nós que somos todos tão iguais gostamos de o ouvir. Sei que sou pequena com voz a crescer para mulherzinha.
Mas pôr o dedo a dizer “é aqui”, ainda não.
Anatomias de mudança, quero dizer.
Estico muito o indicador mas nem por isso sei distinguir o “é aqui” do “é ali”. Sei que chego à senhora dos jornais pela mesma hora e ela sorri o jornal sem eu o pedir. Sei que pasmo horas de fim de semana na esplanada. Com ele, os nossos vizinhos e amigos. O senhor Vasco da bengala passa ali todos os dias, partilha sempre a lágrima pela mulher. E nós que somos todos tão iguais gostamos de o ouvir. Sei que sou pequena com voz a crescer para mulherzinha.
Mas pôr o dedo a dizer “é aqui”, ainda não.
quinta-feira, 31 de março de 2011
segunda-feira, 28 de março de 2011
A sensação de vermos o que sai cá de dentro - do mais cá de dentro de nós -, apropriado e profanado por um/a javardo/a qualquer sem espinha dorsal é algo que dá vómitos.
haja pouca vergonha e tamanha imbecilidade. aconselho a menina Maria a ler o texto completo (citado acima e que lhe sirva de exemplo) para se instruir, dado que (iupi iai iei) retirou já os meus textos do seu fotolog.
espero que esta e mais esta sem esquecer esta e a outra o ponto de partida desta e a falta de imaginação daquela com o excesso de confiança da outra, vão todas pelo mesmo caminho.
barf (a continuação da saga...)
já não sei muito bem se fique chateada ou se encolha ombros em pena. é que a minha cabecinha continua agarrada aos ombros e vai amadurecendo frutos (seja ou não no virtual). no entanto o que será da cabeça desta menina sem material alheio para catrapiscar? deixará porventura de pensar?
este texto veio do algodão 2004 e tem um final de 2008 (quando ainda escrevia tim-tim por tim-tim desabafos mais transparentes).
entretanto chegámos a 2011. a menina pode desenterrar os meus pedaços pré-históricos como bem entender mas ao menos cite, sim?
ah.... fui encontrar o mesmo aqui.
resta de facto concluir que a transparência, mais do que a mentira, incomoda muita gente.
domingo, 27 de março de 2011
barf
gosto quando um leitor por aqui tropeça e calha de achar piada ao que escrevo.
já pouco escrevo é verdade. ainda assim volto. abro janelas, deixo as palavras arejar, sacudo-lhes o pó e sempre vou tirando o verdete à memória.
já tinha acontecido encontrar copy/paste dos meus desabafos, situações essas que passaram por aqui despercebidas. às vezes sente-se o caruncho mas a pachorra é pouca para esburacar soalho.
posto isto, dado que toda a paciência tem limites e eu posso ser uma miúda simpática mas não nutro simpatia por quem pretende passar por seu o que não criou, esbarrei aqui com a vergonhosa cópia de retalhos deste post e mais ultima frase deste (publicados a Setembro e Janeiro de 2008).
terça-feira, 15 de fevereiro de 2011
quinta-feira, 6 de janeiro de 2011
quinta-feira, 4 de novembro de 2010
sexta-feira, 2 de outubro de 2009
ainda assim. o espaço dele infiltrado no meu não magoa, devia, mas não.
e se olhar, estou na sala, carlos bica a suavizar num rádio velhinho ao fundo. com um prato de douradinhos de pescada, capitão iglo ou qualquer coisa idiota. o prato em que ele pintou uns olhos e um nariz. o arroz por cima.
por dentro somos sorrisos. e somos.
não faz sentido, compreende-se, e não troco por nada.
é que o corpo dele é tão meu, e o meu já não é tão meu como dele.
terça-feira, 4 de novembro de 2008
Ele tinha um corpo que diluía o sábado. O domingo. Qualquer agregado de segundos. Era fácil, como a cereja, e difícil, como o caroço.
Deixo-me sossegada em forma de parágrafo para esquecer a imperfeição das coisas. Lisboa é feita de calçadas, não se anda direito pelos buracos.
Deixo-me estar.
(volto a dizer, de mim para mim, que de olhos fechados a intimidade não dói tanto. de olhos fechados posso nem estar ali, não me vejo)
Deixo-me sossegada em forma de parágrafo para esquecer a imperfeição das coisas. Lisboa é feita de calçadas, não se anda direito pelos buracos.
Deixo-me estar.
(volto a dizer, de mim para mim, que de olhos fechados a intimidade não dói tanto. de olhos fechados posso nem estar ali, não me vejo)
terça-feira, 7 de outubro de 2008
terça-feira, 30 de setembro de 2008
A hora de despertar enoja-me o estômago. As pessoas formigam na rua com sacos e pressa, mecanizadas quotidiano adentro. O mundo todo é feito de persianas. Arrasto os lençóis pela cozinha e tomo comprimidos, antibióticos, anti-inflamatórios. O cão abana-se na esperança de trela. Suspiro um pedido de desculpas.
Ando a reparar que as palavras cabem menos na garganta.
Ando a reparar que as palavras cabem menos na garganta.
segunda-feira, 26 de maio de 2008
sábado, 17 de maio de 2008
Não há na terra lugar nenhum. As raizes apodrecem no corpo. Continuamos a acordar todos os dias à hora em que o despertador não toca. Destapo os lençois com dificuldade e arrasto os chinelos pela casa. Por baixo da água no chuveiro espero que o pó desapareça, e com ele a pele.
Ao longe. "Filha, o corpo não tem raizes na terra" Eu sei mãe.
Ao longe. "Filha, o corpo não tem raizes na terra" Eu sei mãe.
quarta-feira, 14 de maio de 2008
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